IX

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— Você tem noção de que estava em perigo Katrina? Merda! Onde você tava com a cabeça? Porque não ficou perto da Nadine do Maximus?— Tom me questiona enquanto dirigia pra casa.

Seu olhar não saia da estrada, suas mãos apertavam o volante de forma agressiva a qual dava pra ver que suas veias da mão saltaram. O maxilar estava marcado.

— Eu nunca mais concordo em sair sem as ordens do seu pai.

— Eu não preciso da permissão dele pra nada.

— Você é uma irresponsável e mais ainda sou eu que concordo com suas loucuras! É A PORRA DA SEGUNDA VEZ QUE VOCÊ QUASE SE FERRA POR NÃO PRESTAR ATENÇÃO AO SEU REDOR! Sou a merda do seu segurança, preciso te manter segura, mas, porra você não presta atenção em nada a não ser dinheiro.

Ouvir ele falar assim me magoou de certa forma, querendo ou não, acho que nunca tive alguém que me falasse a realidade em minha cara. Nadine é a melhor pessoa do mundo quando se trata de broncas.

Aparentemente ele percebeu meu incômodo, ou percebeu que o que falou não dizia direito.

— Me desculpe. Mas é a verdade Katrina. Você precisa se manter mais atenta, eu conheço você e sei que é uma pessoa forte, mas, precisa de mais atenção. Não adianta ter essa força toda se não tiver sabedoria para usar.

Eu continuei calada, afinal era mais que verdade.

— Você não pode continuar sendo uma traficante se não souber prestar atenção nas pessoas ao seu redor. Algum dia alguém vai querer ser maior que você, e se não for sabia o suficiente vai evaporar rápido. Eu estou aqui agora e posso te proteger, mas você tem que se ajudar também.

— Eu sei me cuidar sozinha.

— Sabe mesmo  — ele soltou um riso irônico — Igual a festa que te drogaram por falta de atenção sua e ontem, que você viu um assassino na sua frente e não teve noção de que poderia ser a próxima. Você não consegue lidar com uma barata, imagine consigo mesma.

O silêncio se instalou no carro depois das palavras afiadas de Tom. Apenas o ronco do motor preenchia o ambiente tenso, enquanto ele dirigia pelas ruas escuras. Meus olhos estavam fixos na estrada, mas minha mente girava em torno de tudo que ele havia dito. Parte de mim queria retrucar, mas a outra sabia que ele tinha razão.

Em poucos minutos, chegamos em casa. Tom estacionou de maneira brusca, soltando um suspiro pesado antes de desligar o carro. Abri a porta e saí, sentindo o ar fresco da noite bater contra meu rosto. Tom veio logo atrás, fechando a porta com força.

— Acabou a bronca? — perguntei, cruzando os braços enquanto o olhava de canto.

Ele bufou, passando as mãos pelos dreads. — Acabou. Mas espero que tenha entrado na sua cabeça.

Revirei os olhos e segui em direção à entrada. Assim que entrei, a iluminação da sala trouxe um pouco de conforto, mas a tensão que nós dois criamos ainda estava presente. Tom me acompanhou e antes que eu pudesse subir para meu quarto, sua voz me parou novamente.

— Katrina, tem mais uma coisa. — O tom dele já não era mais irritado, mas sério o suficiente para me fazer parar. — Você precisa parar de agir como sua mãe.

Meu corpo enrijeceu instantaneamente. Virei para encará-lo, meu olhar gelado encontrando o dele.

— O que você quer dizer com isso? — perguntei com a voz firme.

— Você sabe muito bem. Você acha que pode agir com frieza o tempo todo, que pode esconder tudo e não sentir nada. Mas essa arrogância... essa mania de achar que não precisa de ninguém, de que tudo se resolve com dinheiro e controle... isso é o que destrói qualquer um. E você está indo pelo mesmo caminho.

Meus punhos se fecharam ao lado do corpo. — Eu não sou ela. Nunca vou ser.

