Bebê

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A casa de Carlisle estava silenciosa, exceto pelo som suave da respiração de Leah e o ritmo cadenciado dos monitores que acompanhavam o trabalho de parto. Flora estava ao lado de Leah, segurando sua mão com força enquanto a dor tomava conta de sua amada. As contrações estavam intensas e cada movimento de Leah parecia ser um esforço sobre-humano, mas ela estava decidida a manter a calma.

Os olhos de Leah estavam cerrados, suas mãos tremiam, mas Flora notou a força em seu rosto. Era uma força que ela nunca tinha visto antes, como se o fato de carregar uma vida dentro de si a tivesse transformado de uma forma irreconhecível. Flora sabia que, apesar do medo que a consumia, Leah estava pronta. Pronta para dar à luz, pronta para ser mãe.

Leah respirava fundo, tentando controlar a dor, mas sabia que não conseguiria evitar. A cada contração, ela apertava mais forte a mão de Flora, como se aquela conexão fosse tudo o que ela precisava para se manter firme. A dor era insuportável, mas Flora a tranquilizava com palavras suaves.

— Você está indo bem, Leah. Está fazendo tudo certo. Eu estou aqui, você vai conseguir.

Mas Leah não estava tão certa disso. Ela sentia cada onda de dor como uma onda gigante, ameaçando submergi-la. A cada contração, a pressão no seu ventre aumentava, e ela sabia que não demoraria mais. O bebê estava prestes a nascer.

Os minutos pareciam se arrastar, mas então, finalmente, a pressão em seu abdômen se tornou insuportável. A sensação de empurrar, de ter algo crescendo dentro de si e querendo sair ao mesmo tempo, era esmagadora. Ela gritou, um som primal, enquanto se preparava para o momento culminante.

— Está quase, Leah, apenas um pouco mais. — A voz de Carlisle, calma e segura, era um consolo para ela. Ele estava ao lado dela, observando com atenção, pronto para intervir se necessário. — Apenas respire, mais uma vez.

Leah fechou os olhos com força e fez o que ele disse. Ela respirou fundo, sentindo a pressão que fazia seu corpo tremer de cansaço. A dor se tornou ainda mais intensa, e o momento de perder o controle estava cada vez mais próximo. Mas ela não queria se perder. Não agora. Não quando tudo estava prestes a mudar para sempre.

Com um último esforço, um grito de pura força e desespero, Leah empurrou, sentindo o bebê se mover, se abrir caminho para o mundo. Era um esforço final, uma batalha final contra as ondas de dor que a invadiam, mas ela conseguiu. Em um último empurrão, o bebê saiu.

A sala foi tomada por um silêncio pesado, um silêncio que durou apenas alguns segundos antes de ser quebrado por um som indescritível. O choro do bebê. O som mais doce que Leah já havia ouvido. A emoção tomou conta dela de uma forma avassaladora, como uma onda, e ela fechou os olhos, exausta e aliviada. Ela tinha dado à luz.

Carlisle cuidadosamente colocou o bebê nos braços de Leah, que, com as mãos trêmulas e molhadas de suor, olhou para o pequeno ser que agora fazia parte de sua vida. Flora, ao lado de Leah, sentiu as lágrimas escorrerem por seu rosto. Ela nunca imaginou que seria testemunha de algo tão profundo, tão humano.

O bebê de Leah era pequeno, mas forte. O pequeno corpo estava coberto por uma fina camada de vernix, e ele se mexia nos braços de Leah com movimentos inquietos. Sua pele tinha um tom levemente avermelhado, característica dos recém-nascidos, mas os olhos do bebê estavam fechados, incapazes de ver ainda o mundo ao redor. Ele tinha uma cabeleira escura, espessa, quase como se já estivesse pronto para enfrentar qualquer coisa que a vida lhe trouxesse.

Leah olhou para Flora, lágrimas escorrendo em seu rosto. Sua expressão era uma mistura de cansaço, alívio e um amor incondicional que nenhuma palavra poderia traduzir.

— Ele é... perfeito, Flora. Ele é perfeito. — A voz de Leah estava embargada de emoção, como se tudo o que ela havia passado até aquele momento tivesse valido a pena. Ela olhou para o bebê nos seus braços, os olhos brilhando com uma luz nova, a luz de uma mãe que finalmente conhecera seu filho.

Flora sorriu, sentindo a emoção tomar conta de seu corpo. Ela se ajoelhou ao lado de Leah, colocando uma mão sobre a de sua amada e tocando suavemente a testa do bebê.

— Ele é perfeito, Leah. Ele é nosso.

O bebê continuava a chorar suavemente, seus pequenos pulmões se acostumando com o ar, mas a sensação de vida e amor na sala era palpável. Ele era o símbolo de tudo o que elas haviam enfrentado, e ainda enfrentariam. O começo de uma nova jornada. Uma jornada que Leah e Flora agora começavam, não mais como duas jovens em busca de respostas, mas como mães, com o futuro de uma nova vida nas mãos.

O tempo parecia ter desacelerado. A dor, as horas de expectativa, as dificuldades do parto, tudo se desvaneciam diante daquela realidade. O bebê estava ali, no centro de tudo, e o amor de Flora e Leah se expandia para dar espaço àquele ser pequeno e perfeito, que agora as unia de uma maneira que nunca poderiam ter imaginado.

Carlisle, que havia permanecido calmo durante todo o processo, se aproximou com uma expressão suave. Ele fez os primeiros exames no bebê, verificando o peso e as condições gerais. O bebê era saudável e, de acordo com o médico, estava tudo bem.

— É um menino, Leah — ele disse, sorrindo gentilmente para as duas. — Ele é forte e saudável, um verdadeiro guerreiro... Já escolheram um nome?

- Will, vamos chamá-lo de Will.

Leah sorriu, uma expressão de alegria genuína iluminando seu rosto, enquanto Flora a observava com um amor profundo.

Flora nunca tinha imaginado que a maternidade fosse algo tão transformador, mas, vendo Leah segurando aquele pequeno ser, ela sabia que sua vida jamais seria a mesma. O bebê deles era a representação de tudo o que elas haviam conquistado, de todas as batalhas que haviam enfrentado. Ele era a prova de que o amor e a coragem podem superar qualquer obstáculo.

Naquele momento, Flora se sentiu inteira. A família que ela sempre sonhou, que ela e Leah haviam criado juntas, finalmente estava ali. O bebê, com seus pequenos movimentos e gracinhas, era o novo capítulo da vida delas. E, ao olhar para ele, Flora soube que não havia nada que elas não pudessem enfrentar juntas.

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