FLASHBACK
1995 / Las Vegas.
Eu me lembro bem daquela época. Maggie tinha 36 anos e um brilho nos olhos, apesar da frustração que crescia dentro dela a cada mês. Casada havia pouco tempo com Patrick, ela desejava apenas uma coisa: um filho. Mas, por mais que tentasse, a gravidez nunca vinha.
Ela passava as manhãs no estúdio de dança, ensinando com a graça de quem nasceu para aquilo. O corpo esguio se movia ao ritmo da música, os pés deslizavam pelo chão de madeira polida, mas sua mente estava longe. Eu a via se olhar no espelho, ajeitando a fita do coque com um suspiro pesado.
— De novo esse olhar, Maggie? — disse sua amiga e colega de trabalho, Eleanor, encostada na barra de madeira. — Você precisa relaxar.
Maggie forçou um sorriso, mas não respondeu. Como poderia relaxar? Ela havia feito todos os exames, todas as tentativas possíveis, e nada. Era como se seu corpo estivesse negando o único sonho que ela ainda tinha.
Naquela noite, Patrick chegou em casa mais tarde do que o normal. A camisa escura cheirava a cigarro e uísque, o rosto carregava a sombra da vida que ele levava fora dali. Ele era o chefe da máfia americana, e Maggie sabia que, quando ele saía, muitas vezes não era apenas para negócios. Mas ela fingia não perceber.
— Você jantou? — ela perguntou, servindo um copo de bebida para ele.
Patrick a observou por um instante, os olhos sempre intensos, sempre calculistas. Depois, tomou um gole da bebida e puxou Maggie para o seu colo.
— Você está tensa — ele murmurou, deslizando os dedos pela curva de sua cintura.
Ela fechou os olhos, sentindo o cheiro forte do perfume dele misturado ao álcool.
— Eu só... — Maggie hesitou. — Eu só queria que desse certo, Patrick.
Ele ficou em silêncio por um momento, segurando o queixo dela para que seus olhos se encontrassem.
— Vai dar certo — ele afirmou, sem hesitação. — E, se não der... a gente dá um jeito.
A frase dele ecoou na cabeça dela. "A gente dá um jeito." Era isso que ele fazia em sua vida de criminoso. Mas um filho não era um problema a ser resolvido com dinheiro, ameaças ou balas. Era um desejo, um sonho.
Naquela noite, Maggie chorou baixinho quando Patrick dormiu. Ela se sentia insuficiente, vazia. E, no fundo, começava a temer que nunca realizaria seu maior desejo.
Capítulo – A Surpresa de Patrick
O relógio marcava já altas horas da noite, e a casa estava em silêncio, exceto pelo som suave da chuva que batia nas janelas. Maggie estava deitada na cama, o corpo virado para a janela, tentando encontrar alguma paz no ritmo das gotas. Ela ainda pensava no que Patrick lhe dissera anteriormente. Estava tão envolvida em seus próprios pensamentos que quase não percebeu quando ele entrou no quarto, com um olhar sério que ela não via frequentemente.
Patrick se aproximou da cama e se sentou na beirada, as mãos pesadas sobre os joelhos. Sua postura, normalmente imponente e controladora, parecia agora mais tensa. Ele olhou para ela, como se quisesse encontrar as palavras certas.
— Maggie, precisamos conversar — ele disse, a voz carregada de algo que ela não conseguia identificar.
Maggie levantou os olhos para ele, surpresa. Algo estava errado.
— O que aconteceu, Patrick? — ela perguntou, um pressentimento surgindo em seu peito.
Ele suspirou profundamente, como se estivesse carregando um peso enorme. Depois, virou-se para ela, seus olhos fixos nos dela.
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𝐑𝐚𝐢𝐧𝐲 𝐍𝐢𝐠𝐡𝐭 | 𝙶!𝙿
RomanceEm um mundo onde o amor e o perigo andam lado a lado, Billie e Merikh vivem uma relação intensa e cheia de segredos. Billie, uma implacável chefe da máfia, não mede esforços para eliminar qualquer ameaça em seu caminho. Calculista e fria, ela escond...
