Glenda Rinaldi
O aroma de pão fresco e café invadiu o quarto antes mesmo que meus olhos se abrissem por completo. Uma batida suave na porta, seguida pelo ranger das dobradiças, me tirou do torpor gostoso do sono.
— Bom dia, senhora Rinaldi — disse a voz doce da empregada de cabelos grisalhos e coque impecável. Ela carregava uma bandeja de prata com frutas, croissants, ovos mexidos e uma xícara fumegante.
— O senhor Rinaldi pediu que eu trouxesse o seu café.
Sentei-me devagar, puxando o lençol até o colo. O sol ainda filtrava pelas cortinas pesadas, pintando o quarto com tons dourados. A cama ao meu lado estava vazia e fria, Marcus já havia saído. Como sempre.
— Obrigada! Qual o seu nome?
— Meu nome é Alegra.
— Então Alegra, pode me chamar de Glenda, não precisa tanta formalidade.
— Mas a senhora é a esposa do chefe, não posso trata-lá apenas pelo primeiro nome, não é apropriado.
— Deixa disso, eu autorizo, não tem problema.
— Mesmo assim, Senhora, eu prefiro seguir a formalidade hierárquica.
Ela deixou a bandeja na mesinha ao lado da cama, sorriu e saiu em silêncio. Sozinha, peguei a xícara de café, tentando afastar os pensamentos sobre a noite anterior e falhando miseravelmente.
Foi quando o celular vibrou na cômoda. Um número conhecido. Meu coração acelerou. Lívia.
— Alô?
— Glenda! Finalmente você atendeu! — a voz animada da minha irmã explodiu do outro lado da linha. — Está viva pelo menos?
— Viva... e casada com um mafioso — resmunguei, levando a xícara de café até os lábios.
— Ai, meu Deus... — ela soltou uma risadinha nervosa. — Então você recuperou a memória?
— Recuperei, sim. E estou furiosa com você. Por que não me contou nada? Nem ao menos me alertou?
— Eu tentei... algumas vezes. Mas você sabe... o Marcus...
Ela pigarreou, como quem procura as palavras certas. Mas eu já adivinhava o que viria, então me adiantei:
— Ele te ameaçou, não foi?
— Eu não tive escolha, Glenda — confessou em voz baixa. — Estamos falando de Marcus Rinaldi. Ele é perigoso... você sabe disso. Eu estava com medo. Medo de colocar você em risco... Fiz o que achei que era melhor na hora. Do meu jeito torto, eu tentei te proteger.
Suspirei, sentindo a mistura de mágoa e frustração pesar no peito.
— E sobre a minha alergia? Você sabia o tempo todo...
— O quê? Vocês... vocês dormiram juntos?
— Que pergunta é essa, Lívia? — retruquei, indignada. — É claro que sim. Eu me casei com ele achando que estava apaixonada.
O silêncio que veio do outro lado da linha foi mais incômodo do que qualquer palavra.
— Glenda, eu... eu sinto muito. Juro que achei que ele não forçaria nada... Achei que esperaria você recuperar suas lembranças antes de... — sua voz sumiu.
— Então você é muito ingênua — cortei, amarga. — Ele não só não esperou, como se aproveitou da minha perda de memória para fazer o que bem entendeu comigo. Eu lembrei de tudo... no pior momento possível.
Engoli em seco, incapaz de continuar. Algumas lembranças ainda doíam demais para serem verbalizadas, até mesmo para minha irmã.
Do outro lado, o som da respiração contida de Lívia era o único ruído.
Balancei a cabeça e continuei, com a voz mais firme:
— Não quero mais falar sobre isso. O que passou, passou. Se há um culpado aqui, é o Marcus. E só ele.
— Mas... você teve reação? Alguma crise? Precisou ir ao hospital? E o bebê?
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Grávida do Mafioso
RomanceGlenda Madison era uma mulher independente que não acreditava em relacionamentos, porém tinha uma vontade de ter um filho. Ao fazer uma inseminação artificial, ela jamais imaginou que em pouco tempo, um homem alto, lindo, poderoso, bateria em sua po...
