Música de Acompanhamento: "I Can Do It With A Broken Heart" - Taylor Swift
"You know you're good when you can even do it
With a broken heart..."
O clima na mesa havia melhorado consideravelmente. Rosamaria, que no início do almoço parecia tensa e distante, agora soltava risadas mais genuínas, embora ainda discretas. Gigi e Mariana, conscientes da fragilidade daquele encontro, mantinham a conversa fluindo, evitando qualquer assunto que pudesse trazer desconforto.
Sophia também estava diferente. A rigidez em seus ombros havia desaparecido, substituída por uma expressão mais serena. Ela ouvia as amigas falarem sobre as últimas novidades e sorria, como se fosse parte daquele grupo de novo. A cada vez que Gigi ou Mariana falavam diretamente com ela, Sophia respondia com uma tranquilidade que surpreendia até a si mesma.
— E vocês viram o vídeo novo da Dua Lipa? — perguntou Mariana, mexendo no celular, os olhos brilhando. — Sério, acho que ela se superou nesse último, o que vocês acham?
As opiniões foram surgindo, entre risadas e comentários leves. Tudo estava indo bem, até que, em meio à conversa, Sophia pousou o garfo no prato e respirou fundo. Quando começou a falar, sua voz soou hesitante, como se testasse o terreno.
— Eu... eu sei que a gente está tentando manter as coisas leves hoje, mas... eu sinto que preciso falar algo. — Todos os olhares se voltaram para ela, e o riso desapareceu da mesa. — Eu venho pensando muito sobre tudo isso, sobre nós duas, Rosa. E o quanto deixamos de ser amigas por uma situação que fugiu do nosso controle. — Ela fez uma pausa, escolhendo cuidadosamente as palavras. — Eu realmente quero deixar o passado para trás. Quero reconstruir alguma coisa, mesmo que seja apenas respeito.
O silêncio era palpável. Rosamaria, que até então olhava para o prato, ergueu os olhos e fitou Sophia. Havia uma mistura de emoções em seu olhar: surpresa, desconfiança, e talvez um pouco de esperança.
Sophia continuou, sentindo a necessidade de se expor, mesmo que isso a deixasse vulnerável.
— Eu sei que você acha que eu fui a culpada por tudo, mas... — A voz dela tremia um pouco, mas ela prosseguiu. — Nós duas erramos, Rosa. Nós duas nos machucamos. Eu senti falta da minha amiga, da pessoa com quem eu podia contar. E, por mais que eu saiba que você me odeia agora, eu queria que você soubesse que eu também fiquei muito ferida nessa história. Muito.
O peso dessas palavras pairou no ar como uma nuvem carregada. Todas as amigas na mesa permaneceram em silêncio, trocando olhares entre si. Mariana, ao lado de Rosamaria, tocou suavemente sua mão, num gesto de apoio. Gigi, sentada em frente, observava as duas com um olhar ansioso, como se segurasse a respiração, esperando pela resposta.
Rosamaria se endireitou na cadeira. Sentia uma pressão no peito que não sabia bem como aliviar. Aquelas palavras de Sophia, que por tanto tempo ela quis ouvir, finalmente estavam ali. Mas tudo ainda parecia tão confuso, tão doloroso.
— Eu... — começou Rosamaria, a voz baixa. — Eu não sei se consigo lidar com isso agora. — Ela passou a mão pelo cabelo, tentando organizar os pensamentos. — Eu sei que precisamos conversar, que há muitas coisas mal resolvidas. Mas... eu tenho a competição chegando. Eu realmente preciso me concentrar, estar focada. — Seus olhos encontraram os de Sophia, e, por um segundo, pareceram mais suaves. — Mas ao mesmo tempo, sinto que podemos tentar.
Sophia assentiu, um misto de alívio e frustração em seu rosto. Não era exatamente o que ela esperava, mas também não era uma recusa completa.
— Eu entendo, Rosa. E não quero te atrapalhar. Só queria que você soubesse que estou disposta. Quando você estiver pronta, eu estarei aqui.