— Então pare de agir como se fosse, Katrina! — Ele deu um passo à frente, sua voz carregada de frustração. — Você acha que pode levar essa frieza para todas as suas relações? Achar que não precisa se abrir, que só o poder importa? Um dia você vai perceber que isso não é suficiente.

Minha respiração estava pesada. Eu não queria admitir, mas suas palavras me atingiam em cheio. Eu sabia que não podia ser como minha mãe, mas e se no fim das contas fosse inevitável? E se eu já estivesse me tornando ela? E como caralhos ele sabia como era minha mãe?

Antes que eu pudesse responder, o barulho de passos ecoou pelo corredor. Potter surgiu primeiro, com seu olhar atento de sempre. Logo atrás dele, meu pai e Emilly apareceram. O olhar de meu pai passou rapidamente por mim e Tom, avaliando a tensão no ar.

— O que está acontecendo aqui? — a voz de meu pai soou firme, mas não agressiva.

Eu inspirei fundo, tentando me recompor. — Nada. Só uma conversa.

Potter arqueou uma sobrancelha, claramente duvidando. Emilly cruzou os braços, me observando com aquele olhar analítico que sempre me incomodava.

— Se foi só uma conversa, por que vocês parecem prestes a sair no soco? — Potter perguntou, descontraído, mas atento.

Tom suspirou, passando a mão no rosto. — Nada com que precisem se preocupar. Só estou tentando alertar alguns cuidados para ela, mais juízo nunca é demais.

Meu pai bufou. — Boa sorte com isso.

Revirei os olhos incomodada, o que serviu como uma brecha pra vagabunda da Emilly abrir a boca.

Ela sorriu de canto. — Você precisa aprender a ouvir, querida. Senão, um dia, vai acabar como alguém que conhecemos bem.

Minhas mãos tremeram levemente, mas eu me controlei. Não queria mais essa discussão. Não agora. Eu sabia que eles estavam certos. Mas admitir isso ainda era difícil demais.

Sem dizer mais nada, virei os calcanhares e subi as escadas. Tom hesitou por um momento, mas acabou me seguindo. Ao chegarmos no corredor, entrei no meu quarto e deixei a porta aberta para que ele entrasse também.

Ele fechou a porta atrás de si e cruzou os braços. — Olha, eu não quis ser tão duro lá embaixo, mas você precisava ouvir aquilo.

Assenti, soltando um suspiro. — Eu sei. Você tem razão, eu só... preciso de tempo para processar tudo.

Ele relaxou os ombros e se apoiou contra a cômoda. — Tudo bem. Mas a gente precisa trabalhar juntos, Katrina. Eu sou seu segurança, mas também sou seu aliado. Não adianta brigar comigo toda vez que eu tentar te proteger.

Me sentei na cama e passei as mãos pelo rosto. — Eu sei. Eu prometo que vou tentar ser mais cuidadosa.

Um silêncio confortável se instalou. Finalmente, Tom deu um meio sorriso. — Bom, pelo menos conseguimos terminar essa conversa sem gritos.

Soltei uma risada fraca. — Milagre.

Ele riu também, balançando a cabeça. — Milagre mesmo. Agora, vamos tentar focar no que importa? Tem muita coisa acontecendo e precisamos estar prontos.

Assenti. — Sim. Vamos fazer isso direito.

Ele estendeu a mão para mim e, depois de uma breve hesitação, apertei-a. Era um gesto pequeno, mas significativo. Não éramos apenas chefe e segurança, éramos parceiros em um jogo perigoso. E se quiséssemos vencer, precisaríamos confiar um no outro.

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•Não esqueçam a estrela.

•Maya ama vocês.

𝔓𝔯𝔬𝔱𝔢𝔤𝔦𝔡𝔞 𝔭𝔢𝔩𝔞 𝔬𝔟𝔰𝔢𝔰𝔰𝔞̃𝔬 || 𝔗𝔬𝔪 𝔎𝔞𝔲𝔩𝔦𝔱𝔷Onde histórias criam vida. Descubra agora