O som do lápis riscando a folha era quase hipnótico para Flora. Ela estava sentada à mesa da sala de provas, as palavras da última prova de seu último ano escolar se desenrolando à sua frente, uma após a outra. Sentia a pressão de estar finalmente completando algo que havia começado há tanto tempo. As memórias da adolescência, a descoberta de sua identidade e tudo o que se seguiu, faziam com que esse momento fosse mais do que uma simples prova. Era o fechamento de um ciclo, o ponto final que Flora decidira dar na sua vida escolar, algo que ela tinha adiado por tanto tempo, mas que finalmente parecia ao seu alcance.
Enquanto escrevia as respostas com a concentração exigida, o pensamento de Leah e do bebê não saía de sua cabeça. Mesmo sabendo que Leah estava em casa, sendo cuidada e se preparando para a chegada do bebê, Flora não podia deixar de se perguntar se tudo estava correndo bem. A gravidez de Leah tinha sido complicada desde o início, e mesmo agora, com o parto se aproximando, ela ainda sentia a ansiedade. A ideia de perder o bebê, de ver Leah passar por esse momento sozinha, a atormentava.
O celular de Flora vibrou dentro de sua bolsa. Ela tentou ignorar, mas logo a vibração se repetiu, e o som se fez cada vez mais insistente, quase como um grito silencioso chamando sua atenção. Ela olhou para o relógio, tentando se convencer de que precisava terminar a prova. Não podia sair agora, não podia fazer nada que a afastasse do foco. Mas a sensação de algo errado, algo fora do lugar, não a deixava em paz.
Finalmente, ela cedeu, pegou o celular e olhou para a tela. Leah estava ligando. Flora hesitou por um momento. O que ela faria? Não poderia simplesmente parar no meio de tudo isso. Mas o celular vibrou novamente, mais forte, mais urgente. Não era como se Leah ligasse com frequência para distraí-la. Flora sabia que algo estava acontecendo, que precisava atender. Ela deslizou o dedo pela tela, mas, então, hesitou.
**"Eu não posso atender agora. Não posso."**
Ela colocou o celular de volta na bolsa, mas uma sensação crescente de inquietação a dominou. Algo estava errado. O instinto a fez olhar para o relógio novamente, o tempo parecia estar escorregando pelos seus dedos. Ela tentou se concentrar, mas os segundos se arrastavam. O celular vibrou mais uma vez, agora com uma mensagem.
**"Flora, a bolsa estourou. Preciso de ajuda."**
A mensagem de Leah fez seu estômago afundar. **"A bolsa estourou"** — essas palavras ecoaram na mente de Flora como um grito silencioso. Ela não podia ignorar mais. Flora rapidamente pegou suas coisas, largou a caneta, e saiu correndo para o corredor da escola, sem nem se importar com a prova que ainda tinha pela frente. O caminho até a saída parecia um labirinto, mas ela não conseguia se dar ao luxo de pensar em mais nada além de Leah, sozinha, e o bebê prestes a nascer.
Quando saiu do prédio, o frio da tarde a atingiu de imediato, mas o que mais lhe cortava era o pânico que a tomava. Ela olhou para o celular novamente, tentando ligar para Leah, mas a ligação não foi atendida. Flora tentou várias vezes, até que, finalmente, o desespero tomou conta dela. Sem respostas, ela olhou para sua lista de contatos. Seth era a primeira opção, mas a ligação não foi atendida. Ela tentou com outros amigos, mas ninguém parecia disponível naquele momento.
Foi quando, sem mais alternativas, ela teve uma ideia, que imediatamente a deixou tensa. Sam Uley. Ele estava em Forks, e embora Flora o odiasse por tudo o que ele representava na sua vida e na vida de Leah, naquele momento não havia mais tempo para ressentimentos. Ela precisava de alguém que chegasse até Leah rapidamente.
Flora apertou os números no celular, seu corpo tremendo de ansiedade. O telefone tocou uma, duas, três vezes. Quando Sam atendeu, a voz dele foi direta, sem rodeios.
— Flora, o que foi? Você está bem?
Flora não sabia como responder. Sua voz estava embargada, cheia de pânico e desesperada.
— Leah... — Flora falou, quase engasgada. — A bolsa dela estourou! Ela está sozinha, Sam. Eu não consigo chegar a tempo! Ela precisa de ajuda agora. Por favor, você precisa ir até lá.
Houve um silêncio por alguns segundos, antes que Sam falasse com firmeza.
— Não se preocupe. Eu vou cuidar disso. Vou levar Leah para o hospital. Fique calma. Eu já estou indo.
Flora não sabia se podia confiar nas palavras de Sam, mas não tinha escolha. Ela apertou os dentes, tentando controlar o pânico que dominava seu corpo. Ela desligou a ligação e foi o mais rápido que pôde até a casa de Carlisle, onde sabia que Leah iria dar à luz. A cada segundo, sentia o coração bater mais rápido. O que aconteceria até que ela chegasse lá?
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Leah estava em casa, sozinha, sentindo as contrações intensificarem. A dor estava crescente, mas o medo de estar sozinha, de enfrentar isso sem Flora, era ainda mais forte. Ela tentava se manter calma, tentando lembrar-se das instruções que haviam dado a ela no hospital, mas a dor a fazia esquecer tudo. Quando o telefone tocou, ela quase não teve forças para pegar, mas, ao ver o nome de Flora na tela, ela sentiu um alívio momentâneo.
Infelizmente, Flora não atendeu. E então Leah ligou mais uma vez, e mais outra, até o desespero bater forte.
Com o pânico crescendo em seu peito, Leah, no limite de suas forças, mandou a mensagem desesperada para Flora. Ela sabia que algo estava errado. A qualquer momento, o bebê poderia nascer, e ela não estava pronta para isso sozinha.
Por sorte, Sam atendeu seu pedido de ajuda. Em poucos minutos, ele apareceu à porta. Ela o olhou com um misto de emoções, sem saber o que esperar de alguém como ele, mas não havia escolha. Sam a pegou nos braços, e ela quase não resistiu, com o corpo exausto e os olhos cheios de lágrimas. Não era o ideal, mas ele estava ali. Ele a levaria para o hospital.
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Quando Flora finalmente chegou à casa de Carlisle, seu corpo tremia de ansiedade. Carlisle estava esperando, com um sorriso tranquilo, mas seus olhos denunciavam a preocupação.
— Leah está em boas mãos, Flora. Ela está no quarto. Vai dar tudo certo — ele disse, tentando acalmá-la.
Flora não falou nada. Seu coração batia forte enquanto seguia Carlisle até o quarto, onde Leah estava em trabalho de parto. Ao entrar na sala, Leah estava visivelmente cansada, mas sorriu ao ver Flora.
— Achei que você não ia chegar — Leah disse, com um sorriso fraco, mas sincero.
Flora se aproximou rapidamente, pegando sua mão, seus olhos marejados de emoção.
— Eu estou aqui, Leah. Eu estou aqui. — Ela sussurrou, aliviada por finalmente estar ao lado dela.
A dor estava intensa, mas Leah parecia mais calma agora, com Flora ao seu lado. Elas estavam juntas, e a jornada do nascimento do bebê estava prestes a começar, com o bebê, a esperança, e o amor entre elas.
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Flora.
Hayran KurguOnde Flora muda-se de estado após ter seu segredo revelado ou Onde Leah tem um imprinting?
