ALL YOU HAD TO DO WAS STAY

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Música de Acompanhamento: "All You Had To Do Was Stay" - Taylor Swift

"Let me remind you
This was what you wanted
You ended it
You were all I wanted..."

Rosamaria, ainda com o uniforme de treino e os cabelos presos, se dirigiu ao endereço que já conhecia bem. Apesar do distanciamento, as redes sociais mantinham Sophia próxima. Ela sabia das conquistas dela, dos projetos que ganhavam espaço na cidade, e dos prédios altos que agora faziam parte do horizonte, graças a ela.

Ao chegar no local, uma construção imponente, Rosamaria parou por um momento, observando o nome da empresa na fachada e as fotos dos projetos finalizados nos outdoors ao redor. Tudo parecia gritar a presença de Sophia. Ela respirou fundo, sentindo uma mistura de orgulho e ansiedade. Afinal, depois de tantos anos, aquele seria o reencontro que ambas evitavam, mas que parecia inevitável.

Ela caminhou em direção à entrada, onde um recepcionista a cumprimentou com um sorriso profissional. — Posso ajudá-la?

— Estou aqui para ver Sophia Albuquerque. — respondeu Rosamaria com a voz firme, mas por dentro, seu coração batia descompassado. O recepcionista fez uma breve ligação e, alguns segundos depois, pediu que ela aguardasse.

Rosamaria olhou ao redor, vendo maquetes de projetos, fotos de edifícios concluídos e, em uma das paredes, uma placa dourada com o nome de Sophia em destaque. "Arquiteta e Diretora de Projetos", leu em voz baixa, um sorriso surgindo em seu rosto. "Você conseguiu mesmo, hein, Sophia?", murmurou para si mesma.

Pouco depois, o som de passos ecoou pelo saguão e lá estava ela, Sophia, com um olhar de surpresa e um sorriso nervoso. — Rosa? — disse, hesitante, como se ainda não acreditasse que era mesmo ela quem estava ali.

— Acho que já passou da hora da gente conversar, não é?

Sophia sentiu a irritação subir assim que avistou Rosamaria na recepção. Claro que ela apareceria sem avisar, ignorando completamente o fato de que ainda estava em pleno horário de trabalho. A jogadora sempre foi assim, pensou, impulsiva e egoísta, agindo como se o mundo girasse ao seu redor.

— Rosa, o que você está fazendo aqui? Eu estou ocupada, tenho reuniões agendadas para o resto do dia. Eu disse para você me encontrar depois do meu horário de trabalho. — O tom dela era ríspido, tentando manter a postura profissional, mas já sentindo o sangue ferver.

— Precisamos conversar, Sophia. Agora. — insistiu Rosamaria, ignorando completamente a reprimenda.

Relutante, Sophia respirou fundo e indicou com um gesto que a seguisse. Subiram em silêncio no elevador, mas Sophia não pôde evitar lançar alguns olhares furtivos na direção de Rosamaria. Aquele uniforme, os cabelos ainda presos como se tivesse acabado de sair do treino... Tantos anos se passaram, e algumas coisas nunca mudavam. Sentiu uma pontada de nostalgia misturada com irritação, e balançou a cabeça, tentando afastar esses pensamentos. Isso não importava agora.

Quando as portas do elevador se abriram, as duas caminharam em silêncio pelo corredor até a sala de Sophia. Assim que a porta se fechou atrás delas, Sophia se virou, pronta para exigir uma explicação. Mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, Rosamaria explodiu.

— Como você pôde fazer isso, Sophia?! Você não tem ideia de como eu me senti quando recebi aquelas mensagens. — as palavras saíam de forma descontrolada, e a raiva que ela vinha acumulando durante todo esse tempo tomou conta. — Mandar mensagens dizendo que eu nunca te dei valor? Que a culpa foi minha? Você quis terminar, você não quis assumir o nosso amor. — Rosamaria gesticulava nervosamente, a voz carregada de dor e ressentimento.

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