XI

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O silêncio dentro do carro era sufocante. Tom dirigia com uma expressão fechada, os olhos grudados na estrada como se esperasse que, a qualquer momento, algo surgisse para nos emboscar.

Eu olhava pelo retrovisor a cada dez segundos, sentindo meu peito apertar.

— Você acha que era quem? — perguntei, tentando manter a voz firme.

Tom não respondeu de imediato. Seus dedos estavam tensos no volante, os nós dos dedos brancos pela força com que segurava.

— Não sei. — Ele finalmente disse. — Mas se passaram três vezes, não estavam só dando uma volta. Queriam que você notasse.

Minha mente girava com as possibilidades. Rivais do meu pai? Algum cliente insatisfeito? Ou algo pior?

Suspirei, passando as mãos pelo rosto.

— Droga. Eu devia ter prestado mais atenção. Você me falou sobre isso, que merda!

Tom desviou os olhos da estrada por um segundo e me encarou.

— Não é sua culpa.

— Não? Porque parece ser.

Ele não disse nada, apenas acelerou mais um pouco.

Quando chegamos em casa, Tom não parou na garagem como de costume. Ele estacionou na frente, em um ângulo estratégico que permitia ver qualquer carro que se aproximasse.

Saímos rápido, e ele me puxou para dentro antes mesmo que eu pudesse olhar ao redor.

A casa estava silenciosa. Meu pai não estava ali.

Tom trancou a porta atrás de nós e então se virou para mim.

— Vai pro seu quarto e fica lá. Vou checar as câmeras.

— Tom…

— Agora, Katrina.

Fechei a boca e subi as escadas.

Meu quarto parecia menor do que o normal. Fechei a cortina e joguei a mochila no chão, andando de um lado para o outro enquanto meu coração batia forte.

Peguei meu celular e abri o grupo com Maximus, Nadine e Aquires.

Trina: "Chegaram bem?"

A resposta veio rápido.

Nadine: "Sim. Mas que porra foi essa?"

Aquires: "Isso foi uma ameaça?"

Maximus: "Se foi, eles escolheram a pessoa errada pra mexer. Vamos descobrir quem era."

Suspirei e joguei o celular na cama. No fundo, eu sabia que Maximus estava certo. Se alguém estava me observando, eu precisava descobrir quem era. E, principalmente, o que eles queriam comigo.

Após meia hora Tom apareceu na porta e apertou os lábios, claramente ponderando se deveria me dizer ou não.

— Seu pai quer conversar com você. Agora.

Senti meu estômago se revirar.

— Ele sabe de alguma coisa?

Tom suspirou.

— Potter deve ter contado. Eu precisei alertar ele.

Ótimo. Se Potter, o braço direito do meu pai, estava envolvido, significava que a coisa era mais séria do que Tom estava me deixando acreditar.

O caminho até o escritório foi um borrão. Do andar de cima dava pra ver que alguns seguranças estavam postados na entrada e outros dentro de casa, na sala. Ao chegar na porta do escritório fui recebida por Potter e Emilly.

Potter tinha a mesma expressão dura de sempre, mas seus olhos me analisavam de cima a baixo, como se tentasse encontrar algum sinal de perigo em mim. Emilly, por outro lado, não estava nem aí pra nada.

— Que diabos aconteceu, cabron? — Potter foi direto.

Lancei um olhar para Tom, mas foi Emilly quem falou primeiro:

— Seu pai está te esperando no escritório. E ele não está feliz.

Revirei os olhos. Meu pai nunca estava feliz.

Caminhei sentindo o peso do olhar de todos sobre mim. Assim que abri a porta do escritório, lá estava ele. Kendrick, sentado atrás de sua mesa de mogno, os olhos sombrios fixos em mim.

— Fecha a porta.

Fiz o que ele pediu e esperei.

— Potter me disse que houve um problema na oficina.

Cruzei os braços.

— Não foi bem um problema. Apenas um carro estranho passando algumas vezes. Tom achou melhor sair de lá antes que algo acontecesse.

Meu pai me observou em silêncio por alguns segundos antes de se recostar na cadeira.

— Você acha que foi coincidência?

Engoli em seco.

— Não sei.

— Pois eu sei. — Sua voz era fria. — E não foi.

Meus olhos se estreitaram.

— Você sabe quem era?

Kendrick soltou um suspiro pesado, como se estivesse ponderando o que dizer.

— Ainda não. Mas tenho meus suspeitos.

Aquilo não me surpreendia. Meu pai sempre tinha suspeitos.

— Eu vou descobrir quem está por trás disso, mas enquanto isso, você não vai voltar para a oficina.

— O quê?! — Minha voz saiu mais alta do que eu pretendia.

Ele me encarou, impassível.

— É pelo seu bem, Katrina.

— Eu sei me cuidar!

— Como você se cuidou na última vez? — Ele arqueou uma sobrancelha.

Fiquei em silêncio. Todos sabiam do que ele estava falando. A última vez que me meti em confusão, quase terminei com um buraco de bala no peito.

Kendrick se levantou, caminhando até mim.

— Eu não estou te pedindo. Estou te dizendo.

Minha mandíbula travou.

— Isso não é justo.

Ele ignorou minha reclamação.

— Potter e Tom vão garantir que você esteja segura. Você vai para a escola e volta direto para casa. Nada de oficina. Nada de contatos desnecessários.

Ele abriu a porta e eu vi Tom e Potter à frente.

Meu pai repassou as ordens, olhei para Potter, que apenas assentiu. Ele sempre acatava as ordens do meu pai. Tom, por outro lado, parecia tenso, como se estivesse esperando minha explosão. Mas eu não explodi.

Apenas virei as costas e saí do escritório, batendo a porta atrás de mim, e Tom me acompanhou.

Se meu pai achava que isso ia me impedir… ele não me conhecia tão bem quanto pensava.

— Tom?— O mais velho me olha.— Preciso achar a Kendall.

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•Não esqueçam a estrela.

•Maya ama vocês.

𝔓𝔯𝔬𝔱𝔢𝔤𝔦𝔡𝔞 𝔭𝔢𝔩𝔞 𝔬𝔟𝔰𝔢𝔰𝔰𝔞̃𝔬 || 𝔗𝔬𝔪 𝔎𝔞𝔲𝔩𝔦𝔱𝔷Onde histórias criam vida. Descubra agora