31 | No calor de Paris

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A casa tava um silêncio gostoso, daquele jeito que só acontece quando você tá sozinha e pode andar de meia pelos corredores sem ninguém te apressando

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A casa tava um silêncio gostoso, daquele jeito que só acontece quando você tá sozinha e pode andar de meia pelos corredores sem ninguém te apressando. Billie tinha saído cedo pra levar o carro na revisão, e eu fiquei jogada na cama um tempão antes de finalmente me arrastar até a cozinha.

Bateu uma vontade absurda de comer pipoca. E, claro, eu não ia fazer de micro-ondas, porque a gente tava em Paris, numa mansão chique, e eu queria a experiência completa. Peguei uma panela, joguei óleo, milho e tampei. Fácil, né?

Enquanto esperava os estouros começarem, abri o Instagram no celular. Só pra passar o tempo. Só que aí... eu vi a fofoca.

P. Diddy tava TRENDING. Não um trendzinho qualquer, mas aquele tipo de escândalo que todo mundo comenta. O feed inteiro era sobre ele. Abri um post e pronto, fui sugada pro buraco negro dos comentários, das teorias, dos memes. Tinha até um fio no Twitter explicando tudo em detalhes. Eu não podia simplesmente ignorar.

Uns cinco minutos depois, senti um cheiro estranho. Mas como eu tava entretida, só franzi a testa e continuei rolando o feed. Aí veio a fumaça. Primeiro um fiozinho tímido escapando da panela, depois uma nuvem inteira de fumaça preta saindo feito cena de incêndio em filme.

— Ah, NÃO!

Larguei o celular e corri pro fogão. Quando tirei a tampa, um bafo quente subiu no meu rosto. Os milhos? Pretos. A panela? Um campo de guerra carbonizado.

O detector de fumaça começou a apitar desesperado. Fui abrir a janela correndo, tossindo igual uma doida, mas a fumaça já tinha se espalhado. A cozinha inteira tava um caos.

— Merda, merda, merda...

Peguei a panela e joguei na pia, abrindo a torneira em desespero. A água chiou alto, soltando mais vapor, como se a desgraça não pudesse ficar pior.

Billie não tava aqui pra me salvar dessa, e eu já tava prevendo o sermão que ia levar.

Mas o pior? Eu nem consegui ver o fim da fofoca do P. Diddy.

O alarme não parava de tocar, e agora, além do barulho infernal dentro de casa, meu celular vibrava sem parar com notificações. Mas, ao invés de me desesperar, eu só tava indignada.

Primeiro, porque eu não consegui terminar de ver a fofoca do P. Diddy. Segundo, porque minha pipoca virou carvão.

A fumaça já tava se dissipando depois que abri todas as janelas, mas o detector continuava gritando, e eu não fazia a menor ideia de como desligar aquele troço. Então, resolvi simplesmente ignorar e voltar pro celular. Eu precisava saber o final da fofoca.

Enquanto isso, do outro lado da cidade, Billie tava tranquila esperando o carro na revisão quando o celular dela começou a vibrar com uma notificação urgente:

"Alerta de incêndio detectado na cozinha."

Ela franziu a testa. "Merikh..."

Antes que ela pudesse processar, outra notificação chegou—dessa vez uma mensagem da vizinha, uma senhora francesa muito curiosa e fofoqueira que morava na mansão ao lado:

𝐑𝐚𝐢𝐧𝐲 𝐍𝐢𝐠𝐡𝐭 | 𝙶!𝙿 Onde histórias criam vida. Descubra agora