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CHARLIE BUSHNELL

Acabou.

Minha mãe se afasta de mim com 10 segundos contados de abraço. Ela não é do tipo carinhosa, mas me abraçou mesmo assim, não importa se durou pouco. Estou aliviado demais para sequer me importar com alguma coisa boba, como essa.

Me viro para meu pai, e ele me dá um aperto de mão firme e um tapinha nas costas. Meu pai também não é do tipo carinhoso, mas é ainda pior do que minha mãe, e raramente demonstra algo que não seja insatisfação, exigência, tédio, seriedade ou, no caso de agora, satisfação. Ele está satisfeito com o resultado do caso – ele tinha mesmo que estar – sinto que todo mundo está, menos Tess, sua advogada e seus pais, como se já era de esperar.

Queria que Alyssa estivesse aqui também, para poder me abraçar de verdade, como meus pais não fazem. Mas ela está trancafiada em casa, sabe-se Deus fazendo o que lá. Isso é preocupante, mas agora minha mente não tem nem espaço para pensar nisso.

Por enquanto, quero aproveitar aquela sensação libertadora da ansiedade me dando uma folga.

Antes que eu consiga olhar para trás e procurar pela Lia, me perguntando se ela está olhando pra mim também, e sentindo o que estou sentindo, o juíz pede silêncio no tribunal. Ele fala mais algumas coisas, dentre elas as sentenças da Tess – uma indenização caríssima, que provavelmente não vai fazer falta aos pais dela, e a ordem de restrição de 150 caralha de metros por 3 anos, o que significa que Thereza vai ter que mudar de escola. Assim que termina, o juíz libera todo mundo, e em seguida ele desce de sua cadeira de excelência.

     As pessoas presentes no tribunal começam a se levantar para irem embora, finalmente podendo falar mais alto, comentando sobre os fatos dessa manhã. Aconteceu tanta coisa, e ainda não é nem meio-dia.

Vou seguindo meus pais, que carregam arquivos de páginas com provas, e ao mesmo tempo procuro pela Lia. Ela está parada na porta, bem encolhida, deixando as outras pessoas passarem, e com o pescoço esticado para cima. Sorrio quando ela me acha, e ela sorri de volta.

    
Deixo meus pais sozinhos, e passo na frente de algumas pessoas para chegar na Lia. Assim que eu a alcanço, agarro sua cintura com os braços e a abraço, erguendo-a do chão ao mesmo tempo. Lia contém um gritinho, e sorri ainda mais largo para mim, os braços ao redor do meu pescoço.

     — Charlie! — Ela exclama enquanto eu não a ponho no chão, rindo. — Você tá levantando minha saia!

     A ponho no chão antes que alguém veja o que não deveria ver, puxando sua saia sexy um pouco mais para baixo. A mantenho bem pertinho do meu corpo, apenas para beijá-la. Estou elétrico desde que o júri e o juíz declararam Tess culpada de todas as declarações, mas assim que sinto o gostinho dos lábios macios da minha menina, sinto como se estivesse sendo ligado numa tomada de 220 volts. A língua dela encontra a minha numa carícia lenta, ao mesmo ritmo que nossos lábios. Respiro fundo, meus dedos pressionando com força a base de suas costas.

Minha vontade é de agarrá-la aqui mesmo, mas eu não posso. Contra minha vontade, vou soltando os lábios de Lia, fazendo estalo conforme os beijos vão ficando mais curtos. Quando me afasto, meus lábios formigam levemente, sentindo falta dela.

Lia sorri, e passa as mãos no meu rosto.

     — Você realmente é o número um campeão em qualquer lugar. — Lia sussurra — No campo...fora do campo... você ganha sempre.
     — Eu sou um trevo de quatro folhas ambulante, mi amor.


Lia ri baixinho, e depois me dá mais um selinho inocente nos lábios.

     — Você quer comemorar saindo daqui? — Ela pergunta, e me dá a mão para seguirmos para fora do salão do tribunal, finalmente. — Qualquer coisa! Você merece...
     — Hummm...

ALL FOR LOVE - Charlie Bushnell (livro 2)Onde histórias criam vida. Descubra agora