- Você agora virou uma vagabunda Juliette. Isso é a pior derrota na vida de um pai. Vê você se tornar uma puta desse daí. - Valfredo disse essas palavras e todos ouviram em choque, mas Rodolffo não ouviu calado.
- O senhor seja homem e respeite a sua filha. Eu não permito que nenhum homem na fase da terra fale assim da minha mulher.
- Ah não?! E você vai fazer o quê para me impedir de chamar essa daí de put4?
Rodolffo ficou furioso e num ato impensado deferiu um soco no rosto de Valfredo.
- Machista do caralho. - ele disse assim que viu o sogro no chão.
Mas Valfredo reagiu rápido e logo estavam em luta corporal agressiva. Wagner até tentou intervir, mas apanhou sem merecer e a polícia foi acionada.
O quê seria um fim de semana em família, tornou-se um caso complicado. Rodolffo ficou bastante machucado, mas Valfredo ficou mais e por causa disso teve que ir ao hospital.
Juliette estava triste e mesmo que o pai não tivesse prestado queixa contra Rodolffo a cena do homem que ela ama batendo no pai, não lhe saia da mente. Aquilo lhe trouxe um desapontamento que ela não queria nutrir, mas era impossível.
Rodolffo estava sem condições de fazer o retorno a Belo Horizonte, mas Juliette sabia que era inviável que os dois ficassem na casa da família. Diante disso, ela conseguiu uma noite no hotel de Ouro Preto.
- Fala alguma coisa Juliette. Você só me olha e seus olhos só me julgam.
- Não era para terminar assim.
- A culpa é toda do seu pai. Aquele velho falso moralista do caralh0. - ele disse com raiva.
- Rodolffo não fale assim.
- Você é puta da família na boca dele. Mas o encostado do seu irmão pode fazer o quê quiser e com bem quiser que não é xingado. A sua irmã deixa os filhos literalmente destruírem a casa, mas ninguém diz nada. Por que só condenam a você?
- Não fale assim da minha família...
- Sua mãe me pareceu uma mulher muito descente, mas extremamente sofredora, deve viver coagida por aquele psicopata vestido de pastor.
- Não fale assim do meu pai... Eu não permito que você use essas palavras.
- Quando eu for dizer verdades não vou pedir permissão a ninguém. Se quer casar comigo saiba que eu sou assim e digo mais, enquanto seu pai não nos respeitar, ele está banido da nossa vida.
- Nós estamos de cabeça quente e eu não conhecia esse seu lado violento.
- Para defender quem eu amo sou capaz de tudo e seria fácil falar da boca para fora que me arrependo de ter batido nele, mas não há arrependimento quanto a isso, muito pelo contrário, ele mereceu cada soco que levou.
Juliette ficou em silêncio e foi olhar o céu. Naquela noite não haviam estrelas, só nuvens que traziam a escuridão.
Um tempo depois Rodolffo aproximou-se dela e percebeu que ela chorava.
- Não era para ser assim. - ele disse tentando abraçá-la, mas foi recusado. - Meu amô...
- Não mesmo. - ela disse o olhando fixamente e continuou. - Não vamos mais casar no dia 2 de março.
Rodolffo baixou a cabeça e sentiu os olhos arderem.
- Nós não estamos prontos.
- Eu estou. Fale por você.
- Não temos nem dois meses de relacionamento. Estamos movidos pela paixão e pelo desejo como dois adolescentes. E amanhã quando o encanto passar?
- Não é isso para mim. Eu já tive paixões e sei bem como são Juliette. Entre nós há amor.
- Sim, há amor. Mas amor só não se basta. Não tem como eu casar com você e simplesmente isolar a minha família. Eles tem defeitos, mas eu os amo desde sempre.
- Um dos muitos conselhos da Bíblia, que vocês tanto estudam, diz que o homem e a mulher devem unir-se, sendo para isso necessário que a família original seja deixada para uma nova família ser formada.
- Se um dia eu tiver filhos quero que eles brinquem junto dos primos.
- Seus sobrinhos não são boas influências. Eles são criados muito soltos e desregrados de tudo.
- Infelizmente Rodolffo você não sabe nada de crianças, de criação e nem tão pouco de paternidade. Sua cabeça simplesmente não gravou as memórias com seu próprio pai. A sua vida se resumiu a dona Elza e só.
As palavras de Juliette foram duras demais de serem ouvidas.
- Não tive culpa, eu só era uma criança de 4 anos. E eu agradeço a Deus por ter me deixado a minha mãe, ela foi e continua sendo a minha família. E ninguém é obrigado a saber de tudo, mas eu ainda sei o quê é certo e o quê é errado. Talvez realmente ser pai não seja uma vocação na minha vida, mas eu cogitei de verdade a nossa terceira pessoinha.
Juliette chorou e ele também.
- Nunca vai dá certo Rodolffo. No fundo eu sempre soube disso.
- Não fala assim... - ele segurou o rosto dela com as duas mãos e mesmo chorosos se beijaram.
Juliette saboreou aquele beijo com tamanha intensidade que seu corpo já estava totalmente pronto para um ato de amor.
- Nada supera tudo que temos. Juliette não quero o fim. Eu amo você.
Pouco a pouco ela foi se afastando e Rodolffo chorou mais quando ela retirou a aliança do dedo.
- Eu também te amo e nunca vou te esquecer, mas essa é a minha decisão.
- Eu não vou atrás de você se terminar comigo dessa forma. Não te dei motivos para isso Juliette.
- Você será feliz com alguém que esteja mais a sua altura do que eu.
Rodolffo ficou olhando para Juliette e não disse mais nada. Acabou por sair do quarto e saiu para a rua com destino ignorado.
...
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A dança da nossa vida
FanfictionUma coincidência do destino, fazem duas pessoas conhecerem o amor.
