Acordei com o som do meu celular vibrando na mesa de cabeceira. O sol entrava pela janela, iluminando o quarto com uma luz quente, mas a sensação de peso no meu peito me fez querer ficar na cama por mais um tempo.
O que eu mais queria era me esconder de tudo e de todos, principalmente de Tom. Ontem à noite, nossa discussão ainda martelava na minha mente. Era como se, de repente, eu não tivesse mais controle sobre a minha própria vida.
Suspirei e desliguei o despertador, decidindo que era melhor enfrentar o dia. Levantei-me e me arrumei, escolhendo uma blusa preta larga e uma calça jeans, confortável o suficiente para eu me sentir livre, mas ainda assim disfarçando a insegurança em que eu me encontrava.
Olhei-me no espelho, alguns fios soltos das minhas tranças indicavam que já precisava de uma manutenção então coloquei novamente uma durag por cima, meus olhos ainda estavam pesados de sono, mas decidi que não iria me deixar abater. Ignoraria Tom e o peso de suas palavras.
Desci as escadas em silêncio, tentando evitar qualquer encontro com meu pai ou Tom. A cozinha estava vazia, o cheiro do café fresco preenchia o ar. Peguei uma caneca e me servi, sentindo o calor do líquido aquecer minhas mãos. O café era a única coisa que me deixava um pouco mais alerta.
Enquanto tomava um gole, ouvi passos atrás de mim. Era Tom. Ele apareceu no batente da porta, não tive coragem de olhar sua íris, mas o seu silêncio era como se ele esperasse que eu falasse alguma coisa.
— Bom dia, Katrina. — finalmente ele disse, com um tom suave.
Eu apenas virei meu olhar para a janela, fazendo o possível para ignorá-lo. A última coisa que eu queria era mais uma conversa onde ele tentaria me convencer a ficar longe de tudo e de todos. Sabia que ele se importava, mas não precisava que ele fosse o meu salvador da pátria. Eu não era uma criança.
— Você não vai me responder? — Ele insistiu, a preocupação em sua voz transparecendo.
Mantive-me em silêncio, sentindo uma mistura de raiva e frustração crescer dentro de mim. O que ele não entendia era que eu precisava de espaço, não de mais controle. Terminei meu café e deixei a caneca na pia, saindo da cozinha antes que a conversa pudesse se intensificar.
Eu decidi não ir para a escola, e ele não insistiu em falar mais nada. Fui para o meu quarto e liguei o computador. As horas passaram enquanto eu pesquisava sobre tudo o que podia sobre Kendall. Eu queria entender o que havia acontecido com ela e, mais importante, como poderia encontrá-la.
A sensação de que a vida estava passando enquanto eu estava paralisada pela ansiedade me deixou inquieta. Era como se o tempo estivesse se arrastando, e eu estava presa em um ciclo de incertezas.
À tarde, decidi sair de casa. Precisava respirar, sentir o ar fresco em meu rosto e esquecer por alguns momentos que Tom estava por perto, esperando que eu desse sinal de que tudo estava bem. A caminhada foi apenas pela calçada da minha casa, que era praticamente o quarteirão, a sensação de paz trouxe uma sensação de alívio temporário.
As pessoas ao meu redor pareciam tão normais, tão despreocupadas, e eu me perguntei como elas conseguiam viver assim, sem o peso da responsabilidade e do medo.
Enquanto caminhava, meu telefone vibrou novamente. Era uma mensagem de Nadine.
“Ei, você está bem? Estou preocupada com você. Vamos nos encontrar?”
Senti um calor no peito. Nadine sempre soube quando eu estava passando por algo difícil. Respirei fundo antes de responder.
“Estou ok. Só precisando de um tempo. Não posso sair de casa, dessa vez é real ”
VOCÊ ESTÁ LENDO
𝔓𝔯𝔬𝔱𝔢𝔤𝔦𝔡𝔞 𝔭𝔢𝔩𝔞 𝔬𝔟𝔰𝔢𝔰𝔰𝔞̃𝔬 || 𝔗𝔬𝔪 𝔎𝔞𝔲𝔩𝔦𝔱𝔷
Teen Fiction"𝔈𝔲 𝔦𝔯𝔢𝔦 𝔩𝔥𝔢 𝔭𝔯𝔬𝔱𝔢𝔤𝔢𝔯 𝔡𝔢 𝔱𝔲𝔡𝔬 𝔢 𝔡𝔢 𝔱𝔬𝔡𝔬𝔰 𝔪𝔦𝔫𝔥𝔞 𝔮𝔲𝔢𝔯𝔦𝔡𝔞." Tom se torna seu segurança particular, determinado a protegê-la de qualquer perigo, ele mergulha em um mundo de intriga, segredos e perigos inesperad...
