Sob a lua cheia

47 4 2
                                        


O vento cortante da noite fazia as folhas balançarem suavemente, criando uma melodia sussurrante que parecia quase irreal. A escuridão se estendia pela floresta em volta da casa dos Cullens, a grande mansão que se erguia como uma sombra distante, com suas luzes douradas piscando nas janelas. Flora e Leah estavam ali, paradas no limite do desconhecido, onde as dúvidas se misturavam com a ansiedade.

Flora, com seus cabelos escuros e expressão pensativa, sentia o peso das palavras que ela mesma estava prestes a dizer. O silêncio entre elas era palpável, como se a tensão no ar fosse capaz de derrubar qualquer um dos dois. Sua mão estava tremendo levemente quando ela se virou para Leah, que parecia imersa em pensamentos próprios, seus olhos vagando pela escuridão da noite.

— Leah... — Flora chamou, quase que um sussurro. Quando Leah a olhou, seus olhos estavam intensos, mas ainda carregados de insegurança. — Eu... preciso te perguntar uma coisa.

Leah franziu o cenho, já sentindo que a conversa seria importante, talvez até difícil. Ela respirou fundo, tentando se preparar.

— O que foi, amor? — Leah perguntou, a voz suave, mas carregada de preocupação.

Flora deu um passo hesitante em sua direção, como se fosse difícil trazer à tona o que estava borbulhando dentro dela. Ela olhou para o chão por um momento, depois de volta para Leah.

— Você... você está grávida, não está? — A pergunta veio como um choque, tão direta quanto um golpe. O silêncio se estendeu por um instante, como se o próprio mundo tivesse parado para escutar.

Leah estremeceu visivelmente. A pergunta de Flora não foi um choque, mas a realidade daquilo que ela ainda não tinha conseguido processar completamente. Ela mordeu o lábio, sentindo um turbilhão de emoções. No fundo, já sabia. Sentia os sinais, mas nunca imaginou que seria Flora a ser a primeira a tocar no assunto de forma tão clara.

Leah olhou para Flora com os olhos um pouco perdidos.

— Como... como você sabe disso? — a voz dela estava quase inaudível, uma mistura de surpresa e incerteza. Era claro que Leah ainda não tinha falado sobre isso com ninguém, não até aquele momento.

Flora suspirou, o medo estampado em seu rosto.

— Eu... eu percebi. Estava com você quando notou os primeiros sinais. Eu vi a mudança em você, Leah. Não tem como negar, não é? — Ela forçou um sorriso pequeno, mas não conseguia esconder a preocupação. — E... a última vez que tivemos aquele... momento juntas... a gente não usou proteção. Então, é claro que isso veio à tona. Eu só... não queria perguntar, não queria te pressionar.

Leah olhou para ela com uma expressão desconcertada, como se estivesse tentando juntar as peças de um quebra-cabeça que se movia diante de seus olhos. Ela sabia que Flora tinha razão. Estava sentindo algo diferente, mas sua mente havia se recusado a aceitar a verdade até aquele momento. A ideia de ser mãe, especialmente em uma situação como aquela, parecia assustadora demais para ser enfrentada sozinha.

Porém, o medo de como Flora reagiria, a ansiedade de estar colocando tudo em risco, a mistura de emoções a deixou paralisada por alguns segundos.

— Flora, eu... — Leah hesitou. Não sabia por onde começar. Mas, antes que pudesse continuar, Flora a interrompeu com uma pergunta ainda mais profunda.

— E o que isso significa para o bebê, Leah? Você se sente bem? O que isso significa para *nós*? Eu... eu tomo hormônios para ser mulher, você sabe disso. E agora... eu estou com medo de que o bebê... não esteja bem. — Flora engoliu em seco, o medo tomando conta de seu corpo. Ela pegou a mão de Leah, como se precisasse de um ponto de apoio. — Eu nunca pensei que engravidaria. Isso é... tudo muito confuso para mim.

