Marcus Rinaldi
Fechei a porta atrás de mim, sentindo a ausência dela bater como um eco no peito.
O toque do beijo em sua testa ainda estava nos meus lábios, mas não tive tempo para sentimentos — não quando o cartel ameaçava o equilíbrio frágil que mantínhamos há meses.
Dante me esperava no fim do corredor com a expressão dura de sempre, mas havia algo diferente em seus olhos. Alerta. Tensão. Guerra iminente.
— O que houve? — perguntei, já em Inglês.
— Um dos nossos informantes confirmou. O cartel mexicano está em movimento. Estão tentando se infiltrar pela fronteira sul da Sicília com apoio de uma célula russa. Disseram que vão tomar o que é nosso naquela área — ele respondeu, firme, direto, como sempre.
Minha mandíbula se travou. Respirei fundo, tentando manter o sangue frio.
— Maldição! Logo isso agora que estou em lua de mel.
— Acredito que seja por esse fato que eles estão se movimentando.
— Eles estão blefando. Sabem que não vão sair vivos se cruzarem um dos nossos territórios.
— Ameaça ou não, Don, o nome Rinaldi está sendo sussurrado demais por aí. Há quem diga que o chefe está... distraído.
Eu parei.
Distraído.
A palavra me atingiu com força.
Era isso. Eles sentiam meu foco mudar. Glenda. A gravidez. O casamento. A paz temporária... tudo isso me tornava vulnerável. E no mundo que herdei, vulnerabilidade era convite para morte. Eu já passei por isso e sem bem como é. Só que dessa vez, estou muito preparado, para qualquer eventualidade.
— Então eles não me conhecem como pensam. Distraído? Eu?
Distraído é o homem que morre primeiro. E eu ainda estou vivo. Casado, sim. Com uma esposa linda me esperando e um herdeiro crescendo no ventre dela.
E é justamente por eles que eu vou ser mais implacável do que jamais fui.
Se alguém acha que vai me pegar de surpresa de novo... vai morrer antes mesmo de entender onde errou.
— Qual o próximo passo?
— Marque uma reunião com os conselheiros. Quero todos amanhã ao amanhecer — ordenei. — Vamos mostrar que os Rinaldi ainda governam com punho de ferro.
— Sim, senhor.
Mas mesmo quando Dante se afastou para cumprir as ordens, minha mente voltou para Glenda. Para a forma como ela me olhou quando saí. Confusa. Insegura.
Eu conhecia aquele olhar — e o que ele significava.
Ela estava começando a desconfiar. A lembrar.
Passei a mão pelo rosto e caminhei até meu escritório. As paredes eram forradas de madeira escura, repletas de história e segredos que os homens da minha família colecionavam há séculos como troféus e maldições.
Sentei-me na poltrona atrás da grande mesa e olhei para a lareira acesa.
A imagem de Glenda no nosso quarto ainda estava fresca em minha mente. A forma como seu corpo reagia ao meu, mesmo sem lembranças, mesmo com a alma cheia de dúvidas. Aquilo era real. Era a única coisa que ainda me mantinha humano.
Eu sei que é apenas uma questão de tempo até ela se lembrar de tudo. E é exatamente por isso que preciso consumar este casamento o quanto antes — selar o vínculo da forma mais definitiva possível. Não quero deixar nenhuma brecha para que a senhorita "independente" encontre um caminho legal para pedir a anulação.
Claro, mesmo que tentasse, não conseguiria. Mas conhecendo Glenda como eu conheço, ela usaria qualquer argumento, qualquer detalhe, qualquer falha mínima... só para escapar de mim.
Ela sempre quis fugir.
Mas há algo que ainda me intriga profundamente nessa história toda.
Desde que perdeu a memória, Glenda se comporta como se... me amasse.
Não apenas uma paixão superficial ou desejo reprimido — amor.
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Grávida do Mafioso
RomanceGlenda Madison era uma mulher independente que não acreditava em relacionamentos, porém tinha uma vontade de ter um filho. Ao fazer uma inseminação artificial, ela jamais imaginou que em pouco tempo, um homem alto, lindo, poderoso, bateria em sua po...
