Se tem uma coisa que Sina não suporta, é barulho. Ela sempre adorou a monotonia em sua vida, toda sua rotina sempre foi resumida a: trabalho, estudo e silêncio, m-u-i-t-o silêncio. Ela só não esperava que, com a chegada de uma nova garota a casa ao...
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O dia de contar a verdade chegou. Desde que cheguei em Londres tenho adiado o máximo que pude, não queria brigar com meus pais, não queria ter que passar por isso em uma fase tão incrível da minha vida, mas não tenho opções, meus pais não me dão opções sobre tudo isso. Eu quero ser uma pessoa normal com direito de escolhas sobre a própria vida, até porque eu já tenho trinta anos, e se agora não tiver domínio sobre isto, nunca terei. Minha cabeça não entra em ordem desde que o avião posou em Londres, acontece que tenho lidado com as coisas que não gostaria de lidar. Há muitas coisas acontecendo ao meu redor, mas a pior de todas é ter que escutar as pessoas cochichando sobre a Heyoon por acharem que foi ela quem realmente roubou a empresa enquanto estava aqui. Os policiais não acabaram com a investigação porque eu não permiti, e embora meus pais tenham ficado extremamente irritados com essa decisão, foi o melhor jeito que encontrei para acabar com essa confusão de uma vez por todas. Heyoon não merece passar por essas acusações sem culpa sendo que o verdadeiro culpado ainda está por aí.
Meus pais estão sentados na mesa de jantar de casa, e os convidei e disse que tinha algo a contar pra eles, mas eles nem imaginam o que estão prestes a escutar. Sei que minha mãe será a primeira a ter um surto absurdo, e é exatamente por isso que fiz o jantar na minha casa, assim não corro o risco de ser colocada na rua após ela escutar o que tenho a dizer. Quero primeiramente explicar tudo, dizer que sim, a investigação continua acontecendo porque sei que não foi a Heyoon que roubou a empresa e só depois contar a eles que estou namorando com ela. Sei que eles vão reagir mal, já é de se esperar, mas preciso contar a eles ou vou explodir com tanta informação na minha cabeça.
Sabina me contou que Heyoon tem tido pesadelo todos os dias, e pensar que isso é culpa dos meus pais me deixa muito triste, porque algo que deveria ser leve se tornou super pesado. Eu queria que eles tivessem uma boa relação com ela, queria que fossem gentis, atenciosos... mas sei que nunca vai acontecer por eles serem absurdamente estúpidos em relação a sentimentos humanos. Ele não se importam comigo de verdade, caso contrário me deixariam livre para ficar com quem eu quero e não me forçariam a escolher homens só pelo simples fato de serem homens.
Fiquei super magoada quando hoje de manhã a Sabina me mandou mensagem dizendo que encontrou a Heyoon toda encolhida no colo da Joalin e com o rosto todo borrado das lágrimas que derramou a noite passada. Ela estava chorando, por isso não respondeu minhas mensagens ou atendeu qualquer uma de minhas ligações. Me sinto culpada, sim muito cupada. Eu queria estar lá e dizer a ela que tudo vai ficar bem e que não importa o que meus pais ou qualquer outra pessoa pense sobre nosso relacionamento, apenas nós mesmas.
─ Está tudo uma delícia, filha - meu pai esfrega o paninho de cetim no canto dos lábios, limpando os farelos da torta que restaram em seu rosto.
Eu mal toquei na comida, não estou com fome, meu estômago embrulhado de tanta ansiedade que estou sentindo. Eu não aguento mais me sentir assim amedrontada por algo que não estou fazendo errado, simplesmente porque meus pais acreditam que não seja certo e querem que eu siga o mesmo caminho que eles.