25 - Família

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Lorenzo Mazza

O suor escorre entre nossos corpos e minha mão aperta sua cintura, ditando os movimentos que seu corpo deve fazer junto ao meu enquanto cavalga em meu pau. Nossas bocas estão entrelaçadas em um beijo molhado e suas unhas curtas arranham meu peito e costas. Os gemidos são nossa trilha sonora, que embalam nossa noite de amor. Nunca pensei que diria isso, mas sou viciado em sexo... sexo com Jullian. Sou viciado em sentir seu corpo conectado ao meu, em ouvir meu nome saindo de seus lábios como uma suplica, de ver as lagrimas de prazer caindo por sua face corada quando ele alcança o ápice.

— Lorenzo... — Sua fala sai em suspiro e em seguida sinto os jatos de porra em meu abdômen.

Sorrio e nos viro na cama, deixando seu corpo preso abaixo do meu. Prendo suas mãos acima de sua cabeça e uso minha mão livre para erguer sua perna, deixando sua entrada com fácil acesso para mim. Sinto meu prazer se aproximando, por isso aumento as estocadas, vendo sua entrada se contrair por causa do orgasmo recente. E não é preciso de muito para que eu esteja gozando dentro dele.

Caio ofegante em cima de seu peito e demoro alguns segundos para respirar direito e sair de dentro dele. Me deito ao seu lado, normalizando minha respiração e o puxo para meus braços, deixando um beijo em seus cabelos suados.

— Banho? — pergunto após alguns minutos de puro silêncio.

— Só se for de banheira — Jullian responde me fazendo rir.

— Pervertido, futuro senhor Mazza.

— Por você? Sempre! — Ele pisca para mim com um sorriso cheio de segundas intenções e não sou louco de recusar sua mão estendida para mim quando ele se levanta da cama.

E é entre beijos, muito sexo e amor que terminamos a noite comemorando nosso noivado.

[...]

Meus passos são lentos pelo corredor escuro que leva até a ultima cela, a mais isolada. O lugar é extremamente frio, mas de alguma forma me deixa muito à vontade, principalmente quando vejo meu alvo sentado no chão sujo e duro no cubículo onde está confinado. Me ajoelho de frente as grades de ferro e Andrea parece um bicho quando gruda nas barras com força, as balançando. Seus olhos estão vazios e ele parece um louco.

— Me mata, por favor! — Ele suplica e abro um sorriso genuíno.

— Mas já? Não tem nem um mês que está aqui — falo com humor e isso parece o deixar com raiva.

— Eles não me deixam morrer! Eu quero morrer! — Ele grita, em puro descontrole.

— E como ficará seus clientes? Não é você que ama esses tipos de negócio? A prostituição.

Suas mãos vão até seus cabelos e os puxam com força, como se fosse os arrancar de sua cabeça. Ele balança seu corpo para frente e para trás e de repente se levanta, começando correr pela cela, batendo nas paredes e gritando por socorro.

Me coloco de pé e cruzo minhas mãos atrás das costas, o olhando com indiferença.

— Você ficará aqui pelo resto de seus dias, Andrea. Vai sentir a angustia, desespero e a dor de cada uma das pessoas que machucou, inclusive a do meu noivo. Você será bem alimentado, será medicado e não vai morrer enquanto eu estiver de olho em você... esse será o seu castigo, em vida. Seu inferno é aqui e o carrasco sou eu.

Ao terminar minha fala ele volta a avançar na cela e estende a mão para me pegar, demonstrando puro ódio em seus olhos. Seus gritos são histéricos, mas apenas ignoro e lhe dou as costas.

[...]

Um mês e meio depois...

— Pegou tudo? — Jullian pergunta pela milésima vez e tenho que rir.

— Sim, amor, todas as bolsas já estão no carro — respondo, mais uma vez.

— Ok, acho que não estou esquecendo nada. — Ele diz em um suspiro e olha ao redor do quarto.

Balanço a cabeça em negação e sigo até ele, pegando seu rosto em minhas mãos, fixando seus olhos nos meus. Deixo um beijo em seus lábios e outro em sua testa, pegando suas mãos nas minhas em seguida.

