capítulo 33

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Algumas semanas depois

MARIA VITÓRIA FERREIRA

Hoje é o grande dia, eu estava saindo da construtora para ir até o hospital fazer a tão esperada ultrassom para saber o sexo do meu bebê, e enfim começar comprar o enxoval.

Como era algo muito especial para Abel também, eu aceitei a companhia dele, afinal eu não queria o privar de viver esses momentos felizes também.

Enquanto saia pelo corredor, Mathias me alcança, e anda comigo.

— Vai ver o que é o bebê? — Ele sorri ao perguntar.

— Sim, tomara que dê tudo certo dessa vez, porque das últimas ele sempre estava com as perninhas cruzadas.

Ele ri balançando a cabeça.

— O que você gostaria que fosse?

— Nunca parei pra pensar, sabe, o que Deus quiser que seja eu vou ficar muito feliz.

— É verdade. Mas eu acho que é menina.

— Por que? — o olho curioso.

— Porque você tem jeito de ser mãe de menina.

— Como assim?

— Você é delicada, tem uma voz doce... Sei lá, só acho que combina mais com menina.

Ele fala dando de ombros enquanto alcançava uns papéis para nossa recepcionista.

— Entendi... Eu acho. — Falo coçando a nuca.

— Queria poder ir com você, mas já vi que você tem companhia.

Ele fala olhando para a porta principal, e eu acompanho, vendo Abel parado com os braços cruzados nos observando.

— Abel? — eu falo me aproximando dele. — Não te esperava aqui.

— Eu vim buscar você para a gente ir junto.

— Não precisava, eu tô com meu carro aqui.

— Eu só achei que fosse legal a gente ir conversando sobre o nosso filho, a gente não conversou nada sobre isso até agora. — ele fala levantando os ombros, e eu respiro fundo.

— Você tem razão, a gente não conversou nada sobre isso.

— Então vamos? — ele fala abrindo aquele sorriso que só ele tem fazendo meu coração disparar.  — Se não a gente vai chegar atrasado.

— Claro... Vamos.

Abel e eu andamos lado a lado pela rua até o carro dele.
E como de costume ele abre a porta para eu entrar, me fazendo sorrir com esse pequeno gesto.

A gente foi em silêncio no começo do percurso. Eu olhava pela janela tentando evitar que meu olhar voltasse a ele, enquanto ele dirigia atencioso.

— Tá ansioso pra ver o bebê? — eu falo tentando deixar o clima mais tranquilo.

— Nossa, nem fale. — ele fala pondo uma mão no peito. — Eu não esperava passar por isso de novo, mas eu estou muito feliz.

— Ah Abel, você é novo, não fale como se tivesse sei lá uns 60 anos.

Ele ri, e eu enfim o olho sentindo aquela corrente elétrica pelo corpo todo.

— Você tem preferência pro sexo? — eu questiono e o vejo pensativo.

— Não sei... Eu acho que seria legal ser pai de menino, nunca tive essa experiência. Mas sinceramente, Mavi, isso é o que menos importa.

Ele fala sorrindo, e eu sorrio também, era tão bom a gente estar se entendendo bem, me dava uma paz que há muito tempo eu não sentia.

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