XV

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— Senhorita Gallagher? — a voz do professor de Cálculo me tirou do transe. — Está um pouco distraída, não acha? Vá lavar o rosto e volte em breve.

Em que momento parei de prestar atenção na lousa? Admito que estava pensando em Tom... ou melhor, no convite que ele fez.

— Vamos? — Tom que senta ao meu lado estendeu a mão.

Peguei na mão dele e me levantei, seguindo em direção à porta. Saímos da sala e os corredores estavam desertos.

— Por que estava distraída, Katrina? — ele perguntou atrás de mim.

— Não sei ao certo... minha mente simplesmente desligou, nem percebi. — respondi com simplicidade.

— Pode ser ansiedade, ou algo parecido. Quer que eu marque uma consulta depois da aula?

— Não, obrigada. Talvez... se piorar.

— Vá ao banheiro. Eu vou até a cantina buscar algo pra você comer. Pode ser só fome.

Eu ia recusar, mas meu estômago roncou antes. Realmente, eu estava começando a sentir fome.

Entrei no banheiro, fui até a pia, abri a torneira e deixei a água gelada escorrer entre os dedos antes de molhar o rosto. A ansiedade, o sono, a fome... talvez a soma disso tudo tenha causado esse pequeno colapso.

— Ok, foi só um momento de distração. Vamos voltar ao normal. — murmurei para mim mesma.

— Falar sozinha não é um bom sinal, sabia?

A voz me fez gelar.

Virei de repente. Era Tom.

— Sou eu, calma. — ele levantou as mãos, como quem se rende, segurando um pacote e uma garrafa que presumi ser cappuccino. — Você está assustada demais. O que está acontecendo? Sabe que pode me contar tudo.

Encarei meus pensamentos: "Claro que posso te contar, né? Estou ansiosa porque vamos ter um encontro... só isso."

— Tem muitos carros na oficina, os carregamentos estão atrasados, dormi mal... e tô com fome. Tem muita coisa acontecendo. Ficar 'sóbria' tá difícil. — Fiz aspas no ar, tentando aliviar o peso da frase com um meio sorriso.

— Quer ir pra casa? Eu consigo te liberar com a diretoria.

— Não posso. Tenho corrida hoje à noite. Se eu der qualquer desculpa agora, meu pai me proíbe de ir. — forcei um sorriso fraco. — O que trouxe pra mim?

— Coxinha, hambúrguer daqueles que você ama da cantina, e um cappuccino. Onde quer comer?

— Pode ser lá no vestiário. Se me virem na cozinha de novo, vão reclamar com a dona. Já aconteceu antes.

— Eu entro com você, já que não tem meninas lá agora. Mas se bater o sinal e as alunas começarem a chegar, vou ter que sair e achar outro lugar.

Assenti, peguei algumas folhas de papel para secar o rosto e saímos juntos em silêncio pelo corredor até o vestiário feminino. Nos fundos havia um banco onde me sentei, finalmente com a sensação de que poderia respirar por um instante.

O banco no fundo do vestiário era estreito e frio, mas naquele instante parecia o melhor lugar do mundo. Me sentei devagar, sentindo o cansaço pesar nos ombros. Tom se abaixou à minha frente, tirando com cuidado a embalagem de papel da sacola.

— Toma. Come isso antes que seu cérebro decida desligar de novo. — ele disse com um meio sorriso, estendendo o hambúrguer.

Peguei sem dizer nada e dei uma mordida. Estava faminta, mas tentava disfarçar. O silêncio entre nós não era desconfortável. Era denso, carregado de tudo que não estávamos dizendo.

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⏰ Última atualização: May 21, 2025 ⏰

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𝔓𝔯𝔬𝔱𝔢𝔤𝔦𝔡𝔞 𝔭𝔢𝔩𝔞 𝔬𝔟𝔰𝔢𝔰𝔰𝔞̃𝔬 || 𝔗𝔬𝔪 𝔎𝔞𝔲𝔩𝔦𝔱𝔷Onde histórias criam vida. Descubra agora