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Glenda Madison

O jatinho particular cortava as nuvens com suavidade enquanto eu observava, pela janela, a vastidão azul do céu. O silêncio entre nós era confortável, embora eu sentisse o peso invisível de algo que não sabia nomear.

Marcus lia alguns papéis em seu laptop, concentrado, a mandíbula tensa. Às vezes, eu me pegava encarando-o, tentando decifrar o homem que agora chamava de marido. Era estranho... tudo em nossa união parecia acontecer depressa demais. Meu coração ainda lutava para acompanhar.

Aterrissamos na Toscana pouco depois do pôr do sol. A luz dourada beijava as colinas verdes e o ar trazia um aroma adocicado de vinhedos e terra molhada. Eu suspirei, encantada.

— Bem-vinda à Itália, minha esposa — Marcus murmurou, com um sorriso de canto.

Ele entrelaçou seus dedos aos meus, e aquela simples conexão aqueceu minha pele. Havia algo em Marcus... algo que era impossível ignorar.

O carro preto, de vidros escurecidos, já nos aguardava. Um motorista de terno preto abriu a porta com uma reverência discreta. Entramos, e eu deslizei para o banco de trás, surpresa ao perceber que Marcus nunca desgrudava de mim, como se minha presença precisasse ser protegida.

Olhei pela janela do carro e percebi a movimentação ao redor da pista. Homens de terno preto, com fones de ouvido discretos e olhares atentos, vigiavam cada canto do local como se esperassem uma emboscada. Um deles chegou a encarar diretamente o veículo, como se calculasse riscos invisíveis.

Se eu não soubesse que Marcus era apenas um promotor — um homem da lei — teria pensado que estávamos escoltando um chefe de Estado. O nível de segurança era excessivo, quase sufocante. Aquilo me deixou inquieta.

Me virei para ele, prestes a perguntar, mas Marcus foi mais rápido. Sem tirar os olhos da paisagem à frente, murmurou com naturalidade:

— Não se preocupe. É necessário ter segurança.

— Por quê? Por acaso você é da máfia? — perguntei, em tom de brincadeira, rindo baixinho. Claro que não era. A ideia parecia absurda... até eu olhar para ele.

O sorriso sumiu dos meus lábios.

Marcus permanecia em silêncio, o maxilar tenso, os olhos fixos adiante, como se minha pergunta não tivesse graça alguma.

O silêncio dele me cortou. Engoli em seco.

— Desculpa — murmurei, sentindo o clima pesar. — Eu só estava brincando...

Ele então virou o rosto para mim, devagar, e disse em voz baixa, sem desviar o olhar:

— Eu sei. Você não estaria rindo se soubesse que eu realmente sou da máfia.

Meu corpo congelou por um instante. Tentei rir, mas o som morreu na garganta.

Antes que eu pudesse reagir, o carro começou a se mover. A estrada de pedras se abria diante de nós, ladeada por ciprestes altos e campos dourados pela luz do entardecer. A paisagem era linda, quase mágica.

E, por alguns minutos, me deixei distrair por ela, empurrando para o fundo da mente a estranha sensação que crescia dentro de mim.

A estrada sinuosa nos levou até uma vila cercada de muros altos e portões de ferro ornamentado. Quando eles se abriram, minha respiração travou.

Era como entrar em outro mundo.

A propriedade era majestosa, com jardins meticulosamente cuidados, fontes de mármore e uma mansão de arquitetura renascentista no topo da colina. Era beleza e poder esculpidos em pedra e tradição. Uma obra de arte viva.

Grávida do Mafioso Onde histórias criam vida. Descubra agora