15.

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Minutos pareciam horas enquanto eu permanecia no chão do quarto, tentando controlar minha respiração. Meu coração batia forte, e minha mente repetia o que havia acontecido como um filme quebrado. As palavras da minha mãe ainda ecoavam, pesadas, cortantes.

Até que um leve barulho veio da janela.

Levantei a cabeça e vi a silhueta dele do lado de fora. Daddy.

Corri até a janela e a abri rapidamente. Ele olhou para mim e seus olhos imediatamente encontraram a marca vermelha em meu rosto. Seus punhos cerraram ao lado do corpo.

— Vem comigo — disse baixinho, sua voz carregada de urgência.

Não hesitei. Peguei minha mochila e pulei para a pequena extensão de telhado abaixo da janela, onde ele me segurou firme. Assim que meus pés tocaram o chão lá fora, ele me puxou contra o peito, abraçando-me forte.

— Você tá bem? — ele perguntou, afastando-se o suficiente para segurar meu rosto entre as mãos. Seus olhos escuros analisavam cada detalhe do meu semblante.

— Agora eu tô — murmurei.

Ele me guiou até o carro, e assim que entramos, acelerou pelas ruas vazias da noite. O silêncio reinava dentro do veículo, mas sua mão encontrou a minha sobre o câmbio, apertando-a como um lembrete silencioso de que eu não estava sozinha.

— Vamos pra minha casa — ele disse, sem me dar escolha. — Você precisa respirar, descansar... e ficar longe disso tudo.

Apenas assenti. Eu não tinha forças para discutir.

Chegamos ao seu apartamento pouco tempo depois. Assim que a porta se fechou atrás de nós, senti meu corpo desmoronar. As lágrimas que eu segurei na frente da minha mãe agora vinham com força total.

— Ei... — Daddy me puxou para seus braços novamente, segurando minha nuca com firmeza. — Chora, deixa sair.

E eu chorei.

Ficamos assim por um tempo, até que o cansaço começou a me dominar. Daddy afastou-se apenas o suficiente para olhar nos meus olhos.

— Vem cá.

Sem pressa, ele me guiou pelo pequeno corredor até seu quarto. As luzes eram suaves, criando um ambiente aconchegante. Ele tirou minha mochila dos ombros e a colocou no chão, depois puxou a barra da minha blusa, deslizando os dedos levemente pela minha pele.

— Você quer tomar um banho?

Balancei a cabeça.

— Só quero você perto.

Daddy me puxou para a cama, e nos deitamos juntos, seus braços ao redor do meu corpo, me envolvendo em calor e segurança. Ele roçou o nariz contra minha têmpora antes de depositar um beijo suave ali.

— Eu tô aqui, Liz. Sempre vou estar.

Fechei os olhos, sentindo a respiração dele contra minha pele. Seus braços apertaram um pouco mais ao meu redor, como se quisesse ter certeza de que eu estava ali, segura.

— Você não precisa passar por isso sozinha — ele continuou, sua voz baixa e firme. — Sempre que precisar de um lugar pra fugir, de alguém pra te ouvir... eu sou essa pessoa.

Minhas mãos apertaram a camisa dele, como se estivesse me segurando na única coisa que ainda me mantinha firme.

— Obrigada — sussurrei.

Ele beijou o topo da minha cabeça e, naquela noite, adormeci nos braços dele, pela primeira vez em muito tempo, sentindo que finalmente tinha um lugar.

Heaven | NGC DaddyOnde histórias criam vida. Descubra agora