Ajuda do mar

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Os Selvagens já não podiam mais ficar na ilha, era muito perigoso, se Nunzio soubesse que nem todos eles foram mortos com certeza ele voltaria, e o Selvagens já não tinha mais forças e nem poder suficiente para continuar com feitiço de camuflagem.

Eu poderia criar muito bem uma ilha, mas a divisória que deixaria a ilha imperceptível... acho que não sou capaz de fazer tal coisa, então a única solução foi que os Selvagens iriam para o castelo conosco e eu os enfeitiçaria, eles ficariam do tamanho de um humano e teriam marcas falsas de Obsidianas, era a única opção, eles iriam se infiltrar como uma nova remessa de empregados.

O plano parecia razoável, mas mesmo assim muito arriscado, qualquer coisa podia dar errado, eu poderia não conseguir sustentar o poder por muito tempo, mas eu tinha que sustentar pelo menos enquanto eles estivessem à vista, eu tinha que tentar.

Foi necessário algumas viagens de Vurexs para que todos os selvagens estivessem a bordo, prontos para adentrar em terras Obsidianas. Não foi difícil de torná-los pequenos e muito menos em criar marcas falsas, eu tive que desejar bastante e focar na coisa mais falsa que eu já vi em toda minha vida, foquei em Frederick foi simples, se eu quero criar algo bom penso em algo que me traz paz, se quero destruir algo é só pensar na coisa ou pessoa que eu tenho mais raiva.

A magia funciona assim, o poder se ativa desse jeito, ele é ativado a partir dos meus sentimentos, mas a Líder me garantiu que com o tempo, eu não precisarei mais pensar tanto.

A viagem foi tranquila e a chegada ao Castelo também, ninguém desconfiou de nada, eu estava conseguindo sustentar o poder muito bem, até porque a fonte de falsidade de Frederick é infinita. Então ao final do dia recebemos o convite para o grande baile de Nunzio, que aconteceria em duas semanas.

Semana que vem, iremos viajar até as profundezas oceânicas para procurar em cavernas subaquáticas as sereias e tentar convencê-las a nos ajudar, temos apenas uma chance, os Selvagens tinham que vir conosco para mostrar que a natureza precisa que essa guerra ocorra.


O clima estava perfeito para continuar deitada, mas eu não podia, tinha que viajar. Eu nunca fui muito de sair de casa, sempre ficava com muita raiva quando me mandavam sair para comprar qualquer coisa. Eu odiava ficar longe do meu quarto. E agora nesses poucos meses eu já perdi a conta de quantas vezes eu viajei.

Estávamos agora de frente para o mar, nós não pegaríamos nenhum barco, nos encontrávamos o mais longe possível para que ninguém visse o que estávamos prestes a fazer. O mar estava tranquilo, mas em compensação estava muito frio, o vento era cortante e a ideia de voltar para casa e esquecer toda essa história martelava em minha mente, mas já era tarde demais para desistir. O baú estava conosco recheado com aquelas algas rosas. Eu peguei uma alga do baú, tomei a iniciativa, ninguém parecia querer comer primeiro.

Coloquei aquele enorme pedaço de alga em minha boca, quase vomitei, não tinha um gosto bom, parecia que eu estava comendo pequenos peixes crus junto com capim! Mesmo tendo um gosto ruim eu engoli tudo. Depois de comer eu senti o ar pesado, começou a ser difícil de respirar, tão difícil que eu já estava ficando desesperada, eu puxava o ar mais ele não preenchia os meus pulmões, então me joguei na água. Só então eu consegui respirar, a alga tinha funcionado.

Agora, além de poder respirar debaixo d'água, eu tinha guelras no meu pescoço, eu sentia elas abrirem e fecharem, era estranho... Muito estranho. Então quando eu finalmente me acostumei com as sensações estranhas, eu voltei para superfície, mas por algum motivo, eu não estava conseguindo falar, apenas assinei, e todos pegaram uma alga e comeram.

Minutos depois estavam todos embaixo da água ninguém conseguia abrir a boca, era impossível falar, na verdade nos comunicamos através de sons, de acordo com as vibrações e durações se formava palavras, não era o nosso idioma, mas conseguimos entender perfeitamente o que cada um queria dizer.

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