A tensão pairava no ar, mesmo depois de escaparmos. Os eventos recentes deixaram uma marca profunda em todos nós. Eu olhava para George, Mel e Thomás enquanto caminhávamos em silêncio pela floresta, tentando encontrar algum lugar seguro para nos reagruparmos. Cada um estava perdido em seus próprios pensamentos, processando as revelações de Luna e o que isso significava para o futuro.
— Precisamos de um plano, — disse George, quebrando o silêncio. — Eles voltarão. Luna voltará.
Mel assentiu, mas ainda parecia abalada.
— Não sei se posso confiar em mais ninguém. Ela estava conosco o tempo todo... nos ajudando. E agora isso? — Sua voz tremia, carregada de frustração. — E meu poder... o que eles querem com a gente?
Thomás, que geralmente era o mais calmo, também parecia perturbado. Ele passou as mãos pelos cabelos, ainda um pouco tonto depois de tudo o que aconteceu.
— Não podemos fugir para sempre. Eles têm recursos, poder e... Luna. Ela sabe tudo sobre nós. Como vamos enfrentá-los?
A verdade era que eu também não sabia. Cada vez que pensava em meu pai sendo parte dessa trama, meu coração apertava. Eu me recusava a acreditar que ele pudesse estar por trás de algo tão sombrio, mas as palavras de Luna continuavam ecoando em minha mente.
Enquanto andávamos, percebi algo à distância. Uma estrutura, velha e desgastada pelo tempo. Era uma casa de campo abandonada, o tipo de lugar que ninguém visitava. Parecia perfeita para nos abrigarmos por um tempo.
— Ali, — apontei. — Vamos descansar ali. Precisamos pensar no que fazer em seguida.
Todos concordaram, e em poucos minutos estávamos dentro da casa, o ar úmido e cheio de poeira. Fechamos as portas e tentamos relaxar o máximo possível, apesar das circunstâncias. Mas a calma durou pouco.
— Rolly... — A voz suave de Thomás me chamou de lado. — Tem uma coisa que precisamos conversar.
Eu olhei para ele, confusa. Mel e George também estavam próximos, olhando para mim com expressões sérias. O que quer que fosse, parecia ser algo importante.
— O que foi? — perguntei, sentindo a tensão aumentar.
George tomou a dianteira, seu rosto decidido.
— Não somos só nós que estamos no meio disso. Você sabe que temos poderes, mas o que você talvez não saiba é que isso não é coincidência. Não somos apenas amigos por acaso, Rolly.
Eu franzi a testa, sem entender.
— O que você está dizendo?
— Todos nós, de alguma forma, fomos reunidos aqui por uma razão, — continuou George. — Antes de você, Luna estava de olho em nós. Estávamos sendo observados, estudados. Ela sabia que você tinha um poder especial, mas ela também sabia que juntos seríamos mais fortes.
Mel interveio, ainda nervosa, mas determinada a falar.
— Quando você chegou, Rolly, as coisas começaram a acontecer. Começamos a entender mais sobre nós mesmos, sobre os nossos poderes. Não sabemos tudo, mas... parece que de alguma forma, estávamos destinados a estar com você. E isso pode ser a chave para vencermos.
O choque percorreu meu corpo. Eu nunca havia considerado que meus amigos também fossem parte de um plano maior. Eles sabiam mais do que haviam revelado antes, e agora isso tudo fazia sentido. A conexão entre nós não era aleatória. Eu não estava sozinha nessa jornada.
— E então... o que fazemos agora? — perguntei, sentindo uma mistura de esperança e medo.
George olhou diretamente nos meus olhos.
— Vamos lutar. Juntos. Mas você precisa liderar, Rolly. Você é o coração disso tudo.
Antes que eu pudesse responder, um barulho alto veio do lado de fora. Nos entreolhamos, alarmados. Algo estava errado. Muito errado.
— Cuidado! — gritou Thomás, mas era tarde demais.
A porta foi arrombada com uma explosão, e vários homens armados invadiram o lugar, seguidos por Luna. Ela estava diferente desta vez, mais fria, mais perigosa.
— Chega de fugir, Rolly, — disse ela, seus olhos brilhando de maneira ameaçadora. — Agora é hora de escolher de que lado você realmente está.
Eu não sabia como responder. Luna tinha me traído, mas parte de mim ainda queria acreditar que ela estava tentando nos proteger de alguma forma. No entanto, antes que eu pudesse processar meus pensamentos, George e Mel já estavam lutando contra os homens. Thomás tentou desacelerar o tempo novamente, mas Luna se moveu com uma velocidade absurda, e em um piscar de olhos, ela o incapacitou.
— Thomás! — gritei, mas era tarde demais.
Luna se virou para mim, seu rosto inexpressivo.
— Você precisa entender, Rolly. Isso não é pessoal. Eu fui criada para seguir ordens. E meu objetivo é garantir que vocês não se tornem uma ameaça para o mundo.
— Ameaça? — questionei, minha raiva crescendo. — Nós nunca quisemos machucar ninguém!
Luna deu um passo à frente, e eu senti o peso de sua presença.
— Eu não posso permitir que vocês continuem soltos. Os seus poderes são perigosos, e as pessoas por trás disso farão qualquer coisa para garantir que vocês sejam controlados.
— Não somos armas! — gritei, sentindo minha própria energia crescer dentro de mim. Eu não ia permitir que ela me parasse agora.
De repente, George se lançou contra ela, mas Luna estava pronta. Com um movimento fluido, ela o derrubou no chão, prendendo-o com um único golpe.
— George! — Eu estava prestes a correr para ajudá-lo, mas Luna levantou a mão, me parando no lugar.
— Escolha agora, Rolly, — ela disse, seu tom final. — Ou você vem comigo, ou eles todos caem.
Eu tremia de raiva, de medo, mas sabia que essa era uma batalha que ainda não estávamos prontos para vencer. Olhei para Mel, para Thomás, para George caído no chão. O que eu faria agora?
A escolha estava diante de mim.
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A Outra Face De Um Imortal
RandomToda a história tem duas versões, a moeda tem dois lados, na balança tem dois pesos e na vida, as vezes as pessoas tem duas caras, principalmente as pessoas que convivem conosco todos os dias, essas são mais misteriosas, por mais que você pense que...