Um grande susto

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Estava tomando meu café da manhã havia esperado a Tia Roselin terminar de comer para eu poder desser, tio Hopper tinha saído para trabalhar. O dia estava até bom menos pelo fato de aquele vestindo medonho aperta todos os meus pulmões.

Passei boa parte da tarde sozinha no quarto, mantendo-me ocupada como podia. Fiz questão de ajeitar meu cabelo de diferentes formas, escolhendo as joias mais chamativas, aquelas que refletiam o brilho da minha verdadeira essência. Mesmo que tentassem me moldar ao que queriam, eu me recusava a ser outra pessoa que não eu mesma. O vestido simples podia cobrir meu corpo, mas meu espírito continuava forte, colorido e vaidoso como sempre.

Quando me cansei das joias e do espelho, sentei-me junto à janela, pensando na minha casa. A Índia, com sua riqueza de cores e sons, parecia tão distante. Mas, ao mesmo tempo, a imagem de meus pais surgia tão clara na minha mente que quase podia sentir o cheiro do incenso e ouvir as vozes suaves deles. Pensei em como, apesar de tudo, eles sempre me apoiaram, mesmo nas minhas ambições mais ousadas. Com um sorriso, imaginei como seria estar de volta, sentada à mesa com eles, contando minhas histórias com doçura e segurança, sabendo que, independentemente de onde eu estivesse, sempre teria um lugar ao qual pertencer. Logo, logo estarei em casa com meus pais suspirei, mas me perguntava porque eles cismaram que eu devia vim pra cá.

O dia em si passou num sopro, estava tentando cortar a carne do jantar em quanto tio Hopper comia um monte de vegetal, e a tia Roselin colocava a jarra em cima da mesa - Olha postura. Eu olho para ela com o rosto mas sério que consegui fazer e ela faz o mesmo ajeito a postura e digo
- Satisfeita!
- Olha os modos garota, ela retruca casando a mão no vestido verde musgo que usava. Eu repito abaixo a mesma coisa que ela disse,
- Não seja infantil. Tia Roselin diz com raiva
- Não seja uma velha chata. Eu falo irritada, - Do que você me chamou sua dismiolada.

Nós começamos a discutir como dragões arreando fogo para todos os lados da cozinha, eu já tinha ficado quieta por tempo o suficiente pra saber que ficar calada não era uma opção

O jantar estava longe de ser uma refeição tranquila. Tia Roselin e eu continuávamos em um confronto acalorado, nossas vozes ecoando pela cozinha. O tio Hopper, que havia tentado nos separar com olhares discretos e palavras suaves, finalmente levantou-se da mesa, seu rosto vermelho de frustração e estresse.

- Chega! - tentou dizer ele, colocando a mão sobre o coração, visivelmente angustiado.

Mas antes que pudesse terminar a palavra, seu rosto se contorceu em dor e ele desmaiou. O prato que ele estava segurando caiu ao chão, fazendo um estrondo. A cozinha, que estava cheia de tensão, agora estava em completo pânico.

- Meu Deus, que merda! - exclamei, correndo para perto dele, meu coração batendo acelerado. - A culpa foi minha!

Tia Roselin ficou paralisada, seus olhos arregalados e sua expressão de choque se misturando com o medo. Ela não conseguia encontrar as palavras, enquanto a tensão e a confusão tomavam conta de seu rosto.

- Temos que chamar um médico! - gritei, minha voz cheia de desespero enquanto me abaixava ao lado de tio Hopper. A sensação de culpa era esmagadora, e as lágrimas começavam a escorregar pelo meu rosto.

Sem saber o que fazer, Tia Roselin finalmente se moveu, correndo para fora da cozinha em busca de ajuda. O caos na cozinha era palpável, e eu tentava manter a calma enquanto o médico era chamado. Alguns dos empregados ajudaram a subir ele para o quarto e eu não sai do lado dele nenhum momento, os olhos deles abriam lentamente tia Roselin parecia mas calma quando ele falou novamente. Eu fala caindo lágrimas gordas dos meus olhos.
- Tio me desculpa.
- Tudo bem filha, a culpa não é sua.

