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O sol da manhã queimava meu rosto, me lembrando que a noite mal dormida ia cobrar seu preço ao longo do dia. O vento frio da madrugada ainda pairava no ar, mas não era o suficiente para me manter acordada.

E então, lá estava ele.

Tom me encarava do lado de fora do carro preto, óculos escuros no rosto, os braços cruzados como se estivesse pronto para atirar em qualquer um que se aproximasse demais.

— Eu não tive café na cama hoje. — reclamei.

— Seu pai me chamou para uma pequena reunião, me atrasei. Desculpa.

— Tudo bem.— Cocei os olhos com sono.

— Você não dormiu, Katrina? — sua voz soou como uma acusação.

— E você não parou de me seguir — rebati, sorrindo enquanto bocejava.— Nós nos damos bem de manhã, né?

Ele riu mas não me respondeu, apenas abriu a porta do carro com uma certa impaciência.

— Entra logo.

Bufei, mas obedeci. Melhor do que pegar transporte público com gente que eu odiava.

Dentro do carro, Tom dirigia com a mesma expressão de sempre, os dedos tamborilando no volante enquanto seus olhos analisavam cada rua como se a qualquer momento algo fosse acontecer.

— Para de olhar pra tudo como se estivessem prestes a me sequestrar.— Falei ironicamente.

Ele não desviou o olhar da estrada.

— Se você não andasse vendendo armas e drogas para idiotas, talvez eu não precisasse.

Sorri de lado.

— Relaxa. Já disse que sei me cuidar.

— Somos uma equipe, lembra disso?

Concordei com a cabeça, ainda lembrando de suas faladas na noite anterior.

Ao chegarmos na escola, ele saiu primeiro, fazendo questão de verificar o perímetro antes de me deixar descer. Dramático eu diria.

— Até parece que tem um franco-atirador me esperando na quadra — murmurei, revirando os olhos.

— Depois de ontem temos que ser mais cuidadosos, não sabemos se o retardado que ta se vestindo de Ghostface não te viu e quer vir atrás de você.

— Isso é uma escola, Tom.  Se acalma, aqui estou segura.

— Se eu achasse que você estava segura, eu não estaria aqui.

Deixei escapar um suspiro exasperado.

— Você está sempre aqui.

Ele não negou.

Assim que entrei no pátio, vi Maximus e Nadine encostado no muro, tragando um cigarro e me esperando. Letícia e Aquires estavam um pouco mais pro lado, mas na mesma panelinha, conversando como se a escola fosse um grande evento social e não uma prisão disfarçada.

— Tá atrasada, princesa — Maximus zombou, jogando o cigarro no chão.

— Reclama com o meu babá — apontei para Tom, que estava ao meu lado com os braços para trás, analisando cada movimento meu.

— Trina até quando ele vai ficar te seguindo? — Aquires perguntou, cruzando os braços.

— Até o inferno congelar, pelo jeito — resmunguei.

Aquires riu baixo. — Seu pai mandou ver colocando um segurança na tua cola.

— Um dia ele vai me liberar, acho que foi só castigo mesmo. Não que eu não goste de ter um segurança. — Olhei para Tom. — Mas eu gosto da minha liberdade e espaço pessoal.

𝔓𝔯𝔬𝔱𝔢𝔤𝔦𝔡𝔞 𝔭𝔢𝔩𝔞 𝔬𝔟𝔰𝔢𝔰𝔰𝔞̃𝔬 || 𝔗𝔬𝔪 𝔎𝔞𝔲𝔩𝔦𝔱𝔷Onde histórias criam vida. Descubra agora