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Dois meses depois...

  Dois meses haviam se passado após a morte de Nick, estava cada vez mais difícil de aceitar que ele havia morrido. Pra mim era como se ele ainda estivesse vivo, como se eu pudesse sentir que ele ainda estava vivo. Ou talvez fosse apenas negação.
  Esse lugar me fazia cada vez mal.
Jenna - Noah? - ela diz entrando em meu quarto. -
Noah - Jenna? Não sabia que vinha. - digo me levantando. -
Jenna - Decidi de última hora.
Noah - Mas então, o que faz aqui?
Jenna - Vim ver como você está, e também te fazer uma proposta.
Noah - Não estou afim de propostas, eu só quero ele de volta. - digo enquanto deito em minha cama de novo, e me embrulho entre o cobertor. -
Jenna - Isso é impossível, você sabe disso. Pode ser difícil aceitar, mas entenda, ele está morto, MORTO. - ela diz com tanta convicção, que me faz estranhar sua reação. -
Noah - Não consigo entender como você e Lion estão bem com isso.
Jenna - Nós não estamos. Mas alguém precisa segurar as rédeas. Por favor, me escuta primeiro, e depois fale o que quiser.
Noah - Tudo bem, vai em frente.
Jenna - Lion e eu estávamos pensando em nós mudar a um tempo atrás, antes da morte do... - ela me olha, e não termina a frase. - Enfim, vamos nos mudar.
Noah - Vão se mudar? Pra onde?
Jenna - Brasil.
Noah - Que bom amiga, fico feliz por vocês.
Jenna - Ainda não terminei. Queríamos que você fosse junto com a gente. Amiga, você está entrandoem depressão. Não é nada fácil, eu sei disso, e é por isso que você precisa sair daqui. Por favor, aceita.
Noah - Claro que eu aceito. Tudo o que eu preciso agora, é sair daqui, nem que seja por alguns meses.
Jenna - Ótimo, então já faça as malas, pois partimos daqui em três dias.
Noah - Tenho que falar com a minha mãe. Mas eu convenço ela.
Jenna - Tudo bem. Me avise.

Alguns minutos depois...

  Fui até o quarto da minha mãe, pra ver se a achava, mas não a encontro. Desço até a sala, mas nada também. Fui até a área da piscina, e a vejo na espreguiçadeira. Vou pra perto dela, e me deito na espreguiçadeira ao lado dela, fazendo a mesma olhar pra mim.
Rafaella - Filha, que bom que saiu do quarto.
Noah - Mãe, quero falar sobre um assunto com você.
Rafaella - Claro, diga.
Noah - Você sabe que os únicos amigos que tenho aqui são Jenna e Lion.
Rafaella - Sim, continua.
Noah - Eles vão se mudar para o Brasil.
Rafaella - É sério? Que pena, isso é péssimo.
Noah - Na verdade não, eles me convidaram pra ir junto.
Rafaella - Vocês? Sozinhos? Morando no Brasil? Não é muito longe não?
Noah - Eu não vou morar lá, só preciso de um tempo de tudo isso, mãe. A morte do Nick mexeu muito comigo. A cada canto dessa cada que eu olho, eu vejo ele. Em cada lugar que eu vou, eu sinto a presença dele, o olhar dele, e isso está acabando comigo. - sem perceber eu já estava chorando, minha mãe se senta na espreguiçadeira, e me abraça. -
Rafaella - Tudo bem, filha, pode ir. Quero ver você bem.
Noah - Obrigada, mãe. - digo com a voz falha. -

Três dias depois...

