Na manhã seguinte, ainda estava sentindo o peso da noite anterior. A casa, que um dia havia sido um refúgio, agora parecia cheia de fantasmas do passado. Eu me vestia devagar, perdida nos meus próprios pensamentos, quando ouvi batidas suaves na porta. Meu coração acelerou ao ver o tio Hopper ali.
— Aruna, posso entrar? — ele perguntou, com a voz um pouco hesitante, os olhos carregando um peso que eu não reconhecia nele.
Fiz um gesto com a cabeça e ele entrou, fechando a porta atrás de si.
— Aruna... — ele começou, mas sua voz falhou por um momento. — Eu... me desculpo por tudo o que falei ontem. Eu nunca quis... nunca quis te magoar daquele jeito. Eu só... eu estava nervoso e disse coisas que não devia.
Eu suspirei, sentindo as emoções borbulharem de novo. — Eu também... Falei coisas que não deveria, fui dura com você, com tudo. Mas é que... você sabe, está tudo tão difícil e confuso. Não é justo comigo. Não é justo com ninguém.
Ele veio até mim, estendendo a mão para tocar meu ombro, e, sem pensar duas vezes, eu o abracei. E naquele abraço, senti o peso de todas as nossas palavras não ditas. Nós dois começamos a chorar, sem vergonha, sem reservas. Parecíamos duas crianças perdidas tentando encontrar o caminho de volta para casa.
— Desculpa, Aruna. Eu só queria proteger você, mas eu... — ele sussurrou, enquanto seus braços me apertavam com força. — Não sou bom nisso. Nunca fui.
Eu balancei a cabeça, ainda abraçada a ele. — Eu sei, tio. Eu sei que tudo que você faz é para me proteger. Mas eu não sou mais uma garotinha, e precisamos conversar. De verdade.
Ele se afastou um pouco, limpando as lágrimas. E então algo no seu olhar mudou. Uma sombra passou por seus olhos, algo que eu não conseguia decifrar.
— Já que estou aqui... — ele começou, sua voz um pouco mais séria. — Não posso esconder mais nada. Aruna, tem algo que você precisa saber.
Franzi a testa, sem entender. — O que está acontecendo, tio? Você está me assustando.
Ele respirou fundo, como se estivesse lutando contra as palavras. — Josh está na cidade.
Meu coração congelou por um instante. Josh... Meu primo Josh? Aquele Josh? — O primo Josh? — perguntei, tentando entender o que ele estava querendo dizer.
Ele assentiu devagar. — Sim, o primo Josh. Ele chegou ontem.
Naquele momento, várias memórias começaram a inundar minha mente. Josh era o primo por parte de mãe. Ele era mais velho, uns dez anos mais velho que eu, e, quando éramos pequenos, minha mãe cuidava dele como se fosse um filho. Crescemos como irmãos. Éramos inseparáveis, compartilhávamos segredos, ríamos das piadas um do outro, éramos quase como um reflexo um do outro. Ele sempre foi aquele que me defendia, que me protegia, mesmo quando eu não precisava. Éramos "quase irmãos", como minha mãe costumava dizer. Mas aí ele cresceu e meu pai mandou ele para Amsterdam para cuidar e administrar as terras de lá na Alemanha. E depois disso nunca mais o vi
— Que bom que ele está aqui! — exclamei, sentindo uma pontada de esperança. — Ele veio me ver?
Mas o olhar do tio Hopper continuava sombrio, o que fez meu estômago afundar. Algo estava errado. Muito errado.
— Na verdade, isso não é uma coisa boa, Aruna. — Ele disse lentamente, como se estivesse escolhendo cuidadosamente cada palavra.
Meus olhos se estreitaram, e uma sensação de inquietação começou a crescer dentro de mim. — Como assim? O Josh e eu somos praticamente irmãos. O que poderia estar errado?
— Aruna, — ele respirou fundo novamente. — Ele veio até a cidade por outro motivo. Ele... ele quer a herança que seus pais deixaram para você.
— O quê? — Minha voz saiu mais alta do que eu pretendia. Dei um passo para trás, tentando processar o que ele acabara de dizer. — Isso não faz sentido. O Josh... ele nunca faria isso. Nós éramos tão próximos, ele não se importava com essas coisas!
Tio Hopper me olhou com um misto de tristeza e frustração. — Eu sei que isso é difícil de acreditar. Mas ele mudou, Aruna. E agora, ele está aqui por causa do dinheiro. Ele quer o que é seu.
Eu ri, mas era um riso vazio, incrédulo. — Não, isso não pode ser verdade. Não pode. Josh sempre foi tão protetor comigo... Ele nunca faria algo assim. Ele me amava. Ele... ele sempre foi meu amigo, meu irmão...
Mas conforme as palavras saíam da minha boca, eu percebi que estava tentando convencer a mim mesma. O olhar sério do tio Hopper e as lembranças do passado começaram a colidir dentro de mim, formando uma confusão que eu não conseguia decifrar. Eu queria acreditar que tudo aquilo era um mal-entendido, que Josh nunca me machucaria daquele jeito. Mas a realidade estava diante de mim, como uma muralha que eu não podia ignorar.
— Eu... eu preciso falar com ele. — Minha voz saiu trêmula, mas decidida. — Preciso ouvir isso da boca dele.
— Eu sei que quer, mas... — Tio Hopper hesitou, parecendo querer me proteger de mais uma decepção. — Não sei se é uma boa ideia agora.
Olhei diretamente nos olhos dele, sentindo minha raiva e frustração crescendo. — Não vou fugir disso. Josh sempre foi parte da minha vida. E se ele realmente veio aqui com essas intenções... eu preciso ouvir isso dele.
Meu peito estava apertado. Eu me sentia traída antes mesmo de ter todas as respostas. Como ele pôde? O Josh, que eu conhecia, nunca faria isso. Mas, ao mesmo tempo, quem era o Josh de agora? Ele havia mudado? Eu estava prestes a descobrir, e essa ideia me aterrorizava.
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Curiosidades do Livro
Nosso segredo
Primo Josh como vocês mesmo leram ele é sobrinho da mãe da Aruna o pai dele morreu quando ele era pequeno então a Mãe de Aruna a Addie ficou cuidando dele. Como ele é muito mais velho que Aruna ele cuidava de algumas terras do pai dela em Amsterdam. Já que os Clark tem terras em vários lugares do mundo.
Os pais de Aruna sim de fato foram assassinados mais cuidado o assassino está mais perto que vocês imaginam.
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Nosso Segredo
RomanceAruna é uma jovem indiana de 19 anos que vai passar um tempo na casa dos tios dela no Canadá ela sofre muito preconceito por causa de suas roupas e seu jeito de ser ela odiava aquele lugar e queria voltar o mais rápido possível para casa . O que e...
