32 | Quando a Peça se Recusa a Jogar

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Acordei sentindo meu corpo bem mais leve do que ontem

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Acordei sentindo meu corpo bem mais leve do que ontem. A dor tinha dado uma trégua, e eu sabia exatamente o motivo: Billie.

De madrugada, entre um cochilo e outro, lembro dela levantando da cama com todo o cuidado do mundo, pegando as chaves e saindo sem nem me acordar direito. Quando voltou, tinha um remédio de dor e um creme absurdamente cheiroso nas mãos. Me fez tomar o remédio, depois sentou na beira da cama e começou a massagear minhas costas. A massagem foi tão boa que eu dormi no meio, com aquele perfume misturado com o calor das mãos dela.

Agora de manhã, estava tudo calmo. Billie ainda dormia, virada pro lado com o rosto enfiado no travesseiro. Shark estava esparramado entre nós, parecendo um príncipe. Dei um beijo rápido na bochecha da Billie e saí de fininho pra não acordar ela.

Decidi ir até a padaria. Queria esticar as pernas, aproveitar que a dor tinha sumido e comprar um café fresquinho. O tempo estava ameno, e a rua ainda meio vazia. Caminhei devagar, sentindo a brisa no rosto e o cheiro de pão quentinho vindo lá de longe.

Quando entrei na padaria, a sineta da porta fez um barulhinho gostoso. O lugar era pequeno, com prateleiras de madeira cheias de pães e doces. Fui direto pro balcão e pedi dois cafés e uns croissants. Um dos cafés era pra Billie, claro.

Enquanto esperava, fiquei olhando pela janela. A manhã estava tranquila, o tipo de começo de dia que me fazia sentir bem.

Peguei o pedido e saí de volta pra casa, ansiosa pra ver Billie acordando com cheiro de café e croissant.

Saí da padaria com a sacola de croissants numa mão e os copos de café na outra, ainda sentindo o cheirinho quente da massa amanteigada. O caminho de volta pra casa era curto, e eu estava distraída, aproveitando o silêncio da manhã.

Foi quando senti uma presença.

Meu corpo travou no mesmo instante. Não ouvi passos, mas sabia que tinha alguém ali. E quando levantei o olhar, vi um homem parado na calçada, bem no meu caminho.

Ele estava vestido todo de preto, capuz cobrindo boa parte do rosto, e uma máscara escondendo o resto. Meu coração deu um salto e minha mão foi direto pro peito, sentindo a adrenalina correr no corpo.

— O que...? — minha voz saiu falha.

O homem não disse nada. Apenas ergueu a mão e me entregou um pedaço de papel dobrado. Minhas mãos tremiam quando peguei aquilo, o café quase escorregando dos meus dedos.

Abri o papel devagar, como se ele fosse explodir a qualquer momento.

"Ich bin überall. Pass auf, Prinzessin."

Minha respiração falhou. Meu peito apertou.

Eu entendia alemão. E aquilo queria dizer:

"Eu estou por todo lugar. Toma cuidado, princesa."

𝐑𝐚𝐢𝐧𝐲 𝐍𝐢𝐠𝐡𝐭 | 𝙶!𝙿 Onde histórias criam vida. Descubra agora