A vida de um semideus não é fácil, não é nada fácil mesmo... Quando pensamos que teremos um pouco de paz, sempre acontece algo para nos provar que estamos errados.. Monstros nos atacam sem mais nem menos ou então a mando de alguém. Não bastasse isso, ainda somos meio humanos, ou seja, ainda temos os "perigos" da sociedade, como por exemplo, homens que tentam lhe abusar.
Bem, entrei no trem e procurei o assento mais isolado que pude achar e me sentei por lá, procurando ser o mais discreta possível, o que na verdade funcionou, por um tempo...
Fiquei lá sentada, olhando pela janela vendo a paisagem mudando aos poucos. Me permiti me distrair por alguns minutos, perdida em meus pensamentos, tentando entender tudo o que havia ocorrido naquele dia, me perguntando como eu havia feito aqueles espinhos enormes de gelo e por que a neve me fazia tão bem.. Então me lembrei da moça de meus sonhos, e então comecei a me perguntar se tudo isso estava relacionado... Fui tentando montar, mentalmente, esse quebra cabeça e ligando tudo de estranho que me aconteceu na vida como fazer nevar dentro da cozinha, por exemplo.... O problema era, eu não entendia de que forma isso tudo se interligava, tinha certeza absoluta que não era coincidência, porém faltava uma peça para completar esse enigma, e eu não encontrava... Então me ocorreu que nesse tal lugar seguro do qual a moça misteriosa tanto insistia para que eu fosse, talvez tivesse a resposta que eu procurava. E se não tivesse... Bem, era só mais um lugar do qual eu teria que fugir, não haveria novidades.
E, em meio a esses pensamentos confusos, paramos em uma estação anterior a que eu precisava descer. Olhei ao redor e vi algumas pessoas entrando e outras saindo... Normal... Dei de ombros e voltei minha atenção para fora, imersa em meus pensamentos. O trem começou a andar, quando entra um homem estranho com um taco de baseball na mão e se senta na minha frente. Pensei "calma Elsa, é só um homem qualquer que escolheu um assento aleatório...", mas aquela sensação.... Bem, me forcei a me manter calma e fingi estar distraída, como se não tivesse percebido que ele se sentou na minha frente, mas fiquei o olhando de lado e ele não tirava os olhos de mim e parecia estar sentindo o meu... Cheiro?
Isso foi demais, me levantei calmamente e segui na direção do banheiro. Já estava quase no banheiro quando o cara se levanta e diz "onde pensa que vai, semideusa?", congelei na mesma hora.. "Semideusa? Ele é louco?" Mesmo assim eu me virei e o encarei, era sem duvida um cara muito estranho mesmo... Sua voz era estranha, não consegui decifrar direito, mas era meio bruta e selvagem, e seu rosto era meio desfigurado (a névoa bagunçando minha visão).. As pessoas que estavam no vagão nos olhavam curiosas, nem posso tirar a razão deles, um cara estranho fica chamando uma garota estranha de semideusa? Eu também olharia.. Enfim, ele sorriu pra mim maliciosamente, com seus dentes amarelos e tortos, e disse: "aonde pensa que vai? ".. Decidi ignora-lo e me virei para seguir para o banheiro e mais uma vez tive uma grande lição... Nunca de as costas para um cara estranho...
Ele pegou o taco de baseball e jogou em mim, como eu estava de costas, acertou na minha cabeça e eu acabei caindo pra frente... Me levante rapidamente, ainda meio tonta, e o olhei... Ele simplesmente se transformou em um monstro, e eu fiquei paralisada, não acreditando no que meus olhos estavam vendo.. As pessoas que estavam por ali, saíram gritando para o outro vagão e me largaram ali com aquilo...
"Ótimo", pensei, "e agora o que eu faço?"
Bem, tentei me manter calma e focada, o que era difícil, o cara era enorme! Mas mesmo assim me forcei a me concentrar. Mantive contato visual com o monstro a todo momento, não queria correr o risco dele me acertar novamente, ainda estava tonta e não conseguia me concentrar direito.
Ele veio em minha direção, com punhos erguidos para me socar, certo de que iria me acertar. Então, mais uma vez fiquei surpresa com minhas "habilidades", pois simplesmente desviei de seu ataque frontal indo para o lado. Ele bateu na parede do trem, que ainda estava em movimento, e fez um buraco enorme que dava pra ver o outro vagão. Pensei "Não posso deixa-lo me acertar, senão já era", e então, mais uma vez, consegui fazer o espinho, o segurei como se fosse uma espada e o apontei para o monstro. Tentei aparentar ser perigosa e intimidante e disse: "Afaste-se de mim se quiser viver. Não tenho medo e vou mata-lo caso se aproxime mais!". Obviamente, ele não acreditou, pois riu e veio pra cima de mim novamente. Por um momento, entrei em pânico e me arrependi de não ter corrido com os mortais. Mas esse momento passou e agi impulsivamente e, ainda não sei como consegui aquilo, enfiei o espinho em sua mão. Ele urrou de dor, mas eu não parei muito pra pensar no que estava fazendo e, com simples movimentos de minhas mãos, fiz surgir vários espinhos de gelo e fiz com que esses espinhos perfurassem o monstro, em todos os lugares que conseguiram alcançar. O monstro urrou mais de dor e se tornou pó. Sem acreditar no que havia feito, dei um sorriso trêmulo e disse "eu avisei", no segundo seguinte, minha visão ficou turva e eu apaguei.
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A caçadora
FanfictionA história de Elsa, filha de Quione, uma jovem de 18 anos que passou muitas coisas durante sua infância e adolescência. Quando uma moça aparece em sonho e insiste para que ela vá para o "Acampamento Meio-Sangue", é que ela descobre que sua vida está...
