Capítulo 3

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Capítulo três:

–– Como é que ela tá viva Glória? Eu conferi a pulsação dela duas vezes, não tinha nada.

–– Aparentemente, você não sabe fazer seu trabalho direito, escrivã. Eu tinha pulsação, mas você não conseguiu pegar.

–– Glória você poderia me explicar o que caralhos está acontecendo?

–– Quando você saiu e foi embora o Gustavo que deveria levar ela pro IML foi conferir a pulsação dela de novo e conseguiu perceber que tinha, fraca, mas tinha e ao invés de levar ela pra lá ele foi pra uma casa escondida que a gente tem, depois que eu te deixei ir embora e fui pra casa ele me ligou me avisando sobre isso e arrumamos um jeito de trazer ela pra esse hospital. Inclusive delegada, acredito que um muito obrigada seria de bom tom.

–– Então escrivã Verônica, conseguiu achar algo de útil naqueles papéis que eu tinha em casa? –– Anita preferiu ignorar aquele pedido da delegada, nunca que iria agradecer, elas precisavam dela e vice versa. Não tinha o que agradecer, até teria se elas tivessem chegado no momento em que... a loira respira fundo, só a menção ao que ocorreu fazia seu sangue gelar.

–– Até que sim, inclusive Glória eu tenho que te contar o que eu consegui achar no Maranhão, podemos ir lá fora um minuto?

–– Espera um segundinho ai, eu quase morri tentando ajudar a investigação mixuruca de vocês e vou ficar de fora das descobertazinhas que ela fez? Francamente vocês já foram mais cordiais.

–– Nunca pensei que iria dizer isso, –– Glória suspirou massageando as têmporas derrotada –– mas ela tá certa Verônica, a Anita pode saber de algo que complemente as coisas que você descobriu.

–– Você pode repetir isso só mais uma vez Glória, pra ver se essa escrivã entende. –– Anita sorri cinicamente ao ver Verônica lhe erguer o dedo do meio e sussurrar um 'vai a merda'.

–– Vocês duas tem quantos anos por um acaso, cinco? Da pra pararem de agir como duas adolescentes e sim como adultas, ou vai ser difícil?

–– Desculpa –– as duas sussurram em uníssono.

–– Vamos lá, o que você descobriu?

Nas próximas meia hora Glória e Anita permaneceram em silêncio, só se atrevendo a falar para complementar alguma informação extra ou fazerem alguma pergunta.

–– Eu já ouvi uma história parecida com essa, não exatamente assim, mas o Matias falava de um irmão que levou uma surra e acabou com o braço quebrado e que ele orou para que parasse de doer e que curasse, lembro de ter escutado essa história uma vez. Mas, não faz muito sentido, a não ser que os três não sejam irmãos de sangue e sim tenham passado a se chamarem de irmãos no tempo em que ficaram juntos no orfanato.

–– Tem mais alguma coisa sobre o orfanato? Eu tinha falado com sua mãe naquele dia em que você me ligou e ela disse que você tinha ido pro orfanato Cosme e Damião.

–– Essa mulher não é e nunca foi minha mãe e eu não tenho nada pra dizer sobre aquele lugar.

–– Sério Anita? Você cresceu naquele lugar e não tem nada pra dizer sobre?

–– Eu não vou falar nada escrivã, vou ter que repetir de novo ou será que tenho que desenhar pra ver se você entende?

Antes que Verônica pudesse rebater a fala da delegada, um dos agentes de Glória entra no quarto com o celular na mão.

–– Delegada, um dos nossos que tá no Rio de Janeiro nos contatou pra avisar da abertura de uma sede do Casa dos Santos em uma área nos arredores do Cristo Redentor. Aparentemente eles revitalizaram um antigo casarão abandonado e vão abrir daqui a um mês, se tudo ocorrer como o esperado.

Maybe there are colors in my lifeHistórias para pegar e não largar. Descubra agora