EM ALGUNS momentos de sua vida, Steve imaginava-se saindo do Brooklyn para explorar o que havia além das fronteiras do próprio bairro, um mundo que ele conhecia apenas pelas páginas amareladas de guias de viagem antigos ou pelas telas dos cinemas baratos que frequentava com Bucky.
A realidade, sempre pontual, tratava de lembrá-lo de que sua vida era feita de contas a pagar, responsabilidades e pequenos reparos que não podiam esperar. Havia sempre algo a ser consertado, um cliente para atender, uma dor de cabeça nova à espreita.
Mas ali, na varanda do Hotel Imperial de Viena, envolto no frio cortante da noite europeia, Steve mal conseguia acreditar em como tudo havia mudado.
A cidade se estendia diante de seus olhos como uma pintura viva: ruas de paralelepípedos se curvando ao redor de edifícios históricos, torres góticas rompendo a névoa que começava a cair lentamente sobre os telhados inclinados. As luzes douradas refletiam nos vitrais das igrejas e no mármore dos palácios barrocos, criando um cenário que parecia saído de um sonho, ou de um daqueles cartões-postais que ele nunca imaginou ter nas mãos.
Por um momento, Steve se permitiu respirar fundo, as mãos enfiadas nos bolsos do casaco formal, o cachecol negro roçando sua mandíbula. O ar era gelado e perfumado com o aroma distante de castanhas assadas e vinho quente que vinha das feiras de inverno espalhadas pela cidade. Os sinos da Karlskirche ressoavam ao longe, marcando a hora com precisão quase cerimonial.
Nunca, nem mesmo nos momentos mais fantasiosos de juventude, ele se imaginou ali, em outro continente, convidado para um Baile de Gala Beneficente no Palácio Hofburg, não como espectador, mas como protagonista.
Ele, Steve Drysdale – um nome que ainda lhe soava estranho – agora CEO de uma das maiores multinacionais, filho perdido de um filantropo bilionário e irmão gêmeo de um playboy. Marido da mulher mais incrível que já conheceu, aquela que desafiava seus limites, que o fazia rir nas horas mais improváveis e que, mesmo silenciosa, era seu refúgio. Pai de uma menina que tinha o sorriso mais desarmante do mundo, que apertara seus dedos em seu primeiro minuto de vida como se o reconhecesse.
Steve fechou os olhos por um segundo, absorvendo o momento. Era quase um sonho. O tipo de vida que ele nunca ousou desejar. Mas estava ali, real, sólida, com camadas e compromissos, e ele a abraçava com gratidão.
Ao fundo, ele ouviu o estalo discreto da porta se abrindo. Um perfume floral e quente invadiu o ar frio. Ele se virou devagar, e ali estava Natasha, vestindo um longo de veludo azul escuro que se ajustava ao corpo com elegância absoluta. O colarinho do casaco escuro de cetim realçava os cabelos presos em um coque sofisticado, com fios rebeldes propositalmente soltos.
Seus olhos o encontraram com um brilho sutil, e era tudo o que ele precisava para saber que sim, aquilo era real. E era seu.
— Está tudo bem? — ela perguntou, a voz baixa quebrando o silêncio com ternura.
— Melhor do que eu jamais achei que estaria — Steve assentiu, o sorriso discreto nos lábios.
Ela caminhou até ele com passos lentos, contidos, como se não quisesse romper o encanto que a vista provocava. As luzes de Viena cintilavam como joias sob a noite fechada, e a cidade vibrava em elegância silenciosa. Quando Natasha entrelaçou seu braço no dele, Steve a sentiu mais quente que o próprio casaco.
Era como se seu corpo reconhecesse o dela como um lar.
Juntos, ficaram ali em silêncio por alguns segundos. O tipo de silêncio confortável que apenas pessoas profundamente ligadas conseguem partilhar. A brisa gelada tocava os cabelos de Natasha, que se soltavam aos poucos do coque elegante, e Steve os ajeitou com um carinho instintivo.
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𝐋𝐈𝐄𝐒 𝐚𝐧𝐝 𝐒𝐄𝐂𝐑𝐄𝐓𝐒 | ✓
FanfictionConcluído! MENTIRAS e SEGREDOS | romanogers Separados no parto, irmãos gêmeos foram condenados a viverem separados. Ethan, ficou com o pai; Steve, continuou com a mãe, achando ser filho único. Eles cresceram sem saber da existência de uma pessoa i...
