7 | A faculdade de moda.

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Sempre achei que sonhos deveriam ser livres, como pássaros cruzando o céu sem barreiras. Mas, nos últimos meses, percebi que nem sempre é assim. Meu sonho de estudar moda em Paris, a cidade que respira estilo, esbarrou no "não" categórico da Billie. Ela nunca foi de esconder o que pensa, e sua opinião sobre a minha mudança para outro continente era clara como água: "Paris? Só por cima do meu cadáver."

Foi aí que Claudia entrou na história. Se não pode ir até Paris, vamos encontrar a Paris em Los Angeles", ela disse, rindo com seu sotaque francês impecável. Eu sabia que ela entendia minha frustração, já que tinha vivido a intensidade de estudar moda no coração da França.

Agora estávamos aqui, em um campus no coração de Los Angeles, onde as palmeiras balançavam suavemente ao vento, e o som de passos apressados misturava-se ao burburinho dos jovens sonhadores. Claudia caminhava ao meu lado como se fosse dona do lugar, os saltos de suas botas ecoando no chão de mármore.

— Então, Merikh. — ela começou, tirando os óculos de sol para me olhar diretamente nos olhos. — O que você acha? O ambiente é inspirador?

Olhei ao redor. O edifício principal era uma fusão de modernidade e história, com paredes de vidro refletindo o céu azul. Grupos de estudantes carregavam sketchbooks e manequins, suas conversas animadas girando em torno de projetos e desfiles. Não era Paris, mas era vibrante, vivo, cheio de potencial.

— É bonito, mas... será que vai ser suficiente? — perguntei, um tanto hesitante.

Claudia sorriu de lado, aquele sorriso que sempre me desarmava. — Moda não é sobre onde você está, mas o que você faz com o que tem. Claro, Paris tem sua magia, mas você pode construir sua própria mágica aqui. Além disso, — ela piscou, — eu estou aqui para garantir que você comece com o pé direito.

Enquanto ela falava, uma professora passou por nós. Claudia a reconheceu imediatamente. As duas trocaram cumprimentos calorosos em francês, e por um momento, me senti transportada para o mundo que tanto sonhei.

Depois de conversarmos com alguns orientadores e explorarmos os estúdios, eu sabia que não seria fácil abrir mão da ideia de Paris. Mas também percebi que Claudia tinha razão: sonhos são adaptáveis. Talvez Los Angeles pudesse ser o começo que eu precisava.

No caminho de volta, Claudia dirigia enquanto eu folheava os folhetos que havíamos recolhido. —O que você vai dizer à Billie? ela perguntou casualmente, mas havia um tom de preocupação na voz dela.

Suspirei. — A verdade. Que estou dando meu melhor para fazer isso funcionar, mesmo sem ir para Paris.

Claudia assentiu, satisfeita. — E isso é tudo o que importa. Compromisso e paixão. Isso vai te levar longe, não importa onde esteja.

Enquanto o sol se punha no horizonte, banhando Los Angeles com tons dourados, senti um pouco do peso nos meus ombros se dissipar. A vida era feita de escolhas, e embora nem sempre fossem fáceis, eu estava aprendendo a encontrar beleza nos caminhos alternativos.

Quando Claudia estacionou o carro em frente à minha casa, senti um misto de alívio e nervosismo. O trajeto de volta tinha sido tranquilo, mas minha mente estava uma tempestade de pensamentos. Encontrar a faculdade parecia uma pequena vitória, mas agora vinha a parte difícil: contar à Billie.

Assim que abri a porta, o som familiar do teclado ecoou pela sala principal. Lá estava Billie, sentada em sua poltrona favorita, com o notebook equilibrado nas pernas e uma expressão de concentração absoluta. O cabelo dela estava preso em um coque bagunçado, e um par de óculos repousava na ponta do nariz, um detalhe que sempre achei irresistível, mesmo quando estávamos em desacordo.

𝐑𝐚𝐢𝐧𝐲 𝐍𝐢𝐠𝐡𝐭 | 𝙶!𝙿 Onde histórias criam vida. Descubra agora