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Glenda Rinaldi

O ar ao meu redor parecia evaporar.

Minhas pernas ameaçavam ceder. A forma como ele me olhava... como se pudesse ver através da minha alma. Como se cada emoção que eu tentava esconder estivesse ali, nua, pulsando diante dele.

Eu odiava isso.
Odiava como ele me afetava.
Como, mesmo com todas as mentiras, todos os jogos... meu corpo ainda queria se entregar.

Sua mão subiu devagar pela lateral do meu braço, tão leve quanto uma brisa, mas queimando como fogo. Meus pelos se arrepiaram, traidores.
Eu devia empurrá-lo.
Mas ao invés disso... fechei os olhos e tremi.

— Está sentindo isso? — ele sussurrou junto ao meu ouvido. — Seu corpo sabe o que sua mente tenta negar.

Ele me girou com delicadeza, minhas costas colaram ao peito dele, e suas mãos me envolveram como uma armadilha sedosa. Sua boca percorreu o contorno da minha orelha até alcançar meu pescoço, onde depositou um beijo que arrepiou até minha espinha.

Minha respiração se tornou irregular.

— Você ainda pode me odiar se quiser — murmurou. — Pode até pensar em me deixar... mas agora, nesse instante, o seu corpo é honesto. E ele está implorando por mim.

Um gemido fraco escapou dos meus lábios, contra minha vontade.

Eu odiava que ele estivesse certo. Odiava que minha pele o buscasse mesmo quando meu orgulho gritava para resistir.

Então, em meio àquele turbilhão de sensações, pensei numa forma — talvez tola, talvez desesperada — de feri-lo. Se havia uma brecha para atingir Marcus Rinaldi, seria através do seu orgulho.
Meu corpo já o havia traído. Minhas reações, meu desejo, a forma como tremia com cada toque dele... tudo já era dele.
Mas se eu quisesse ter alguma chance de resistir, mesmo que fosse uma mentira, precisava fazer com que ele acreditasse que ainda havia algo que o afastasse de mim.

— Você não se importa de ser casado com uma mulher que... não era mais virgem? — perguntei, com a voz baixa, carregada de falsa indiferença.

Ele parou. Seu corpo enrijeceu. Seus lábios, que antes me exploravam com urgência, cessaram o movimento. E seus olhos — escuros, intensos — se encontraram com os meus, buscando algo.

Senti um leve tremor de triunfo. Ele mordeu a isca.

— Glenda... — ele disse, virando meu rosto para que eu o encarasse. Sua feição não escondia o incômodo. — Você está grávida. É óbvio que eu não esperava uma virgem em minha cama.

— Mesmo assim... — insisti, tentando manter o tom desafiador. — Isso não é um problema pra você? Eu tive uma relação longa com o Jeff. A última vez... foi um deslize. Transamos sem proteção. Foi assim que descobri minha alergia.

Marcus não respondeu de imediato. Em vez disso, seus olhos se tornaram ainda mais sombrios, e seu maxilar travou levemente. Um silêncio tenso se instalou entre nós... até ele sorrir. Um sorriso seco. Perigoso.

— Você ainda tenta me enganar... — disse, com voz baixa, como um aviso. — Mas eu sei que você só teve uma única relação com ele. Foi a sua primeira... e última. Depois disso, nunca mais.

Minha boca se abriu, surpresa.

— Como você pode ter certeza?

Ele ergueu um dedo e o pousou suavemente sobre meus lábios, me fazendo calar com o simples gesto.

— Porque eu mandei investigar — disse ele, sem qualquer vergonha ou hesitação. — Seu dossiê... e o dele... já estão na minha mesa. Eu sei tudo, Glenda. Cada detalhe. Estudei cada linha do seu passado como quem lê um mapa para encontrar um tesouro.

Grávida do Mafioso Onde histórias criam vida. Descubra agora