O silêncio que se seguiu foi quebrado por Mariana, que exclamou com um sorriso aliviado:
— Meu Deus, finalmente! — Ela deu uma risadinha nervosa, tentando aliviar a tensão. — Já é um começo, né? Acho que todas nós podemos concordar que isso já é um grande avanço.
Gigi sorriu, concordando. — Isso mesmo. Uma coisa de cada vez, Rosa. E quando você se sentir pronta, a gente vai estar aqui, torcendo por vocês.
A reação unânime das amigas foi de alívio. Era como se uma corrente de esperança tivesse varrido a mesa. Não importava quanto tempo levaria para que Rosamaria e Sophia resolvessem suas diferenças. O importante era que havia uma possibilidade, um espaço para que tudo fosse reconstruído.
Sophia soltou um suspiro, sentindo um peso sair de seus ombros. Não era um final feliz, mas era um começo. E, às vezes, era disso que se precisava: um pequeno passo para frente, uma ponte de retorno para aquilo que um dia foi destruído.
Enquanto as conversas retomavam o ritmo, com um tom mais leve, Rosamaria olhou discretamente para Sophia. Havia muito a ser dito, muito a ser sentido. Mas, por enquanto, aquilo era o suficiente. Um pequeno alívio. Uma esperança.
Nos últimos anos, Rosamaria havia se tornado uma pessoa fechada, erguendo muros ao redor de si mesma para evitar mais decepções e conflitos. Mas, ao mesmo tempo, estava cansada. Exausta de tantas brigas, de sentir que cada encontro com Sophia terminava em dor e ressentimento. O almoço com as meninas foi uma pausa necessária, um momento de paz que a fez perceber o quanto ansiava por isso.
Rosamaria sempre acreditou que sua dor era única e incompreendida. Ela carregava o peso das suas próprias experiências e, em meio a isso, foi difícil perceber que Sophia também estava sofrendo. No começo, Rosamaria via apenas as próprias feridas e, ao sentir-se machucada, criou uma barreira entre elas. No entanto, com o tempo, ela começou a enxergar os sinais que antes ignorava: os olhares tristes de Sophia, os sorrisos forçados e as ausências repentinas. Foram esses detalhes que a fizeram entender que, de fato, Sophia também tinha suas próprias batalhas.
Quando Rosamaria finalmente se deu conta de que Sophia não era apenas uma espectadora, mas uma combatente na própria guerra interna, já era tarde demais. A distância entre elas havia se tornado um abismo e as palavras que poderiam trazer compreensão e consolo já não tinham mais espaço para serem ditas. Rosamaria sentiu uma pontada de culpa, mas nunca se sentiu capaz de expressar isso. Assim, optou por se afastar, mantendo um silêncio que parecia menos doloroso do que tentar reaproximar-se e, talvez, reviver a mágoa.
Ainda assim, a situação não lhe dava paz. De tempos em tempos, Rosamaria se pegava pensando em tudo que aconteceu, sentindo-se frustrada por não ter percebido antes e, principalmente, por não ter agido de forma diferente. Era uma frustração que não se dirigia apenas a Sophia, mas a toda a situação em si.
Rosamaria se sentiu inesperadamente confiante. O apoio de Gigi e Mariana, com suas palavras de encorajamento e presença constante, a fez acreditar que talvez ainda houvesse uma chance de consertar as coisas com Sophia. Pela primeira vez em muito tempo, ela viu uma luz no fim do túnel, um vislumbre de que poderiam deixar as mágoas no passado e começar do zero.
Gigi e Mariana a lembraram do valor da reconciliação, do quanto é importante lutar por aquilo que se quer. Elas acreditavam que, com paciência e boa vontade, ela e Sophia poderiam reconstruir algo novo e melhor. Esse suporte deu a Rosamaria forças para tentar mais uma vez, mesmo sabendo que seria um caminho longo e cheio de desafios.
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The 1
RomanceRosamaria Montibeller e Sophia Albuquerque foram amigas durante a faculdade, e, ao longo desse período, desenvolveram um forte vínculo afetivo e uma relação amorosa um tanto quanto intensa. No entanto, circunstâncias não esclarecidas levaram ao seu...
