Dia tranquilo

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Publicado 28/01/2025

O sol da manhã entrou suavemente pela janela do quarto de Flora, iluminando a mesa onde seus livros estavam espalhados. Ela olhou para o relógio, ainda sonolenta, e se espreguiçou. A casa estava silenciosa, como sempre. Flora morava sozinha havia algum tempo, e, embora tivesse se acostumado com a solitude, algumas manhãs eram mais difíceis de suportar do que outras. A lembrança de Leah, que logo a encontraria, trouxe-lhe uma sensação de calor que a motivou a se levantar da cama.

O café da manhã foi simples, como de costume: uma torrada, um pouco de café, e logo ela estava pronta para enfrentar o dia. Flora pegou sua mochila e saiu. A escola não era um lugar onde se sentia completamente à vontade, mas conseguia sobreviver. A maior parte do seu tempo estava ocupada com pensamentos sobre Leah, e isso fazia até os dias mais difíceis parecerem suportáveis.

O relógio parecia andar mais devagar do que o normal na escola. As horas de aula passaram sem grandes incidentes, mas sua mente estava distante. O que realmente importava era a tarde que teria com Leah. A ideia de se encontrar com ela sempre trazia uma sensação de paz. Flora sentia que, quando estava com Leah, o mundo ao redor dela parecia perder a importância. As conversas fáceis, as risadas, a companhia silenciosa... tudo parecia estar no seu lugar.

Quando o último sinal tocou, Flora pegou rapidamente suas coisas e se dirigiu até o ponto de encontro. Leah já a aguardava, encostada no carro, com um sorriso que fazia o coração de Flora bater mais rápido.

"Oi, Flora", Leah disse, ao abrir a porta do carro. "Pronta para um passeio?"

"Com você, sempre", Flora respondeu, com um sorriso genuíno. Ela entrou no carro e sentiu a familiaridade do momento — a segurança de estar ao lado de Leah. Elas seguiram em direção ao centro da cidade, onde as ruas estavam mais calmas e o vento frio da tarde tornava a atmosfera ainda mais aconchegante.

A noite chegou mais rápido do que Flora esperava. Elas tinham se distraído tanto com o passeio e as conversas que, quando se deram conta, era hora de ir até a lanchonete onde Flora havia combinado de se encontrar com os "Frios". O grupo de vampiros era uma parte peculiar da vida dela, e, embora Flora os aceitasse como parte do seu mundo agora, Leah não compartilhava da mesma visão.

"Não gosto deles", Leah disse a Flora enquanto dirigiam até o local. "Eles são... diferentes. Fria e calculadamente diferentes."

Flora sabia que Leah tinha um certo desdém pelos vampiros, especialmente porque, em suas palavras, eles eram distantes e desconectados da realidade dos outros seres. Ela entendia a preocupação de Leah, mas sabia também que o grupo era importante para ela. O convite para o jantar no dia seguinte a deixava dividida, mas, no fundo, Flora sentia que era algo que precisava acontecer para que ela compreendesse melhor as nuances desse mundo.

Quando entraram na lanchonete, os "Frios" estavam sentados em uma mesa no canto. Edward, Bella, Alice, Jasper, Emmett e Rosalie. O ambiente tinha sempre um toque de frieza quando estavam por perto, e Flora sabia que Leah sentia isso de maneira intensa. Ela se sentou ao lado de Leah, que estava visivelmente tensa, mas manteve uma expressão controlada.

"Oi, Flora", Edward disse, seu tom suave e calculado, mas com um sorriso amigável. "Boa noite, Leah."

Leah respondeu com um aceno, sem sorrir, deixando claro que não tinha interesse em manter conversas amigáveis com os vampiros. Flora se sentou, tentando suavizar o ambiente, mas não podia deixar de perceber a tensão crescente entre Leah e o grupo.

"Como foi o dia de vocês?" Flora perguntou, tentando puxar uma conversa mais neutra.

"Tranquilo", Bella respondeu com seu sorriso acolhedor, mas Flora sabia que algo estava subentendido. "Nada demais. Estamos apenas tentando entender como lidar com algumas situações que surgiram. Estamos nos preparando para o futuro, como sempre."

"Prepara-se para o futuro?" Flora perguntou, tentando entender o que aquilo significava. Ela estava começando a perceber que havia mais em jogo do que ela poderia imaginar.

"Sim", Rosalie respondeu, com sua expressão fria e algo distante. "Algumas coisas estão se movimentando, e estamos tentando manter o controle."

