Quando chegou na casa de Shiron o Sannin surpreendeu-se com a simplicidade do local. Era uma casa bem pequena. A pintura era clara, denunciando apenas uma demão de tinta. Havia um pequeno jardim com uma cerca simples, feita de bambu, ainda sim, muito bem feita e bonita.
- Pode entrar, Orochimaru-sama - falou o rapaz ao abrir o portão - O laboratório fica nos fundos do terreno - explicou, seguindo pela lateral da casa
Aquilo que Orochimaru viu, quando chegou aos fundos do terreno o fez desanimar totalmente. Havia ali apenas um barracão caindo aos pedaços. Bem maior do que a casa, era verdade, mas suas condições eram tão precárias que sequer era pintado! O desgaste do tempo e das intempéries contava sua história em cada pedaço da madeira descorada. O desânimo no seu semblante deve tê-lo denunciado, pois o jovem Nara o olhou, inicialmente como se não compreendesse, mas depois abriu um sorriso largo, o que confundiu totalmente o Sannin
- Desculpe, Orochimaru-sama. Sua reação foi exatamente o que eu esperava despertar em qualquer um que quisesse entrar aqui para roubar. Precisava parecer mesmo um barracão caindo aos pedaços - falou, andando em direção à porta, onde enfiou uma chave na tranca enferrujada, abrindo e entrando, enquanto o outro ainda se encontrava parado tentando se recompor - Venha ver com os seus próprios olhos - disse, sumindo dentro da porta, o eco da sua voz tirando o mais velho do transe.
- O que quer dizer com is...? - o ex vilão começou a dizer, mas ficou sem fala quando viu o que havia sob aquele galpão decrépito: Tinha outra porta, de madeira maciça e com dobradiças pesadas. O jovem apertou um círculo na lateral e um compartimento se abriu, revelando um painel numérico. Ele então, digitou uma sequência longa de números e a porta se abriu.
- Bem vindo ao meu laboratório... - falou o rapaz, saboreando a evidente surpresa do mais velho
O cômodo, dentro do galpão, era muito bem construído. Havia todos os aparelhos e máquinas que Orochimaru conhecia e até alguns que ele nunca havia visto. Além de tubos de ensaio, beckers e pipetas, funis, balões volumétricos e demais vidrarias comuns e indispensáveis, também havia balanças, centrífugas, agitador magnético... Enfim, era o laboratório mais completo que ele conhecera, além dos que tivera.
A parede dos fundos era ocupada de um lado ao outro com várias prateleiras, totalmente abarrotadas com diversos materiais encadernados e pergaminhos. A quantidade superava muito a biblioteca do seu primeiro esconderijo, antes de Hiruzen pegá-lo em flagrante e ele ter que fugir da vila...
- O laboratório é maravilhosamente completo! E que biblioteca magnífica!! - exclamou o Sannin
- Vindo do senhor, Orochimaru-sama, isso é o maior elogio! Obrigado!
Orochimaru olhou de novo para aquela infinidade de livros e pergaminhos, depois para o jovem e disse:
- Enquanto o Hokage não envia seu mensageiro, me permite examinar sua biblioteca?
- Claro que sim! Fique à vontade! Só quero avisar que a maioria são cópias que fiz de textos que o Hokage me emprestou e também cópias de pergaminhos que pertencem à grande biblioteca de remédios do Clã Nara.
- Entendo, obrigado!- falou o Sannin, quase correndo para perto dos pergaminhos.
Meia hora depois, um Ambu com máscara de macaco, praticamente se materializou no meio do laboratório.
- O Sexto manda avisar que alguns shinobis do Clã Mitsashi estão vindo. Pede que os esperem na frente da casa. E também solicita a sua presença, Orochimaru-sama, ao final do dia, antes que siga para sua residência
Assim que terminou de falar, o Anbu desapareceu em uma nuvem de fumaça roxa. Orochimaru e Shiron se olharam e em seguida, foram para o portão da casa. Foram conversando sobre os pergaminhos e os planos para seus experimentos no laboratório.
