VIII

36 8 0
                                        

Domingos sempre foram chatos, principalmente quando não haviam corridas durante a noite ou madrugada. Eu já estava a mais de uma hora acordada olhando pro teto, pensando em como o dia iria ser longo.

— Vegetação virou seu novo hobby favorito?— Ouço a voz de Tom.

Olho pro garoto que está encostado no batente da porta.

—  Há quanto tempo você ‘tá aí?

— O suficiente pra ver seu novo hobby. Quer que eu traga café na cama?

— Meu pai contratou uma babá?

— Eu prefiro anjo da guarda.

— Engraçado… achei que anjos não tivessem cara de deboche.

— Eu sou um novo modelo. Vim com sarcasmo embutido e modo soneca depois das dez.

— Então explica por que ainda ‘tá aqui.

— Curiosidade científica. Nunca vi alguém encarar o teto como se ele tivesse ofendido sua família inteira.

— Eu não…

— Tudo bem, Sherlock, só estou tentando entender se você está resolvendo um mistério ou planejando minha morte. Vou te trazer café.

Nossas trocas de diálogos sempre serão assim? Com bate-volta, ironia e sarcasmo?

Ele revira os olhos como se tivesse lido meus pensamentos, mas sumiu pelo corredor.

Aproveito o momento de paz para respirar fundo e me espreguiçar, sentindo o corpo ainda meio preguiçoso. Minutos depois, o cheiro de café invade o quarto, e antes que eu possa duvidar, ele reaparece segurando uma caneca.

— Aqui está, Vossa Alteza. Café feito com muito carinho e zero cuspe.

— Generoso da sua parte, Kaulitz. — Pego a caneca e dou um gole. — Se bem que, eu devia ter pedido para provar antes.

— Ainda dá tempo. Quer que eu tome um gole?

— Não, já tomei o primeiro.

Ele se senta na poltrona do canto cruzando os braços.

— Qual é o plano do dia? Além de ofender tetos?

Dou de ombros.

— Sobreviver já está de bom tamanho.

— Justo. Vou só ficar de olho para garantir que ninguém saia ferido no processo.

— Bom saber que tenho um segurança particular.

— Eu prefiro "assistente de caos".

Dou um sorriso de canto e tomo mais um gole do café, já prevendo que o dia ao lado dele não vai ser nada tranquilo.

— A noite vai ter uma festa!

— Tenho permissão de te levar? — Ele pergunta.

— Tem a minha, é mais que o necessário.

— Sabe que sou pago pelo seu pai, preciso de ordens diretas dele.

— Tom, preciso resolver algumas coisas pessoais.

— Eu resolvo tudo pra você, é pra isso que eu fui contratado.

Merda! Eu não consegui despistar ele uma vez, não vai ser dessa vez que vou conseguir.

— O que é tão sério que você precisa resolver pessoalmente? — Tom cruzou os braços, me encarando com aqueles olhos cheios de suspeita.

Meu coração deu um salto, mas mantive a expressão firme. Eu não podia gaguejar agora.

𝔓𝔯𝔬𝔱𝔢𝔤𝔦𝔡𝔞 𝔭𝔢𝔩𝔞 𝔬𝔟𝔰𝔢𝔰𝔰𝔞̃𝔬 || 𝔗𝔬𝔪 𝔎𝔞𝔲𝔩𝔦𝔱𝔷Onde histórias criam vida. Descubra agora