Leah sentiu o peso daquelas palavras. Ela sabia o quanto a situação era difícil para Flora, e, de certa forma, também estava aterrorizada com as implicações de tudo aquilo. Mas ela sabia que a preocupação de Flora também tinha a ver com algo muito maior.

— Flora... — Leah disse, tentando reunir coragem para responder. — Eu não sei o que isso vai significar para nós. Eu também tenho medo. Eu... sou uma transmorfa, e cada vez que me transformo... o controle que eu tenho sobre o meu corpo vai embora. Eu posso... eu posso machucar você. Eu posso machucar o bebê. Eu não sei o que fazer. Eu não quero correr esse risco.

Flora olhou para ela com os olhos cheios de preocupação. Ela nunca tinha visto Leah tão vulnerável. Leah sempre foi tão forte, tão confiante em sua natureza, mas agora, com a gravidez surgindo de forma tão inesperada, ela parecia estar perdendo o controle.

— Mas você... você não vai machucar o bebê, não é? — Flora perguntou com uma voz rouca, como se ainda não pudesse acreditar na complexidade da situação. — Você vai conseguir controlar... controlar sua transformação?

Leah balançou a cabeça, seus olhos cheios de frustração.

— Eu não sei. Eu... eu nunca passei por isso antes, Flora. Eu nunca pensei que teria que lidar com isso. Não posso prometer que vou conseguir, e o medo de machucar o bebê... isso me consome. Eu não sei o que fazer. — Ela fez uma pausa, sentindo o peso das palavras.

Flora sentiu seu estômago apertar. Sabia que o medo de Leah era real, mas também sabia que a situação estava além do que ambas poderiam controlar sozinhas. O fato de estarem tão perto da casa dos Cullens parecia um sinal de que talvez precisassem de ajuda. Eles eram diferentes, mas eram também uma família que sabia lidar com o extraordinário. E, em um momento como aquele, Flora não sabia a quem mais recorrer.

— Você... você acha que podemos contar com os Cullens? — Flora perguntou, o olhar ansioso, quase implorando por uma resposta. — Eu sei que a situação com Sam está complicada, mas... eu não sei o que mais fazer, Leah. Eu... preciso de ajuda. E se eles souberem alguma coisa sobre o que está acontecendo com o nosso bebê, talvez... talvez isso nos dê alguma esperança.

Leah ficou em silêncio por um longo momento, os olhos de Flora fixos nela. A casa dos Cullens estava ali, tão perto, e Leah sabia que o risco de se aproximar deles também era grande. Sam não aceitaria bem a ideia de ir até lá, especialmente com toda a tensão entre os lobos e os vampiros.

— Eu não sei, Flora... — Leah finalmente falou, sua voz baixa e tensa. — Sam não vai gostar disso. Ele está... ele está furioso com os Cullens, e eu não sei se isso vai ser uma boa ideia. Mas, ao mesmo tempo, sei que precisamos de respostas. Se alguém pode nos ajudar, são eles. Mas... você está disposta a arriscar?

Flora olhou para Leah com os olhos determinados, mesmo que seu coração estivesse batendo forte de medo. Ela sabia que arriscar tudo naquele momento era algo grande, mas o medo de que algo de errado acontecesse com o bebê, de que eles não tivessem o apoio que precisavam, estava maior.

— Eu... eu arrisco. Por nós. — Flora disse, apertando a mão de Leah. — Porque eu acredito que a gente pode fazer isso. A gente vai encontrar uma solução. Juntas.

Leah olhou para ela, vendo a força nos olhos de Flora. Ela não sabia o que o futuro reservava, mas naquele momento, com a lua cheia brilhando sobre suas cabeças e a casa dos Cullens diante delas, Leah sabia que, para enfrentar o que estava por vir, ela não estava sozinha.

E, com um suspiro, Leah concordou.

— Vamos. Vamos ver o que os Cullens podem nos dizer.














Publicado 02/02/2025

Flora.Onde histórias criam vida. Descubra agora