6- Revelações

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~Malévola

Dias haviam se passado, e agora Aurora estava de volta ao reino, brincando com as fadas. Lanço o meu olhar para o chão, e logo após isso eu começo a andar, sendo acompanhada rapidamente pela praga.

—Toda fada madrinha tem asas?— Ela pergunta, extremamente curiosa.

Respirando fundo, eu respondo: —A maioria.

—Por que você não?— Ela parecia mais curiosa ainda, e então eu volto o meu olhar para o chão, pensando, por um breve momento, no que o Stefan fez comigo. —As outras fadas voam.— Ela complementa.

—Eu já tive asas, mas foram roubadas de mim.— Olho para ela, e sua expressão fica mais intrigada. —É só o que eu tenho a dizer sobre isso.

—De que cor eram?— Aurora pergunta, sem jeito. —Eram grandes?— Um sorriso surge em seu rosto.

Por um momento eu fico calada, me lembrando de como elas eram, me lembrando de quando eu podia voar por aí livremente.

—Tão grandes que quando caminhava arrastava no chão— Sorrio levemente, encarando os olhos dela. —Eram muito fortes. Podiam me levar muito além das nuvens, e através dos ventos.— Faço uma leve pausa, antes de complementar minha fala. —Elas nunca falharam. Nem sequer uma vez. Podia confiar.

Aurora agora, estava com uma expressão séria perante a mim. Lentamente, a sua mão toca o meu braço, me fazendo olhar para o seu toque. Com um aperto no peito eu volto a andar, deixando-a para trás.

~Riley

Sento no sofá, que agora eu poderia chamar de meu. Eu havia me mudado ontem, e quando eu contei para a minha mãe que deixaria sua casa, ela praticamente surtou. Disse que eu devia ter contado antes a ela, disse que não era justo, disse até que eu era nova para isso. A minha mãe não é ruim, mas ela passa dos limites. Ninguém aguenta, ninguém mesmo. Nem meu pai aguentou, na época.

Eu me lembro como se fosse ontem. Quando eu tinha seis anos, os meus pais tiveram uma discussão extremamente pesada, meu pai chegava a ficar vermelho de tanta raiva. Então, não aguentando nem mais um segundo convivendo com a minha mãe, ele partiu. Se despediu de mim, com seus olhos marejados. Até hoje eu não sei onde ele está, nem sei se ainda é vivo. Vez ou outra eu me pegava pensando nisso. Principalmente, quando era uma criança.

A sensação de morar sozinha era, ao mesmo tempo que libertador, também era angustiante.  Talvez seja pelo silêncio que fica, principalmente aqui no bairro. 

Eu não tinha muito o que fazer hoje, então pensei seriamente em caminhar por aí mais tarde, quando o sol abaixasse. Talvez eu iria para onde eu sempre fui durante os meus anos, ou talvez me encontraria com alguma amiga minha. Eu não sei, tenho que pensar mais no que eu vou escolher -Embora Malévola tenha deixado claro que não me queria mais lá-.

~Malévola

Aurora, extremamente curiosa, tocava no bico de um dos seres que haviam ali no local. Eu não aguentava mais olhar para ela e sentir o meu peito doer. Suspirando, eu o chamo.

—Aurora?— Ela me olha, então eu complemento o que ia dizer. —Vem cá!

Segurando em seu vestido, ela caminha em minha direção, curiosa.

—Sente.

Após ela se sentar, e a encaro, sentindo uma vontade imensa de chorar.

—Tenho uma coisa para te contar.— A minha voz saiu mais fina do que deveria.

—O que foi?— Ela pergunta, nervosa.

Reunindo todas as minhas forças restantes, eu abro a minha boca. —Existe um mal nesse mundo. E eu não posso proteger você.

I See YouHistórias para pegar e não largar. Descubra agora