Capítulo Vinte e Nove: Um Homem Livre

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QUANDO TÊMIS ACORDOU NO DIA SEGUINTE, Harry dormia serenamente debaixo dela, ainda a abraçando como se a garota fosse um urso de pelúcia. Demorou um pouco para que ela se acostumasse com os raios de sol que começavam a tentar invadir as janelas do Salão Comunal, mas assim que seus olhos não se incomodaram tanto com a luz, Têmis tentou se desvencilhar do aperto que Harry fazia em sua cintura, com seus braços rodeando-a.

Na terceira tentativa, Harry acordou ainda muito desnorteado, e sua primeira reação foi tatear o braço do sofá em busca de seus óculos redondos. Assim que os braços dele não estavam mais prendendo a garota, ela se levantou e se espreguiçou, erguendo os braços e fechando os olhos com força.

– Que horas são, Mis? – perguntou Harry, se sentando no estofado, coçando os olhos por debaixo do óculos.

– Acabou de amanhecer... – respondeu Têmis, ajeitando sua saia e soltando alguns botões de sua blusa. – Vá pro seu dormitório, vou ver como está papai.

Harry nem sequer contestou, levantou-se do sofá, deu um selinho na testa de Têmis e sumiu escadaria à cima. Ela fez o caminho inverso, passou pelo retrato da Mulher Gorda e rumou até a saída do castelo, rumo à Floresta Proibida. Talvez ela tenha mentido para Harry, mas isso era só um mero detalhe.

A mata densa era muito convidativa, ela nunca se queixaria da sensação que entrar naquela floresta úmida. Uma brisa suave passava dentre as árvores dali, fazendo seus cabelos castanhos claros e ondulados — que já estavam batendo perto de sua cintura — voarem para trás, juntamente com as folhas e os galhos dos pinheiros, sobreiros e oliveiras, refrescando o rosto bronzeado e sardento da garota.

Numa distância considerável do castelo, Têmis sentiu que ali era o lugar perfeito para poder se soltar, liberar todo o seu cansaço e seu monstro interior. Desse modo, ela apenas parou, fechou os olhos e sentiu aquela criatura feroz tomar conta de si. No lugar da garota magricela de um metro e sessenta, surgiu ali um belíssimo dragão branco, de pelo menos dois metros e meio de altura, com uma cauda gigantesca e fina. As suas asas eram como as de um morcego, a cabeça era espinhosa e suas patas eram monstruosas.

Exausta, a criatura se deitou na grama úmida, e se remexeu ali, como um cachorro ou alguém tentando fazer "anjos" enquanto está deitado na neve. Abriu sua boca com seus dentes afiados e brancos como a neve e pareceu rir, gozar de tamanha liberdade, mas depois, pareceu ter sido terrivelmente atingido por uma grande pancada de sono, e não pode resistir. O dragão branco se endireitou despreocupado, se enrolou e descansou a cabeça sobre a própria pata, e ali, dormiu como uma pedra.

Sabia que teria que voltar ao castelo mais tarde, mas naquele momento, o dragão e a sua humana interior buscavam refúgio, descanso e paz.

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Têmis retornou à Hogwarts naquela tarde, andando tranquilamente até o Salão Comunal da Grifinória, ignorando as pessoas correndo, conversando e vivendo ao seu redor. No banheiro do dormitório, ela trancou a porta e tratou logo de se despir por completo e entrar para dentro do box, aonde ligou o chuveiro e deixou a cascata de água fria cair sob seus ombros tensos cheios de sardas. Ela deve ter lavado o corpo com o sabonete em barra que tinha ali pelo menos umas 4 vezes, pois ainda sentia o sangue seco impregnado na sua pele, mas quando achou o suficiente, lavou seus cabelos macios com o xampu e o condicionador com cheiro de chocolate que ela tinha ganho de aniversário de Theodore Nott e enfim saiu do cômodo para se trocar no dormitório.

MONSTER, harry potter.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora