DEZEMBRO DE 2003
Audrey estava sentada no refeitório enquanto comia um pedaço de bolo de aniversário que uma das enfermeiras havia feito para comemorar. Ela lia a revista médica daquele mês quando foi interrompida por Nathan que colocou o livro que tinha pego emprestado encima da mesa.
- Foi realmente uma leitura muito interessante. - Sentou-se ao lado da moça que olhava-o assustada - Heatheliff e Catherine me lembraram de seus pais.
- Eu disse que amores assim existiam. - Pegou o livro e abriu na primeira página vendo a dedicatória - É o meu livro, estava procurando ele a meses e estava com você!
- Estava. Eu peguei emprestado. - Sorriu cruzando os braços - Mas eu ainda não consigo acreditar que alguém possa amar tanto alguém dessa maneira.
- O que aconteceu para não acreditar no amor? Seus pais são divorciados? - Olhou-o pegar um pedaço de seu bolo - Além de roubar meu livro está roubando meu bolo.
- Eu não roubei seu livro, já até te devolvi! - Deu mais uma garfada no pedaço do bolo que estava delicioso - Não, meus pais não são divorciados.
- Então você já foi casado e o casamento não deu certo. - Afastou o bolo dele - Vai acabar com o meu bolo!
- Não. - Era exatamente aquilo.
- Então o que aconteceu para não acreditar no amor? - Vendo-o puxar o prato para perto dele novamente - Nathan!
- Não aconteceu coisa alguma, apenas não acredito. - Deu de ombros pegando mais um pedaço - Quem sabe algum dia eu possa me apaixonar arrebatadoramente por alguma mulher e acredite no amor do jeito que seus pais tem. Esse bolo está uma delícia.
Apesar de não acreditar muito no amor ou em qualquer tipo de romance queria Audrey somente para ele.
- Vai passar o natal onde? - Nate perguntou vendo-a comer a última garfada que sobrou do bolo.
- Em casa, vou para Pasadena e volto para passar o ano novo aqui. - Olhou-o - E você?
- Vou passar o natal trabalhando já que não vou para casa no feriado. - Cruzou os braços - Vai viajar quando?
- Amanhã, dia vinte e três.
- Quer passar lá em casa hoje à noite para se despedir de mim? - Perguntou aproximando-se com um sorriso no rosto, mas foi afastado por Audrey que ria - O que foi?
- Nada. - Disse rindo colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha - Passo na sua casa as oito, pode ser?
- Tudo bem, querida. - Beijou-a na bochecha enquanto se levantava - Você é a melhor.
- Eu sou. - Mandou um beijo antes dele virar de costas.
Olhando para o prato vazio, Audrey mexia nas migalhas que sobraram com os dentes do garfo. Pensava sobre Nate, pensava sobre como em um mês haviam se encontrado tantas vezes e como arrepiava ao senti-lo tão perto, quando suas mãos percorriam seu corpo todas as noites que dormiam juntos. Pensava principalmente na forma delirante a qual ele a fazia ficar na cama e como a fazia sentir-se única.
- Merda. - Sussurrou jogando o garfinho no prato.
Odiava pensar que estava apaixonada pelo homem que não acredita no amor.
***
Audrey pegou sua mala na esteira e caminhou até a porta automática que quando abriu revelou seus pais de braços abertos a esperando. Faziam anos que ela não passava o natal em Pasadena, estava ansiosa para ver os amigos o qual só conversava por e-mails.
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Só Podia Ser Você
RomansaSinopse: Audrey Robinson Young sempre sonhou em ser médica, irmã mais nova de uma família amorosa que mora ao sul da Califórnia, em Pasadena. Sentia que sempre esteve destinada a cuidar de crianças, completamente diferente da irmã gêmea, Nancy, que...
