Capítulo 14

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Capítulo catorze:

Observando pela fresta Anita vê o jovem retornar para o quarto dessa vez fechando a porta, fazendo-a respirar um pouco mais aliviada, porém só estaria totalmente tranquila quando estivessem fora daquela casa, tentando traçar o mais rápido possível um plano em sua mente - não que fosse tão difícil seguir a ideia de que estava passando mal, só precisaria que Verônica concordasse com ela sem questionar - encarando-se uma última vez no espelho a loira passa as mãos pelo rosto respirando fundo antes de girar a maçaneta, varrendo os olhos rapidamente pelas fotos nas paredes do corredor antes de descer as escadas de forma temerosa, Berlinger assume a postura mais convincente possível, atraindo imediatamente a atenção de Torres que a encara preocupada.

–– O que foi meu anjo? –– Verônica tomba a cabeça para o lado analisando a loira.

–– Aquele mal estar que eu tinha te falado piorou!

–– Tá sentido o que minha filha?

–– Um enjoo, tontura, deve ser do calor, desde pequena não posso ficar muito tempo no sol. –– Anita se aproxima sentando ao lado da escrivã.

–– Pode ser, também poderia ser sintomas de gravidez mas essa a gente descarta de cara, –– a senhora ri fracamente fazendo a respiração da delegada travar e seu coração disparar –– mas já que está se sentindo mal é melhor irem para casa, outro dia vocês voltam meninas e Helô cuida direitinho dela! –– Sorriu para ambas de forma sincera, não havia mentido quando afirmou ter gostado delas, entretanto havia algo em Agatha que lhe era extremamente familiar, o rosto, alguns trejeitos, mas não se lembrava com clareza de onde.

–– Muito obrigada pela recepção dona Célia! –– Torres se abaixa para abraçar a senhora.

–– Voltem sempre meninas! –– Anita apenas sorri segurando a mão de Verônica entrelaçando seus dedos, a senhora então se levanta apoiando na mesa, guiando as duas até o portão –– vão com Deus minhas filhas! –– As duas mulheres sorriem abertamente enquanto se afastam da casa.

–– Ué, elas já estão indo? –– A mulher se assusta, colocando a mão no peito.

–– Não chega desse jeito menino! –– Repreendeu –– Agatha começou a passar mal e elas acharam melhor voltarem para casa.

–– Hum...

–– Inclusive não pense que eu não reparei você todo se engraçando pra Helô, não gostei e é melhor parar, aliás nem começado deveria, ela é casada e é perceptível que é completamente apaixonada pela esposa, não estrague algo bonito por um capricho sem noção da sua parte, estamos entendidos? –– O homem revira os olhos derrotado, seguindo para a parte interior da casa a passos firmes, Célia o observa por cima do ombro suspirando e balançando a cabeça em negação, não sabia em que momento seu menino se perdeu.

Distanciando-se cada vez mais da residência o único som que se mantinha era das próprias respirações, em dado momento Anita havia acelerado os passos, causando um grande estranhamento em Verônica que permanecia em silêncio apenas observando, a delegada parecia presa em seus próprios pensamentos e Torres não se sentia no direito de perguntá-la nesse momento, vez ou outra desviava o olhar a loira, estava preocupada, sentia seu coração se apertar a cada passo que dava em direção a casa, o sonho que teve ainda rondava seus pensamentos fazendo-a ficar em alerta, talvez se pudesse ficaria deitada abraçada a Anita o dia todo, entretanto a realidade sempre as puxava de volta. O barulho da porta se fechando atrás de si é o que a tira de seus pensamentos, observando Berlinger ainda em silêncio, Verônica se aproxima devagar segurando o rosto da mesma para que a olhe.

–– O que aconteceu, meu bem? –– Berlinger apenas respira com força –– O que foi, hein? –– Torres acaricia a bochecha da mesma, incentivando-a.

Maybe there are colors in my lifeOnde histórias criam vida. Descubra agora