Havia passado aproximadamente dez minutos quando três shinobis chegaram. Shiron os conduziu para o laboratório e explicou o que precisava ser feito. Os três analisaram os equipamentos, entreolharam e o mais velho disse:
- Esse serviço demanda muito chakra. Serão necessários seis ou sete ninjas para realizar o serviço todo de uma vez - falou para os dois - Como já é quase hora do almoço, sugiro almoçarmos e depois, nas primeiras horas da tarde, volto com shinobis suficientes para fazermos isso.
- Sim, essa é uma ótima ideia.... - falou Shiron. Sua barriga havia roncado audivelmente quando a palavra almoço fora mencionada
Os três shinobis se despediram e foram embora. O sanin parecia embaraçado, então o mais novo perguntou:
- Aconteceu alguma coisa, Orochimaru-sama? - perguntou com o semblante preocupado
- Pela manhã não sabíamos, Kabuto e eu, que iríamos começar a trabalhar hoje... Não preparamos nenhuma comida... E não tenho dinheiro.... - falou, preocupado
- Ah, isso... Posso dividir meu almoço com o senhor. Acho que será suficiente Minha esposa sempre exagera. Diz que estou muito magro...
- Mas você não ficará com fome? - perguntou o Sanin, esperançoso
- Pode ficar tranquilo. Há suficiente para dois. Ainda mais porque, quando como muito, ativa os meus "genes de Shikamaru" e fico com preguiça à tarde toda... - falou rindo - Mas por favor, nunca repita o que eu falei. Se ele souber, vai me dar um sermão. E isso vai ser um saco!
Orochimaru riu e afirmou que guardaria segredo. Foram para dentro da casa e, após esquentar a refeição modesta, porém farta, ambos comeram satisfatoriamente. Estavam papeando na varanda, quando chegaram uns dez shinobis do Clã Mitsashi, carregando vários pergaminhos grandes, quase do tamanho de uma pessoa. Logo executaram o jutsu e foram com eles até o laboratório sob a casa de Orochimaru e Kabuto. Após organizarem tudo, foram à Torre Hokage.
Shiron falou primeiro, fazendo um relatório do que havia sido feito no dia. Kakashi agradeceu e pediu que fizesse um relatório escrito diário sobre o dia e tudo o que fosse feito no laboratório daí em diante. Depois, pediu que o deixasse sozinho com Orochimaru.
- Orochimaru, sente-se por favor - pediu, sentando-se à sua mesa - Sabe que precisa conquistar a confiança de todos, inclusive minha. Então é imprescindível que cumpra à risca todas as regras que te dei. E vou te dar mais uma: - olhou-o nos olhos ambarinos e prosseguiu - Não conduza nenhum experimento sem a presença de Shiron. É desconfortável te pedir isso, mas por enquanto, será necessário.
- Sim, eu compreendo, Hokage-sama. E quero muito ter a sua confiança. Prometo que farei tudo conforme as regras - falou humilde - Mais uma vez agradeço a sua bondade.
- Agradeça ao Naruto. Se não fosse ele, você não estaria aqui - falou Kakashi na sua voz monótona e comum. Depois abriu uma gaveta sob a mesa e entregou um envelope ao Sannin - Aqui está algum dinheiro para eventualidades. Será descontado do seu salário mensal. Pode ir agora.
- Obrigado, Hokage-sama! - curvou-se em uma reverência e saiu.
Estava feliz. No seu interior, brigava com os resquícios do seu orgulho. Ele queria ver seu amado feliz, como estava agora. Sua vida de crimes havia acabado. Quando esteve na prisão, tivera bastante tempo para refletir, enquanto observava seu amado dormir ao seu lado. Nunca mais queria vê-lo daquela forma. E faria tudo o que estivesse para isso. Era a sua única certeza!
E aí, Pessoinhas???
Vocês estão bem?
Espero que estejam gostando....
Beijinhos de Cereja e até a próxima!
💋💋💋
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Incompreendido
FanficOrochimaru sempre foi visto como vilão. E de muitas formas ele era mesmo. Porém tinha mais. Os sentimentos que ele nunca deixou transparecer. Se não gosta do Orochimaru, não leia. EU AMO! 💗 Os personagens dessa história pertencem ao Lindo do Kish...
