Olhos de Criança

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E assim que eu terminei de falar, uma nuvem de flechas veio na nossa direção, mas a barreira estava lá para nos proteger daquelas milhares de flechas. As flechas não nos atingiram, mas a barreira se desfez, eu senti ela se desfazer.

       – LIHABRÜ !- Eu gritei o mais alto que podia, para que todos entendessem o motivo daquela luta.

Aquela era a língua antiga, que Nunzio proibiu a todos falarem, pois ele queria que todas as pessoas do mundo falassem a mesma língua.

Antes da guerra muitas pessoas falavam línguas diferentes, mas todas tinham uma língua em comum, todas as crianças tinham que aprender a sua língua e a língua comum, Nunzio que era um obsidiana, proibiu que todos falassem qualquer outra língua diferente da dele, mas, por mais que ele fizesse isso, a língua comum queimava dentro de todos nós, e por meio das nossas orações a  Âncora, aquela língua nos era revelada, mas se você quisesse sobreviver, era melhor esconder esse fato.

Os soldados começaram a correr, de ambos os lados para se encontrarem e lutar. Os mais corajosos se colocavam na frente, aqueles que não tinham medo de morrer e que tinham plena certeza no que acreditavam. Os selvagens iam atrás, não por medo, mas por pura estratégia, eles eram mais altos e mais fortes, por isso ficaram atrás. As flechas não param de vir, tanto do nosso lado quanto do lado inimigo e eu não deixei nenhuma flecha acertar o meu exército.

As sereias estavam esperando o momento para entrar em ação, elas iriam entrar no campo de batalha depois que muitos humanos morressem, e aquilo não demoraria, o exército de Nunzio era muito maior e praticamente engoliu metade do meu exército em poucos minutos, mas eu tinha os Selvagens, e nenhum Selvagem tinha morrido ainda, eu lançava vento, para que os inimigos perdessem o equilíbrio, mas Nunzio impedia os meus ataques, assim como eu impedia os ataques dele, meus olhos estavam fissurados nele e em Levi que estava atravessando toda extensão do campo atrás de só uma pessoa, Roger, e quando Roger percebeu que ele era alvo de Levitã pulou do cavalo e com muita coragem foi ao encontro de sua morte, era óbvio, um Obsidiana e Cobre, era óbvio o desfecho daquele confronto, tão óbvio quanto a cor azul do céu.

As espadas se encontraram e o olhar deles estavam fixos um no outro, diferente dos outros guerreiros que não poderiam se dar ao luxo de focar em um só inimigo, tinham que sempre estar atentos para revidar de todos os lados possíveis. Mas Levitã e Roger não precisavam desse tipo de preocupação, ninguém iria interferir na luta deles. Aquilo não era apenas uma luta, era um acerto de contas.

Tinha algo de diferente no Roger, eu sentia algo de diferente nele, tinha algo a mais, eu podia sentir que algo estava dentro dele, e aquilo se confirmou quando Levitã jogou seu poder sobre ele.

Levitã jogou fogo, mas o fogo que Levi lançou não fez efeito, Roger na verdade revidou com um grande jato de vento, o que levou as chamas Levitã para longe, eu estava ainda mais perplexa do que o próprio Levi que por alguns segundos paralisou, como um Cobre tinha o poder do vento, eu observava de longe enquanto tentava prestar atenção no resto da batalha, as sereias tinham entrado em ação, muitos homens já tinham morrido, o centro daquele grande campo parecia um rio de sangue.

Rochas eram lançadas sobre nosso exército e os bradoküs derretiam todas elas, as sereias cantavam e todos os homens que estavam em um raio de 6 metros soltavam as armas e corriam na direção delas hipnotizados, os bradoküs esmagaram os homens e abriram caminho.

Muitos corpos. Muito sangue. Muita guerra.

Meus olhos observaram o comandante do exército, parecia que ele foi criado para matar, segurando a espada com as duas mãos, ele com força e destreza cortou a cabeça de um inimigo como se fosse queijo, a cabeça rolou no chão e o corpo despencou, e o comandante continuou andando sem abalo. E foi quando eu vi as vísceras de um homem escapando pela barriga que entendi a brutalidade que a humanidade pode alcançar. Nunca vi tantos órgãos na minha vida, nunca vi tanto sangue, nunca vi tantas cabeças rolando no chão como se fossem bolas de gude.

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