Era um dia normal onde eu estava indo trabalhar, mas por algum motivo Shi-oh não estava na empresa. Ele não havia me contado nada sobre não ir trabalhar.
Eu estava sozinha no escritório de Shi-oh, o silêncio pesado ao meu redor. As luzes fracas do corredor brilhavam fracamente, quase como se o prédio inteiro estivesse esperando por algo que, de alguma forma, eu sabia que estava prestes a acontecer.
De repente, meu celular vibrou sobre a mesa, interrompendo o silêncio. Eu olhei rapidamente para a tela. Hee-sik. Meu coração acelerou instantaneamente. Ele nunca me ligava, e quando fazia, era porque algo importante estava acontecendo. Algo grande.
Eu atendi sem hesitar.
— Hae-won, é o Hee-sik — sua voz estava mais grave do que o normal, e eu senti um frio se espalhar pela minha espinha. — Você precisa ouvir isso agora.
Meu estômago apertou. Algo estava errado, eu sabia. Eu sabia que ele estava prestes a me contar algo que eu não queria ouvir. Algo que mudaria tudo.
— O que aconteceu, Hee-sik? Onde ele está? — Eu tentei manter a calma, mas minha voz traiu o medo que estava começando a se infiltrar em mim.
Ele fez uma pausa longa, muito mais longa do que o normal. O silêncio se arrastou por alguns segundos que pareceram uma eternidade. Então, ele falou, e cada palavra caiu como uma pedra em meu peito.
— Ryu Shi-oh... ele está em um prédio abandonado no bairro industrial. Eles estão indo atrás dele, Hae-won. Ele vai morrer.
Eu congelei. Meu corpo inteiro parou, e a respiração se tornou difícil. Eu sabia que ele estava em perigo, mas as palavras de Hee-sik ainda soaram como um soco no estômago. Eu não queria acreditar, não queria que fosse verdade. Eu precisava de mais informações, mais explicações.
— O quê? — A minha voz saiu quase como um sussurro. — Como você sabe disso? Você está falando sério?
Havia uma tensão na voz de Hee-sik que eu nunca tinha ouvido antes. Ele parecia... angustiado, como se já soubesse que não havia nada que pudesse ser feito.
— Eu acabei de receber a confirmação. Eles já estão chegando lá. Não há como ele escapar, Hae-won. Eles vão fazer o que for preciso. Ele já está marcado. E você precisa saber disso antes, para não ser pega de surpresa.
Aquelas palavras me cortaram como uma lâmina. Eu não conseguia processar, não conseguia aceitar. Ele estava me dizendo que Ryu Shi-oh estava prestes a morrer, que os policiais já estavam chegando lá e nada poderia impedir. Meu coração começou a bater mais rápido, e minha mente corria em mil direções, tentando encontrar uma saída, uma forma de impedir aquilo.
— Não! — Eu não consegui evitar o grito. — Não, Hee-sik, não pode ser! Eu preciso ir até lá! Ele precisa de mim! Eu não vou deixá-lo!
Eu me levantei da cadeira, sentindo o impulso de correr, de ir até ele, mas algo em minha cabeça me dizia que já era tarde demais. Eu já sabia, no fundo, que não haveria mais tempo. Mas não conseguia simplesmente ficar ali, sem fazer nada. Não depois de tudo.
— Hae-won, escute — a voz de Hee-sik agora estava mais suave, quase como uma súplica. — Não há nada que você possa fazer. Não é hora de tentar ser a heroína. Eles já estão chegando no prédio, já o cercaram. Você vai se colocar em perigo, e eu não posso permitir isso. Ele... ele já está perdido. Você precisa se proteger também.
Aquelas palavras me atingiram com uma força indescritível. Eu sabia que ele tinha razão, mas meu coração se recusava a aceitar. Eu não poderia simplesmente aceitar isso. Eu não poderia perder ele.
— Não, Hee-sik! Eu não posso ficar aqui, sabendo que ele está lá sozinho, sem nada a fazer! Eu... Eu não vou deixar isso acontecer! Ele... ele é tudo o que eu tenho agora! Eu preciso ir até ele!
Eu não conseguia mais falar com clareza. As palavras saíam atropeladas, entrecortadas por soluços e respirações irregulares. Meu corpo estava em chamas, mas minha mente estava congelada, incapaz de entender que aquilo estava realmente acontecendo.
Houve uma pausa no outro lado da linha, como se Hee-sik soubesse o que eu estava sentindo, mas não soubesse como impedir a dor que eu estava prestes a enfrentar.
— Hae-won, eu sei o que você está sentindo. Eu sei, mas você precisa ouvir o que estou dizendo. Não há mais nada que você possa fazer. Ele... ele vai morrer, Hae-won. Você não pode mudar isso. Eu só queria que você soubesse disso antes de tudo.
Eu fechei os olhos, sentindo o peso daquelas palavras esmagar tudo dentro de mim. Ele estava certo. Eu sabia disso, mas não queria aceitar. Aquele homem, que eu havia começado a amar em meio ao caos, estava prestes a ser arrancado de minha vida para sempre.
— Eu... Eu preciso vê-lo. Hee-sik, eu preciso ir até lá. — Eu falei, minha voz mais baixa agora, quase uma súplica. — Eu preciso, ou eu vou enlouquecer.
Hee-sik suspirou, e pela primeira vez, ouvi uma verdadeira tristeza em sua voz.
— Você sabe o que está fazendo, não sabe? — Ele perguntou, e eu percebi que ele estava com medo, não por mim, mas pelo que eu estava prestes a fazer.
— Eu sei. Eu sei o que estou fazendo. — Minha voz falhou, mas eu me recompus. — Eu sei, Hee-sik. Eu vou até ele. Não importa o que aconteça.
Com isso, desliguei o telefone. O som do toque final cortou o ar, mas a decisão já estava tomada. Eu não tinha escolha. Eu não poderia simplesmente deixar que ele morresse sozinho. Eu precisava estar lá. Mesmo que fosse tarde demais.
Eu olhei para o celular e recebi a notificação do endereço, olhei para a porta do escritório, um abismo se abrindo à minha frente, e o único pensamento que eu tinha era: "Eu vou até ele, seja o que for."
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Dangerous - Ryu Shi-Oh
FanfictionEu sou uma policial, o meu dever é proteger as pessoas, por que eu to fazendo isso? "Droga, ele tem olhos lindos amiga." Eu entrei nessa empresa pra investigar ele e não me apaixonar, mas que porra. Eu não sou uma criança, é só um homem bonito. "Voc...
