19 | Engano

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O sol tava de rachar quando eu e Kimberly saímos da faculdade, carregando nossas bolsas e rindo de alguma besteira que uma colega tinha falado na aula

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O sol tava de rachar quando eu e Kimberly saímos da faculdade, carregando nossas bolsas e rindo de alguma besteira que uma colega tinha falado na aula. O dia tinha sido puxado, mas a gente tava precisando de um momento leve, só nós duas.

— Tô morrendo de vontade de tomar um sorvete, — comentei, abanando a mão na frente do rosto. — Bora na sorveteria da esquina?

Kimberly deu de ombros, mas tinha um sorrisinho no rosto.

— Bora. Pelo menos eu adoço a vida, porque, olha... tá difícil.

Eu sabia bem que ela tava falando do Arthur, mas decidi esperar pra puxar o assunto. A gente entrou na sorveteria, e o ar-condicionado foi um alívio imediato.

— Nossa, eu podia morar aqui, — ela brincou, olhando o cardápio de sorvetes.

— Primeiro o sorvete, depois a crise existencial, — falei, tentando animar ela.

Fui direto no meu favorito: baunilha com calda de morango e frutas. Já era tradição. Kimberly demorou mais, mas acabou escolhendo um de chocolate com pedaços de brownie. Pegamos os sorvetes e sentamos numa mesa perto da janela.

— Tá, agora conta, — comecei, enquanto dava a primeira colherada. — O que o Arthur fez dessa vez?

Kimberly bufou, mexendo no sorvete como se ele fosse culpado.

— É sempre a mesma coisa, Merikh. Ele tá distante, sabe? Parece que eu sou só uma opção pra ele. Tipo, quando ele não tem mais nada pra fazer, aí lembra que eu existo.

— E você já falou isso pra ele? — perguntei, sem rodeios.

— Já! Mas ele sempre dá aquela desculpa de que tá ocupado, que é coisa da cabeça... — Ela revirou os olhos. — Eu tô cansada, sabe? Não quero mais ficar me sentindo assim.

Eu larguei a colher e olhei bem pra ela.

— Olha, Kimberly, eu sei que você gosta dele, mas gostar não é suficiente se você tá sempre em segundo plano. Você merece alguém que queira tá do seu lado, não só quando tá conveniente.

Ela ficou em silêncio por um tempo, mexendo no sorvete, e eu deixei. Sabia que ela precisava processar.

— É, acho que você tem razão, — ela disse, finalmente. — Mas não é fácil, sabe? Ficar sem ele...

— Claro que não é fácil, — interrompi. — Mas você prefere continuar sofrendo assim? Eu tô falando porque me importo, Kim. Você merece coisa melhor.

Ela sorriu, meio sem graça, mas dava pra ver que minhas palavras tinham mexido com ela.

— Obrigada, Merikh. Eu precisava ouvir isso.

Kimberly deu uma última colherada no sorvete e me olhou de canto, com aquele jeitinho de quem estava pronta pra cutucar onde sabia que doía.

— E você? Como tão as coisas com a Billie?

𝐑𝐚𝐢𝐧𝐲 𝐍𝐢𝐠𝐡𝐭 | 𝙶!𝙿 Onde histórias criam vida. Descubra agora