Estava frio, cai na água lamacenta. O impacto tirou o ar dos meus pulmões, me debati para voltar à superfície. Tentei abrir os olhos, mas só via uma escuridão densa e opressora. Não sabia onde estava, nem para que lado ir. O frio era cortante na minha pele e nos meus ossos, como se eu estivesse mergulhada em gelo.
Percebi um cheiro nauseabundo, que invadiu minhas narinas e boca. Era um misto de podridão, mofo e algo mais, algo que eu não conseguia identificar, mas que me causava repulsa e medo. Senti uma onda de pânico e desespero tomando conta do meu ser. Queria gritar, mas sabia que ninguém iria me escutar. Me senti sozinha, perdida e sem esperança. Me perguntei se iria morrer ali, atolada em lama, esquecida naquele pântano infernal.
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Resolvi andar o mais silenciosamente possível, mas parece que cada passo que eu dou, desencadeia inúmeros barulhos que recocheteiam por todos os lugares. Para onde eu deveria ir? Caminhar em linha reta? Virar para direita ou para esquerda, onde eu estava exatamente?
As respostas que eu tinha não me agradavam. Eu estava perdida, eu estava sozinha e provavelmente eu já estava morta.
Mas algo surgiu no horizonte, um pequeno ponto branco de luz. Será que aquilo era o que chamavam de "fim do túnel"? Eu já tinha morrido e nem ao menos percebi?
Andei na direção do ponto branco, era a única coisa que eu enxergava desde a hora em que tudo se fechou ao meu redor. Foi difícil caminhar, raízes podres e lama debaixo dos meus pés me atolava e a água um pouco acima do meu joelho me deixava mais lenta, meus braços estavam esticados para frente, às vezes eu tocava em coisas que não parecia galhos ou folhas, às vezes em coisas que se mexiam.
A maioria daquelas coisas desapareciam, outras se enroscavam em mim, eu sentia que tinha algo nos meus cabelos, algum bicho estava no meu ombro esquerdo, e o que eu julgava ser uma cobra estava vagando pelo meu corpo. Eu tentava controlar minhas respirações, eu queria gritar, mas se eu assustasse aqueles animais eles iriam me morder, e era o fim da minha jornada. Então me mantive em silêncio, dando passos cuidados.
À medida que eu me aproximava do ponto de luz, as coisas pareciam se clarear, os animais se escondiam nas minhas costas, e quando eu já estava perto demais, enxergando a maioria das coisas ao meu redor, eles fugiram para o interior do pântano.
Era isso, eu tinha atravessado o pântano já estava fora dele e nem ao menos encontrei o que eu queria?
Não
Eu não estava em terras Ametistas e muito menos estavam nas terras Lazulis novamente, eu estava em um outro lugar, agora tudo era claro, eu conseguia ver o céu, as árvores e uma figura.
No meio de toda aquelas árvores estranhas, mas bem verdes e vivas, existiam ruínas, como um castelo abandonado e debaixo de um arco de pedras, estava uma figura, um ser com uma roupa longa e um capuz, ele olhava para mim e eu não sabia se deveria me aproximar, então continue parada e esperei que ele fizesse o primeiro movimento.
Aquele ser retirou o seu capuz negro e revelou que ele era uma caveira ambulante, senti meu corpo estremecer, era horrível, só tinha pele e osso, um rosto esquelético e esbranquiçado, e olhos... não tinha olhos. Ele começou a andar na minha direção e eu tive vontade de voltar para o pântano.
- Se não é a filha de Âncora.- A voz daquela criatura era desgastada, rouca e a ácida.- Seu papai não está aqui.
- Eu não vim atrás dele.- Fiquei irritada, a minha voz saiu trêmula.
- Então o que a princesinha dos céus está fazendo na Terra dos mortos?
- Eu vim procurar o Senhor dos Mortos, preciso pedir um favor.- Ele estava parado na minha frente e eu não sentia nada a não ser calafrios.
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Sem Classe
FantasyExiste um mundo dividido por Classes, e se você nasce com uma Classe ruim é impossível mudar essa realidade, você está preso em sua Classe até morrer, e seus filhos também estão condenados ao mesmo destino que o seu, quase sempre. Depois que...