Flora franziu a testa, preocupada. A conversa parecia estar levando a um lugar que ela não estava pronta para explorar, mas sabia que o mundo em que se encontrava exigia que ela estivesse atenta.

"Falando em controle", Alice interveio, com um sorriso travesso. "Flora, você e Leah têm estado mais próximas ultimamente. Como está indo entre vocês?"

Flora olhou para Leah, que estava visivelmente incomodada com a pergunta. "Estamos bem", respondeu Flora, tentando aliviar a tensão. "Leah e eu nos damos muito bem."

Leah, no entanto, permaneceu quieta, seu olhar frio e distante, mais atento aos movimentos do que à conversa. Ela claramente não estava à vontade com a presença dos vampiros.

Após a conversa com os vampiros, Flora e Leah se afastaram um pouco, caminhando pela calçada à noite. A conversa voltou a um ritmo mais tranquilo, mas Leah parecia pensativa.

"Flora", ela começou, sua voz suave, mas com um tom de algo mais profundo. "Eu queria te contar algo. Uma história sobre uma outra tribo de lobisomens."

Flora a olhou, curiosa. "Outra tribo? De onde?"

Leah respirou fundo. "É uma história de uma transmorfa... uma de nossa tribo, que teve um filho, mesmo sendo um lobisomem. Não é algo que se ouve falar com frequência. Mas foi algo... raro."

Flora ficou atenta. "Sério? Como ela conseguiu isso?"

"Na verdade", Leah respondeu, "ninguém sabe ao certo. Aparentemente, o amor dela por um ser humano foi tão forte que ela conseguiu engravidar. O que é... incomum, para dizer o mínimo. Mas o mais impressionante é que a criança nasceu com a habilidade de controlar a transformação. Ela se tornou uma ponte entre os lobisomens e o resto do mundo. Algo que, até hoje, a maioria de nós não entende completamente."

Flora ficou em silêncio, processando a história. "Isso é incrível. Você acha que algo assim poderia acontecer aqui?"

Leah olhou para ela, seus olhos sérios. "Eu não sei. Mas talvez, se os tempos mudarem... quem sabe? O mundo é maior e mais complicado do que a gente imagina."

Flora refletiu sobre as palavras de Leah. A ideia de uma criança que poderia equilibrar duas naturezas tão opostas, de alguma forma, parecia surreal, mas ao mesmo tempo, intrigante. Talvez houvesse muito mais acontecendo ao seu redor do que ela imaginava.

"Você acha que essa tribo... essa transmorfa e o filho dela... ainda estão por aí?", Flora perguntou, agora realmente interessada. A possibilidade de conhecer uma parte do mundo que ela mal compreendia, mas que parecia tão relevante para tudo o que acontecia com Leah e os lobisomens, a atraiu de maneira inesperada.

Leah hesitou, dando um olhar distante. "Eu não sei. Mas sei que eles são parte de algo maior. Talvez existam outros como eles, que estão escondidos ou afastados, esperando para se revelar. Eu gostaria de visitar esse lugar com você, Flora. Se você tiver coragem, podemos procurar por essa tribo."

A ideia de explorar algo tão desconhecido e misterioso, de conhecer uma parte do mundo que Leah parecia entender tão bem, fez o coração de Flora acelerar. Ela nunca havia considerado a possibilidade de se aventurar tanto assim, mas a maneira como Leah falava sobre isso, com tanto respeito e curiosidade, despertou uma vontade crescente de conhecer mais.

"Eu topo", Flora disse, sua voz quase um sussurro. "Se você achar que é seguro, eu adoraria conhecer mais sobre isso. Deve ser uma experiência única."

Leah sorriu, um sorriso suave e cheio de confiança. "Eu sabia que você diria isso. Vamos ver até onde essa história pode nos levar."

O resto da noite foi calmo. Flora e Leah se despediram, e Flora seguiu para casa. A sensação de estar sozinha em seu apartamento novamente foi reconfortante, mas, ao mesmo tempo, ela sabia que os eventos estavam se movendo em uma direção inesperada. O convite para o jantar com os vampiros no dia seguinte pairava em sua mente, e ela sabia que seria um passo importante para entender o que estava acontecendo no mundo que ela agora fazia parte.

Ela se deitou na cama, o pensamento em Leah e nas histórias que ouvira, sentindo o peso de tudo que estava por vir. O futuro parecia nebuloso, mas com Leah ao seu lado, Flora sentia que poderia encarar qualquer coisa.

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