章23

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O fim de tarde em Suna era calmamente silencioso - não o tipo de silêncio pacífico das montanhas, mas um vazio suspenso, tenso, como se a própria vila estivesse prendendo a respiração para as festividades à noite. O vento carregava grãos de areia pelas ruas como pequenos sussurros de segredos não revelados. Pessoas reunindo-se para as preparações, talvez algo mais.

Os passos de Sasuke e Hinata ecoavam baixinho pelo corredor do andar nobre do hotel, até que a porta de madeira se fechou atrás deles com um clique suave.

O disfarce caía como uma segunda pele.

Hinata retirou o véu que cobria parte do rosto e soltou o suspiro que vinha guardando desde que saíra do salão. Os brincos pesados de adornos turquesas tilintaram em sua mão quando ela os retirou, um a um, caminhando até o espelho  da penteadeira. Os grampos elaborados que prendiam seu coque caíram no aparador, e seus cabelos desceram como seda negra sobre os ombros. A imagem no espelho não era mais da esposa dócil de Koisuki. Era dela - Hinata Hyuuga - guerreira, kunoichi. E, agora, possivelmente apaixonada por um Uchiha.

Atrás dela, Sasuke permaneceu em pé por um momento, observando o ambiente como se precisasse confirmar que estavam verdadeiramente a sós. Então, atravessou o quarto, afastou a cortina da varanda e saiu, deixando-se envolver pela brisa árida que soprava entre as colunas. Por um longo tempo, nenhum dos dois disse nada. Mas era um silêncio carregado - não desconfortável, mas denso, como se as palavras estivessem esperando pela permissão do momento certo para emergirem.

Ele foi o primeiro a quebrá-lo, a voz baixa e seca:

- Akimoto é mais cauteloso do que esperávamos. Desvia das perguntas com cautela... Ele desconfia rápido demais.

Hinata aproximou-se da varanda, os pés descalços quase sem som sobre o tatame. Ela carregava um véu retirado dos cabelos, e parou ao lado dele, contemplando as luzes distantes da vila que começavam a acender.

- Você conseguiu arrancar algo dele? - perguntou, sem olhá-lo diretamente.

Sasuke assentiu, com o maxilar tenso.

- Alguma coisa. Ele mencionou “clientes com gostos vivos”… e usou o termo "mercadoria viva". Eu o perguntei diretamente sobre um leilão, que tirei das minhas conclusões...  ele confirmou a existência, mas me afastou de imediato. - Sasuke inclinou a cabeça para trás, encostando-a na coluna, engoliu a seco, cada movimento muscular sendo observado por Hinata, mesmo sem ele perceber - Eu insinuei experiências, e ele... mordeu a isca, mas hesitou. Está interessado, mas desconfiado. Como um tubarão que sente sangue, mas não sabe se é armadilha.

Hinata andou até parar ao seu lado, inclinou-se levemente e pós os braços no parapeito, como se o vento pudesse levar suas palavras.

- No salão das senhoras, uma das convidadas... Yumi... disse algo sobre um porão. Um teatro. À meia-noite.

Sasuke virou o rosto para ela.

- Ela parecia saber o que dizia?

- Estava bêbada h Hinata admitiu. - Mas ela era irmã de Natsume... Quando começou a falar comigo, Natsume teve uma reação imediata. Puxou Yumi antes que ela dissesse mais. E eu vi. Vi como as outras a olharam. Como uma... como um bicho ferido que quase arruinou o show.

Sasuke olhou para o horizonte por um instante. Depois voltou os olhos para ela, ainda com a cabeça encostada na coluna.

- No teatro, à meia-noite. - ela continuou - Talvez uma apresentação privada para os verdadeiros convidados.

- Se há um leilão, seria muita coincidência não ser lá.

- Possivelmente. Mas não é só isso - Hinata se afastou da varanda e sentou nas almofadas no chão - Uma das mulheres comentou... sobre algo vindo de Kiri. Algo que “sangra diamantes”. Eu pensei... nos Kaguya. Era o único Clã com Kekkei Genkai de ossos.

𝓐𝓵𝓵 𝓸𝓯 𝔂𝓸𝓾.    🅂🄰🅂🅄🄷🄸🄽🄰Onde histórias criam vida. Descubra agora