Coloco a última decoração no meu ateliê, é um porta agulhas. Conservei com Claudia pelo telefone e a convidei para passar uma tarde comigo, faz algumas semanas que não há vejo, estou sentindo falta do seu humor duvidoso.
Quando a Cláudia entrou no meu escritório, fiquei quieta, só observando. Eu estava ajustando um vaso de tulipas brancas num canto, mas, no fundo, era só pra disfarçar o nervosismo. Passei semanas pensando em cada detalhe desse lugar, mas saber o que ela ia achar... isso era outra coisa.
Ela parou na porta, com aquele olhar atento, de quem repara tudo. Não disse nada por uns segundos, só ficou absorvendo o ambiente. Quando finalmente abriu a boca, veio com um sorriso cheio de admiração:
— Merikh... tá incrível. De verdade. Elegante, sabe? Mas também tem aquele toque acolhedor que só você consegue.
Tentei disfarçar o alívio, mas sei que minha expressão me entregou.
— Tá falando isso porque é minha amiga ou porque gostou mesmo? — provoquei, meio brincando, meio séria.
Ela riu e entrou de vez, andando até a mesa de mármore.
— Tô falando sério, mulher! Tá tudo lindo! Essa mesa, então... é puro luxo.
— Fiquei na dúvida entre essa e uma preta fosca, mas achei que essa tinha mais a ver comigo.
— Acertou. Isso aqui é totalmente a sua cara. Moderna, mas cheia de personalidade.
Fiquei quieta por um momento, ouvindo enquanto ela elogiava cada detalhe. Pra mim, que respiro criação, não tem sensação melhor do que ver outra pessoa enxergar e valorizar o que eu construí.
Mas, de repente, ela fez uma cara marota.
— Só tem uma coisa que eu não gostei.
Meu coração deu um pulo.
— O quê? — perguntei, já meio preocupada.
Ela segurou o riso e respondeu:
— Que eu não vou querer sair daqui nunca mais.
Caímos na risada juntas. Foi ali que percebi: o espaço estava perfeito. E o melhor de tudo? Ele já estava fazendo as pessoas se sentirem em casa.
Cláudia puxou uma cadeira e se sentou, ainda olhando ao redor. Eu me encostei na beirada da mesa, cruzando os braços, tentando segurar o sorriso bobo que insistia em aparecer.
— Você é terrível, Cláudia. Quase me fez achar que tinha um defeito aqui.
— E tem, sim. — Ela me lançou um olhar brincalhão. — Eu não tô vendo café nem nada pra beliscar.
Revirei os olhos, rindo.
— Ah, claro. Decorei o escritório inteiro, mas esqueci o essencial, né? Vai me dar sermão agora?
— Não vou. Só vou abrir o armário da cozinha, pegar o café e me servir sozinha — disse, levantando e já indo em direção à pequena cozinha integrada no canto.
— Você nem sabe onde tá! — avisei, mas ela só balançou a mão no ar como quem diz "não subestime".
Ela voltou minutos depois com duas xícaras fumegantes.
— Pronto, resolvi o problema — falou, entregando uma pra mim.
— Obrigada, Cláudia. Você é realmente insuportável e muito eficiente.
Ela riu e sentou de novo. Por alguns minutos, ficamos em silêncio, cada uma com sua xícara, enquanto ela olhava os quadros na parede e eu observava a luz que entrava pelas janelas, banhando o espaço.
VOCÊ ESTÁ LENDO
𝐑𝐚𝐢𝐧𝐲 𝐍𝐢𝐠𝐡𝐭 | 𝙶!𝙿
Storie d'amoreEm um mundo onde o amor e o perigo andam lado a lado, Billie e Merikh vivem uma relação intensa e cheia de segredos. Billie, uma implacável chefe da máfia, não mede esforços para eliminar qualquer ameaça em seu caminho. Calculista e fria, ela escond...