A porta do quarto se a tia Roselin se levanta limpando o rosto molhado - Sr.Lian

Quando o médico entrou no quarto, eu fiquei paralisada, o olhar fixo no homem que agora se apresentava como profissional. Minha mente girava tentando processar o que estava acontecendo. Não podia acreditar no que via. Era ele, o mesmo que havia derrubado minhas malas no primeiro dia, o famoso "quebrador de relógio" que trabalhava na ferrovia e no correio.

- Você... você é um médico? - minha voz saiu em um tom incrédulo, mais como uma afirmação do que uma pergunta, enquanto eu o encarava com uma expressão de choque e descrença.

Lian me olhou com um leve levantar de sobrancelhas também surpreso por me ver ali. Mas seu olhar era frio e distante, como se estivesse acostumado a ser o centro de surpresas e desconfortos.

- Sim, sou eu - respondeu ele, com uma calma quase desdenhosa, enquanto se dirigia para o lado de tio Hopper, começando sua avaliação. Eu saí de perto da cama para da espaço para ele.

Eu o observava , sem conseguir afastar a sensação de que tudo isso era um pesadelo. O mesmo homem que eu tinha conhecido em circunstâncias tão banais agora estava em uma posição de autoridade e habilidade que eu nunca teria imaginado.

Tia Roselin e eu esperávamos nervosas na porta do quarto para qualquer notícias que tinham que ser boas! Lian o médico ou quebrador de relógio, eu já não sei mais minha mente estava uma confusão.
- Sr.Lian como ele está.
- Não se preocupem ele está bem. Ele responde a tia Roselin tentando deixá-la o mas calma possível, ele continua e diz
- Ele estar descansando agora é melhor não acordarem ele o Sr.Clark precisa de repouso absoluto.
Eu suspiro num alívio pelo menos ele está bem digo tentando não olhar para ele - Que bom que ele está bem.

Tia Roselin diz - Isso mesmo o mais importante é isso. Ela continua - Sr.Lian espere aqui irei pegar o seu dinheiro um minuto.
- Não é necessário Sr.Roselin.
- Mas é claro que é, Aruna faça companhia ao Sr.Lian até eu voltar... só um momento.

Quando tia Roselin sai, a sala fica em silêncio acho que não sabiamos o que dizer um para o outro. O silêncio parecia esmagador até eu dizer - Então você também é médico. Ele logo diz
- Então é aqui que você se esconde.

A provocação em suas palavras atiçou a irritação de Aruna, que respondeu de forma áspera:

- Eu não me escondo.

Lian, notando a tensão na resposta dela, acrescentou:

- Você poderia pelo menos agradecer, mas acho que é excêntrica demais para dizer obrigada.

O orgulho de Aruna se manifestava em seu rosto, mas no fundo, ela sabia que não podia ignorar o que Lian havia feito. Ele tinha ajudado seu tio, e isso merecia reconhecimento, mesmo que ela tentasse disfarçar. Ela respirou fundo, lutando para manter a fachada de indiferença, mas com uma sinceridade que não podia ser ocultada:

- Obrigada.

Lian sorriu, um sorriso que misturava alívio e um toque de reconhecimento.

- De nada.

O clima entre eles começou a suavizar, mas a tensão persistia, agora temperada com um novo nível de respeito e uma compreensão mútua, apesar das diferenças e do orgulho que ainda os separava.

Tia Roselin aparece com um mini bolo de dinheiro nas mãos, tia Roselin diz - Aqui está... É o suficiente?
- É mas do que isso, disse Lian.- Bem eu tenho que ir, tia Roselin se despedi dele. Por uma parte momentânea ele olha pra mim e fala:
- Boa noite Srt.Clark.
- Não posso dizer o mesmo pra você.
- Aruna. Tia Roselin fala olhando por trás de Lian.

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