— Ei, vai dar tudo certo... estaremos com nossa filha em breve — falo com calma e ele assente, respirando fundo.

— Ok! Só estou muito ansioso.

— Eu sei, também estou.

— Vamos?

— Vamos conhecer nosso raio de sol — respondo e entrelaço sua mão a minha, saindo do quarto em seguida.

O caminho até a maternidade é feito em silêncio, mas não é algo incomodo. Bella e todo o pessoal queria estar conosco, mas Jullian e eu queria esse momento apenas nosso... o nascimento de nossa filha. E para nossa alegria completa conseguimos a autorização para sua adoção, então ela já sairá da maternidade com o nome da mãe e dos dois pais em sua certidão.

Assim que chegamos ao hospital somos conduzidos para a sala de parto, onde a cesariana será realizada. Somos levados a cumprir todos os protocolos de biossegurança e só então entramos na sala de cirurgia. Renata já está deitada na cama hospitalar e sinto que Jullian aperta minha mão com mais força nesse momento.

Hoje é um dia com duas nuances muito fortes. Por um lado, há a vida e do outro uma estará partindo. Estamos celebrando o nascimento de nossa pequena, mas também haverá o luto pela partida definitiva de Renata.

— Podemos começar? — O médico responsável pergunta e concordo com um aceno.

Eu me sinto ansioso durante todo o procedimento e não consigo segurar a emoção quando escuto o choro forte e alto. Para quem nunca se imaginou tendo uma família, tudo isso é mais do que um sonho. Meu coração bate com tanta força quando vejo o pequeno ser, ainda coberto de sebo e sangue. Ela é colocada no peito da mãe e ao olhar para Jullian, vejo que ele não consegue conter a emoção.

O contato dura o suficiente para que as duas possam se conectar, mesmo que em seus corações. E quando nossa pequena é levada, é hora de se despedir. 


Jullian Lopez

Apesar de saber que chegaria, eu nunca me preparei para esse dia. Saber que nunca mais a verei dói. Nós nunca conversamos, nunca olhei verdadeiramente em seus olhos, mas teremos uma conexão eterna que será nossa filha. E de onde quer que esteja, espero que Renata veja todo o amor que daremos ao ser de luz que ela gerou mesmo em toda dor.

— Obrigado pelo presente que deixou para nós. Posso te prometer que faremos de tudo para Eleonora seja a garota mais feliz desse mundo e sempre a lembraremos da mãe guerreira que ela tem. Vá, fique em paz e olhe por nossa garotinha lá de cima — falo em meio ao choro e deixo um beijo em sua testa, me despedindo. Lorenzo segue meu gesto e temos que deixar a sala de parto em seguida, tendo um pequeno peso em nossos corações.

[...]

Eu nunca achei que chegaria esse dia em minha vida... o dia de segurar minha filha no colo. Lorenzo e eu fomos guiados até o berçário e estamos ansiosos enquanto uma enfermeira vai buscar nossa pequena. Sou orientado a sentar em uma das poltronas disponíveis e Lorenzo se senta no braço dela, ao meu lado. Sinto que meu noivo está tão ansioso quanto eu, por isso sorrio por de trás da máscara hospitalar.

E então eu entendo aquilo de maior amor do mundo, pois é indescritível o amor que sinto nesse momento pela pequena criatura que é colocada em meus braços. Meus olhos se inundam e meu peito se enche de um sentimento que não consigo descrever.

— Essa é a nossa família — Lorenzo diz ao meu lado, segurando a mão minúscula da nossa filha e eu não poderia ouvir nada mais verdadeiro.

Passamos as próximas horas conhecendo nosso pedacinho de amor, aprendendo tudo o que necessitamos para cuidar dela.

Um dia após seu nascimento fizemos o funeral de Renata com toda a nossa família, onde prestamos uma última homenagem a ela, fazendo a promessa de que nunca será esquecida por nós. E nesse mesmo dia voltamos para casa com nossa filha, sendo recebidos por todos com muito amor. Eleonora mal chegou, mas como seu próprio nome diz, já é a luz, o raio de sol que ilumina toda nossa pequena, mas amorosa família.

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Continua...

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