O sol já estava alto quando acordei, ainda envolta nos braços de Daddy. Por um momento, desejei poder ficar ali para sempre, longe de tudo e de todos, mas a realidade logo me atingiu.
— Preciso voltar pra casa — murmurei contra o peito dele.
Daddy suspirou, apertando os braços ao meu redor antes de me soltar devagar.
— Tem certeza? — Ele perguntou, sua voz carregada de preocupação.
Assenti, mesmo sem saber se era uma boa ideia.
Pouco tempo depois, estávamos no carro, o caminho até minha casa silencioso. A cada metro que nos aproximávamos, a tensão crescia dentro de mim. Quando paramos na frente do portão, Daddy desligou o carro e virou-se para mim.
— Eu não vou entrar — ele disse, sério. — Mas se acontecer qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, me manda mensagem. Eu entro lá na mesma hora.
Meus dedos apertaram a alça da mochila com força.
— Obrigada — sussurrei.
Daddy segurou meu rosto, deslizando o polegar sobre minha bochecha de forma protetora.
— Você não tá sozinha, Liz. Lembra disso.
Assenti antes de soltar um longo suspiro e descer do carro. Assim que entrei em casa, percebi que o clima estava pesado. Meus pais estavam na sala, de pé, com os rostos fechados.
— Onde você estava? — Meu pai perguntou, a voz fria.
— Eu... — Antes que pudesse dizer qualquer coisa, minha mãe jogou o celular sobre a mesa. A tela mostrava uma foto minha e de Daddy na favela.
O sangue gelou nas minhas veias.
— Como vocês conseguiram isso? — Perguntei, minha voz saiu baixa.
— Está em todo lugar! — Minha mãe gritou. — Você não tem vergonha?! O que vão dizer na igreja? Como acha que isso nos faz parecer?!
Meu pai cruzou os braços, o olhar carregado de reprovação.
— É isso que você quer pra sua vida, Liz? Se envolver com um homem desse tipo? Um favelado, um perdido? Se misturando com esse mundo de pecado?
Meus olhos ardiam de raiva.
— Eu não fiz nada de errado! — Disparei, minha voz tremendo de indignação. — Vocês falam como se eu tivesse cometido um crime!
Minha mãe se aproximou, o rosto carregado de fúria e decepção.
— Você nos envergonha, Liz. Você virou uma mulher suja, se afastou do caminho de Deus! Está agindo como... — Ela hesitou, mas o olhar dizia tudo.
Senti um nó na garganta, mas não ia deixar aquilo passar.
— Como o quê, mãe? — Cuspi as palavras. — Como uma mulher que faz suas próprias escolhas? Que não quer viver sufocada dentro dessa casa, sendo julgada a cada passo que dá?
Ela bufou, desgostosa.
— Você está sendo influenciada pelo mundo! E agora tá se envolvendo com esse homem! Um homem que vem de um lugar que você nem deveria pisar!
A raiva explodiu dentro de mim.
— Esse "lugar" que vocês falam como se fosse um buraco tem mais amor e acolhimento do que essa casa jamais teve! Vocês falam tanto de Deus, mas onde estava Deus quando eu chorei sozinha por me sentir presa? Onde estava Deus quando tudo que eu queria era que vocês me ouvissem ao invés de me julgarem?!
Minha mãe ficou vermelha de raiva.
— Chega! Eu não vou permitir esse tipo de desrespeito dentro da minha casa!
Soltei uma risada amarga.
— Finalmente vocês falam a verdade, né? Porque essa nunca foi a minha casa. Sempre foi só uma prisão.
O silêncio que se seguiu foi cortante. Meu pai respirou fundo e então disse, com a voz pesada:
— Se você quer tanto viver sua vida longe de nós, então vá.
Minha mãe apontou para a porta, os olhos brilhando com lágrimas que não eram de tristeza, mas de pura frustração.
— Pegue suas coisas e saia, Liz.
Meu peito apertou, mas eu não ia chorar. Não na frente deles.
— É isso que vocês querem? — Murmurei, tentando manter a voz firme. — Tudo bem.
Subi as escadas rapidamente, peguei o que consegui enfiar dentro da mochila e da minha mala, e voltei para a sala. Meus pais ainda estavam lá, imóveis.
Quando passei pela porta, olhei para eles uma última vez.
— Um dia vocês vão perceber o que fizeram. Mas aí já vai ser tarde demais.
E então saí, sem olhar para trás.
Assim que pisei na calçada, Daddy desceu do carro, o olhar tenso ao ver minhas mãos trêmulas segurando a mochila.
— Liz...
Não consegui segurar mais. Me joguei em seus braços, sentindo finalmente as lágrimas caírem.
— Eu não tenho mais casa.
Ele segurou meu rosto, olhando diretamente nos meus olhos.
— Você tem a mim. E eu nunca vou te deixar sozinha.
E, naquele momento, percebi que talvez perder uma casa não significasse perder um lar. Talvez, meu lar estivesse bem ali, nos braços de Daddy.
***
Depois de meses voltei kkkk peço perdão por isso <3
Percebi que fiz confusão entre os capitulos mas ja ajustei meninas, aproveitem e comentem para mais capitulos...e eu não esquecer de postar
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Heaven | NGC Daddy
FanficEles dizem: Todos os garotos bons vão para o céu Mas os garotos maus trazem o céu até você... ( Heaven - Julia Michaels ) PLÁGIO É CRIME.
