Depois do Shi-oh surtar e sair, decidi terminar de almoçar e ir visitar minha mãe. Bom, na verdade não era minha mãe, era minha avó, mas eu sempre a tratei como mãe. Fazia muito tempo que eu não a via.
Dei três batidas na porta. — Mamãe?
— Estou indo! - Escutei o grito da minha mãe. — Hae-won, minha filha.
Sorri ao ver o rosto da minha mãe. — Mamãe.
— Como você está?. - Minha mãe sorri. — Venha, entre.
— Estou bem, e você mãe?
— Estou bem.
O dia passou correndo, eu passei o dia ajudando minha mãe a arrumar a casa.
— Fique para jantar minha filha.
— Certo, vou ficar mãe. - Sorrio com a fala dela.
Eu estava sentada à mesa da cozinha, os pensamentos pesando como uma âncora. Minha mãe estava ali, ao meu lado, preparando o jantar, como se nada estivesse fora do lugar. Mas eu sabia que ela sentia. Ela sempre soubera quando algo não estava certo, quando eu estava escondendo algo. E não demorou muito para ela quebrar o silêncio.
— Você está diferente, Hae-Won. Algo está acontecendo, não está?. - Ela olhou para mim enquanto mexia na panela, seus olhos transbordando preocupação. — Eu posso ver nos seus olhos. Algo não está certo. O que está acontecendo com você?
Senti um nó na garganta. Não havia mais como esconder. Ela tinha razão. Eu sabia que não podia enganá-la por muito tempo. Respirei fundo e, com a voz um pouco trêmula, finalmente disse o que vinha me consumindo.
— Eu... Eu me envolvi com alguém, mãe. Ryu Shi-Oh. - Minha voz falhou, mas consegui completar a frase.
Minha mãe parou de mexer na panela e me olhou com uma expressão que não consegui interpretar. A preocupação em seus olhos aumentou, e ela colocou a colher na mesa, encarando-me com seriedade.
— Ryu Shi-Oh?. - Ela repetiu, seu tom agora tenso. — Esse nome... Eu já ouvi falar dele. Ele não é aquele homem que passa na tv, que é envolvido com o tráfico de drogas, não é? O homem perigoso?
Meu coração deu um pulo. Como ela sabia? Eu já esperava essa reação, mas ainda assim não estava preparada para ouvir isso de sua boca.
— Sim, mãe. - Disse, a voz mais baixa, como se eu estivesse carregando um peso ainda maior. — Ele está envolvido com isso. É traficante. Eu sei disso. Eu sei tudo. Ele tem um lado sombrio, que eu não posso ignorar. Mas... eu... eu amo ele.
— Como você o conheceu minha filha?
— Era uma missão, mas me demitiram da policia, e ele disse que eu podia ficar, ele sabe de tudo.
As palavras saíram, e foi como se uma onda tivesse me atingido. Eu sabia que aquilo ia mudar tudo. O silêncio que se seguiu foi profundo, pesado, e eu quase podia ouvir o som da minha própria respiração. Minha mãe ficou quieta por um momento, e seus olhos ficaram fixos em mim, tentando absorver tudo o que eu acabara de dizer.
Ela suspirou e, sem desviar o olhar, sentou-se ao meu lado na mesa. Colocou a mão sobre a minha, e a sua expressão mudou para algo mais suave, mas ainda assim cheia de um tipo de tristeza que eu não sabia explicar.
— Hae-Won, filha... - Ela começou, e a voz dela estava cheia de uma preocupação imensa. — Eu sei que você está apaixonada, e sei que o amor é algo que não dá para controlar. Mas você precisa entender uma coisa. Ele é envolvido com algo muito perigoso. Eu sei disso. E eu tenho medo que você se perca nesse caminho. Ele não vai mudar, minha filha. Ele já fez suas escolhas. E você... você não pode se perder nisso. Você não pode permitir que ele destrua a sua vida.