  Escuto uma buzina na frente da mansão.
Noah - Tchau, mãe. - digo a abraçando na porta. -
Rafaella - Tchau, meu amor. Se cuida, e me dê notícias sempre que puder.
Noah - Pode deixar. - saio do seu abraço, e me direciono na frente de Will. - Até logo, Will. - o abraço, e o mesmo retribui. -
Will - Até logo, Noah. Não demore a voltar, mas fique o tempo que precisar.
  Desço as escadas, e ao entrar no carro de Jenna, dou um último tchau, saindo da mansão.
Jenna - Pronta?
Noah - Pra sair daqui? Não precisa perguntar duas vezes.
  Passamos longos minutos na estrada, até chegar em um prédio muito alto, que tinha uma pista de pouso em cima.
Noah - Onde estamos? Por quê não fomos para o aeroporto?
Jenna - Eu jamais citei que íamos de avião.
- ela dá um sorrisinho. -
Noah - Então vamos como?
Jenna - Jatinho, meu amor.
Noah - E o Lion?
Jenna - Já está lá em cima. Vamos.
Noah - Vamos.
  Pegamos o elevador, por que se fosse pela escada, ia demorar muito.
  Havíamos chego no topo do prédio, onde havia a pista de pouso.
Lion - Até que enfim, pensei que tinham se perdido no caminho.
Jenna - Você é muito exagerado.
Noah - Deixem a DR pra depois, eu quero logo sair daqui. - digo indo em direção ao jatinho. -
Jenna - Ei, ei. Calma aí apressada. - ela vem correndo atrás de mim e passa na minha frente, entrando no jatinho. -
Noah - Era só ter falado que você queria passar na frente, que eu deixaria, não precisa correr que nem uma louca. - digo entrando e me sentando numa poltrona. -
  Jenna estava na cabine do piloto conversando com o mesmo, enquanto Lion estava lá fora falando com um moço. Ouvi a voz de Jenna se alterar um pouco, e me aproximo da cabine pra ouvir o que falavam.
Jenna - Já chega, eu estou cansada disso, se você não contar, eu conto.
  Ouvi ela se levantando, então corri para a poltrona onde eu estava.
Jenna - Pronta? - ela me pergunta saindo da cabina, e a fechando logo em seguida. -
Noah - Faz tempo. Vocês que estão enrolando demais.
Jenna - Gato, se você não vier logo, vai acabar ficando. - ela diz para Lion quando o jatinho começa a ligar, fazendo o mesmo correr para dentro. -

Horas depois...

Noah - Ah, finalmente pensei que não ia chegar nunca. - digo saindo de dentro do jatinho. -
Jenna - Já estava enjoada.
Noah - Onde estamos?
Jenna - Em Gramado. Vamos passar em alguns lugares, pra depois ir pro Rio de Janeiro. Onde vamos ficar.
Noah - Por mim, tudo bem.
Jenna - Vamos pro hotel?
Noah - Claro.
  Fomos para o hotel, e ficamos em quartos separados, Jenna com Lion, apesar de ela insistir para ficar comigo, pois não queria me deixar sozinha. E eu.
  Algum tempo havia se passado, e estava frio. Coloquei uma roupa confortável, bonita, e que fosse quente, e saí pra dar uma volta.
  Passei em frente a um parque, que estava com um pôr do sol lindo, então me sentei num banco, e fiquei observando.
  E comecei a pensar, em como eu queria que Nick estivesse aqui, e na falta que ele me fazia. Ele se tornou a pessoa mais importante pra mim. E eu o perdi.
  Senti meu rosto molhado, indicando que eu estava chorando. Mas ali, sozinha, com aquele pôr do sol em minha frente, nem me importava que me vissem chorando. Eu só queria colocar pra fora. E as lágrimas desciam sem parar, eu estava sem controles sobre elas.
Noah - Nick, como você faz falta. Eu te amo.
- Eu te amo muito mais.
  Ouvi uma voz atrás de mim. Eu sabia o que tinha escutado, e sabia de quem era aquela voz. Queria pensar que fosse coisa da minha cabeça, mas não era, eu sabia que não era. Me viro lentamente para trás, vendo o motivo da minha tribulação, mas também da minha paz, da minha tristeza, mas também da minha alegria. Meu tudo.
Noah - Nick?
Nick - Eu estou aqui, não precisa se preocupar, estou aqui agora, e ninguém vai me tirar do seu lado.

Culpa MíaOnde histórias criam vida. Descubra agora