A porta se fechou atrás deles com um clique suave, abafado pelo som da areia sendo soprada do lado de fora. O silêncio do quarto era uma bênção depois do peso da missão. Ambos estavam exaustos - fisicamente e emocionalmente - como se cada célula em seus corpos tivesse sido puxada em direções opostas durante aquela madrugada.
Hinata retirou o capuz com um suspiro lento. Seus cabelos colavam-se levemente à pele suada da nuca. Ela passou a mão pelo rosto, fechando os olhos por um instante, como se quisesse apagar as imagens que haviam presenciado no teatro.
Sasuke, em silêncio, retirou a máscara e o manto, revelando a musculatura tensa e os olhos ainda afiados. Mas ao olhar para Hinata, o olhar dele suavizou.
- Vai primeiro - disse ele, com voz baixa, indicando o banheiro.
Ela hesitou, como se considerasse recusar, mas então assentiu com um movimento curto de cabeça. Caminhou até o banheiro, tirando lentamente as roupas pretas da missão e as deixando em uma cadeira próxima. Pouco depois, o som da água corrente se misturava ao silêncio do quarto.
Sasuke se sentou à beira da cama, a mão passando pelos cabelos escuros. Respirou fundo. As imagens do leilão ainda estavam vivas - os sorrisos vazios, os olhos apagados das vítimas, o tom casual e cruel de Akimoto. Era difícil dormir depois daquilo. Mas ele precisava fingir que era apenas mais uma missão. Precisava ser forte... por ela.
Hinata saiu minutos depois, com os cabelos úmidos e o corpo envolto em uma das camisas dele. Longa, solta, cobrindo-lhe até as coxas, até mesmo o short pequeno que usava. O olhar dela estava distante.
- Sua vez - disse ela, com um pequeno sorriso cansado.
Sasuke assentiu. Quando retornou, estava só com a calça preta, o corpo ainda pingando em alguns pontos. Os cabelos molhados escorriam pelas têmporas. Ele encontrou Hinata sentada na cama, com as pernas dobradas, abraçando os joelhos, o olhar fixo na parede. Silenciosa. Preocupada.
Ele se aproximou em silêncio e, sem dizer nada, a puxou delicadamente para deitar. Ela não resistiu. Se aninhou a ele com naturalidade, como se aquele lugar já fosse o certo. Ele passou um braço por baixo do corpo dela e a outra mão pousou em sua cintura, desenhando círculos preguiçosos com os dedos.
- Está tudo bem, Hina - disse ele, depois de um tempo.
- Não está - ela respondeu com sinceridade. - Aquilo... aquelas pessoas... As crianças. Você viu como eles agem com naturalidade? Como se estivessem vendendo porcelana?
- Eu vi. - A voz dele era grave, firme. - Mas agora sabemos como funciona. Sabemos o que procurar. E vamos impedir isso.
Hinata virou o rosto, os olhos perolados encarando os dele.
- Às vezes eu me pergunto se sou forte o bastante para continuar vendo essas coisas. Se ser shinobi significa viver cercado disso o tempo todo.
Sasuke ficou em silêncio por alguns segundos, e depois sussurrou:
- Ser shinobi... significa carregar aquilo que os outros não podem. Mas você não está sozinha. Você não precisa carregar tudo sozinha.
Ela sorriu, pequena, frágil.
- Você fala como quem carrega o mundo sozinho há muito tempo.
- Eu carreguei - ele respondeu, encarando o teto. - a culpa, o medo... Mesmo quando voltei pra Konoha. Eu definhei pouco a pouco por um tempo... E acreditei que merecia toda a dor e sofrimento que carregava. Até perceber que não precisava. Até você.
O silêncio entre eles foi profundo e sincero. O tipo de silêncio que dizia mais que mil palavras. Depois de um tempo, ela o provocou suavemente:
- E o que eu sou agora, Sasuke?
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𝓐𝓵𝓵 𝓸𝓯 𝔂𝓸𝓾. 🅂🄰🅂🅄🄷🄸🄽🄰
FanfictionTudo começa com uma missão. Simples. Objetiva. Sem espaço para distrações. Mas quando Hinata Hyuuga e Sasuke Uchiha são forçados a trabalharem juntos, algo muda - lentamente, imperceptivelmente. A amizade nasce em meio ao caos. E quando finalmente p...