Eu olhei para a mão dela sobre a minha, mas não consegui desviar o olhar. Eu sentia o peso das palavras dela, sabia que o que ela dizia era verdadeiro, mas algo dentro de mim ainda resistia. Eu sentia que havia mais em Shi-Oh do que todos viam. Eu via um lado dele que ninguém mais via, e isso me fazia sentir como se eu fosse a única que realmente o entendia. Eu não sabia se isso era verdade, mas, no fundo, não conseguia abandonar esse sentimento.
— Mãe... Eu entendo o que você está dizendo. - Comecei, a voz tensa. — Mas ele não é só isso. Ele não é só o traficante, não é só a pessoa que todo mundo diz que ele é. Eu vejo algo nele. Ele tem um lado diferente, um lado que ninguém mais vê. Eu sei que ele fez coisas erradas, mas eu... eu amo ele. E não posso ignorar isso.
Minha mãe olhou nos meus olhos com uma intensidade que eu nunca tinha visto antes. Ela sabia que eu estava dizendo a verdade, mas também sabia que eu estava me deixando levar por algo que poderia me destruir.
— Hae-Won, o que você está dizendo... Não é simples. Você não está vendo a situação como ela realmente é. O amor que você sente por ele pode ser bonito, mas ele também pode ser a coisa mais destrutiva da sua vida. Eu te criei para ser forte. Eu te ensinei a lutar, a não se deixar envolver por algo que poderia te destruir. E eu vejo você se afundando nisso. Ele... ele não vai mudar. Ele vai te levar para o fundo com ele.
As palavras dela bateram forte. Eu sabia que ela estava certa, em muitos aspectos. Mas, ao mesmo tempo, não podia evitar o que sentia. Eu já estava tão envolvida, tão imersa nesse amor, que parecia impossível sair. Eu não sabia se era cega ou só estava tentando me convencer de que ele poderia ser diferente, mas naquele momento, não importava. O que eu sentia por ele estava mais forte do que qualquer razão.
— Mãe... eu sei que você tem razão. - Disse, a voz mais fraca. — Mas... eu não posso deixar de amar ele. Eu não posso ignorar o que sinto, por mais que seja errado. Eu não sei até onde isso vai me levar, mas eu preciso seguir meu coração. Eu... eu preciso tentar.
Ela suspirou, sua mão apertando a minha com mais firmeza. — Eu só quero que você se cuide, filha. E que, um dia, você veja além disso. Eu te amo, e quero o melhor para você. Mas, por favor, entenda... às vezes o amor não é suficiente para salvar alguém. E você merece mais do que ser arrastada para esse caminho.
Eu sabia que ela estava preocupada. Eu sabia que ela estava tentando me proteger. Mas, naquele momento, as palavras dela pareciam se perder na distância entre nós. O que eu sentia por Shi-Oh estava me consumindo, e eu não sabia se poderia voltar atrás.
— Eu vou tomar cuidado, mãe. Mas eu preciso seguir meu coração. Eu não posso ignorar isso. - Falei, sentindo uma tristeza profunda invadir meu peito.
Minha mãe olhou para mim, seus olhos cheios de dor, mas também de uma aceitação silenciosa. — Eu espero que você saiba o que está fazendo, filha. Só espero que você não perca a si mesma no meio disso.
E, com isso, ela me deu um abraço apertado, como se estivesse me deixando ir, mas ainda assim me protegendo de alguma forma. Eu sabia que, no fundo, ela sempre estaria lá para mim, mas naquele momento, eu não sabia se conseguiria encontrar o equilíbrio entre o que ela queria e o que meu coração pedia.
Eu tinha que seguir meu caminho. Mesmo sabendo que ele poderia ser mais escuro do que eu imaginava.
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Dangerous - Ryu Shi-Oh
FanfictionEu sou uma policial, o meu dever é proteger as pessoas, por que eu to fazendo isso? "Droga, ele tem olhos lindos amiga." Eu entrei nessa empresa pra investigar ele e não me apaixonar, mas que porra. Eu não sou uma criança, é só um homem bonito. "Voc...
