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Glenda Madison

O quarto parecia o mesmo... mas tudo havia mudado.

O corpo dele ainda estava sobre o meu, quente, pesado, saciado. Seu rosto descansava contra meu pescoço, a respiração irregular se acalmando aos poucos. Marcus acariciava minha cintura com a ponta dos dedos, como se estivesse entorpecido pela entrega que acabara de acontecer.

Mas eu... eu estava congelada.

Minha pele ainda queimava com o toque dele, mas meu peito ardia por outro motivo: a memória. Ela voltou como uma lâmina — afiada, inesperada, cruel.

O corpo lembra. A dor também.

As lembranças vieram como relâmpagos cortando a escuridão. Não suaves, não ordenadas — mas abruptas, cruas, violentas.

Uma sala fria de consultório.
O resultado positivo nas minhas mãos, os dedos tremendo, os olhos marejados: "grávida."

E então... a batida na porta.
Forte. Determinada.

Marcus.

De terno, imponente.
O olhar tempestuoso e a voz firme quando disse: "Esse filho é meu."

O pânico. A confusão.
O mundo girando.

A clínica de fertilização.
O rosto do médico.
A explicação absurda: "Houve um erro. O sêmen implantado pertence a Marcus Rinaldi."

Meu coração quase parou ali.

Ele me dizendo, com os olhos escuros como noite sem lua:
"Você está Grávida do mafioso."

Mafioso.

O pai do meu filho... da máfia.
Eu tentando recusar, fugir, dizer "não".
E ele... me propondo casamento.

Minha loja sendo fechada.
O silêncio de todos à minha volta.
O mundo se estreitando.
O meu quase acidente...

Então, aquilo que eu mais temia veio para rasgar o resto da minha sanidade:

O hospital.
Jeff segurando minha mão.
Os exames.
As dores.
A traição. l
O desespero.

O diagnóstico... Não! Como pude esquecer essa parte importante da minha vida.

O quarto girou.
O calor do orgasmo ainda palpitava em mim, mas agora parecia ácido.
E foi aí que percebi: ele havia gozado dentro de mim.

O pânico foi imediato.

— Não... não... NÃO! — empurrei Marcus com força, o lençol se enrolando no meu corpo, o coração disparado como se estivesse prestes a explodir.

— Glenda? — ele arfou, confuso, ainda sem entender a mudança abrupta.

— Sai de perto de mim! — gritei, ofegante, com a mente em colapso. — Não me toca!

Saltei da cama e corri até o banheiro com o medo me sufocando. Tranquei a porta com um estalo seco e liguei o chuveiro na temperatura mais fria possível. Entrei debaixo d'água com o corpo tremendo, os braços envolvendo meu abdômen.

Meu Deus... eu tive contato direto... e o bebê... o bebê...

A água caía com força sobre minha cabeça, mas não conseguia apagar o terror que me consumia por dentro. Comecei a esfregar a pele, tentando desesperadamente lavar qualquer vestígio dele de dentro de mim. Meu corpo inteiro formigava — não sabia se era psicológico ou o início da reação que tanto temi.

— Glenda! — a voz de Marcus soou do outro lado da porta. — O que está acontecendo? Abre essa porta agora!

A voz dele era uma mistura de desespero e raiva.

Grávida do Mafioso Onde histórias criam vida. Descubra agora