Acordei, sozinho, em minha casa na Califórnia.
Olhei para o teto, me espreguicei e, sem querer, meus olhos recaíram na aliança de ouro em meu dedo anelar, o que me tirou um sorriso nostálgico.
Meu casamento com Jimin havia sido mágico. Daqueles que todos contam histórias quando se reúnem com os amigos, por terem ótimas lembranças da comemoração. Lembro até hoje dos votos de meu marido, cheios de doçuras que me fizeram corar na frente de todos, lembro-me que gaguejei, como um idiota, quando comecei a proferir os meus. Quando consegui ler as palavras que havia escrito em um pequeno pedaço de papel, pois definitivamente não iria conseguir lembrar de tudo naquele nervosismo, todos se emocionaram. Era mais ou menos assim:
"Bom, com todos aqui presentes no nosso casamento, imagino que o nome "Park Jimin" já seja muito conhecido. Mas nossa história não começou por este nome, começou por um codinome de "Baunilha" e várias cartinhas chegando em meu apartamento. Tive que passar por muitas pessoas até encontrar quem seria o verdadeiro amor da minha vida, e agradeço todos os dias por no fim de tanta bagunça, tanta festa, tanta confusão, eu ter encontrado meu noivo naquela mesa de refeitório, junto com nosso padrinho, Jeon Jungkook - este sorriu, havíamos nos resolvido com o tempo. Na minha vida, eu nunca notei que eu sentia um vazio estranho, um vazio que eu não sabia muito bem como preencher, então achei que as coisas eram para ser assim. Até que um dia, eu percebi que tudo aquilo que me faltava era atenção, era alguém que se importasse em me ouvir nos dias que meus próprios pensamentos pareciam demais para escutar. E quando você chegou, pude relaxar, me apoiar e apenas confiar.
Meu amor, com você eu conheci o significado de palavras difíceis, como resiliência, altruísmo e confortabilidade, conheci lugares novos, mas me apeguei completamente naquele que chamei de "porto seguro". Você ressignificou o que eu considerava já repleto de significado e, quando eu não sabia que precisava de um romance, você me bombardeou com suas cantadas e paqueras, eu não pude ao menos tentar resistir, pois nos primeiros roçares de pele com pele, meu corpo inteiro já havia te escolhido.
Quando vejo você, vejo o universo. Vejo o doce mais doce que já existiu e meu cérebro se derrete na dopamina criada com sua presença, pois amo tudo em você. Desde os cabelos esvoaçantes, as bochechas fofinhas, os olhos esperançosos, os cílios delicados, as pintinhas, as mãos pequenas, seus braços musculosos, essa lapa de bunda que eu nem sei como você carrega por aí sem cair para trás! - risadas ecoaram para o salão, incluindo a de meu amor, que já tinha as primeiras lágrimas caindo por seu rosto. Eu amo quando você me acorda cedo demais, amo quando me faz dormir com carinhos no meio de filmes, amo quando decide viajar comigo para um lugar super desconhecido apenas porque resolvi querer fotografar lá, mesmo sabendo que no final, minha câmera vai ficar cheia de filmagens suas.
Por isso, meu amor, minha escolha é você, e vai, para sempre, ser meu Baunilha"
Nossa festa foi um arraso, lembro como a felicidade de meu marido era possivel de se enxergar de longe, e mais ainda quando eu me aproximava e seu rosto se iluminava de um jeito que nunca havia antes. Ele estava claramente realizado, e eu também.
Faziam-se mais de cinco anos desde nossa cerimônia, e agora, com ambos formados, tínhamos de seguir rumos diferentes em alguns aspectos. Por conta de meu trabalho, tive que conquistar uma casa temporária na Califórnia, onde eu passava mais tempo do que queria longe do amor da minha vida.
Minha vida profissional era, honestamente, tudo que eu sempre sonhei. Havia conquistado meu cargo de diretor de fotografia, me tornei um nome importante e, recentemente, estava finalmente terminando um projeto que tirou-me um longo ano de longe de meu país. Mas agora, eu estava livre, e finalmente iria conseguir voltar.
Peguei meu celular, mandei mensagem para uma floricultura e encomendei um lindo buquê de tulipas brancas, as favoritas de meu marido, Park Jimin. Eu voltaria, e seria surpresa.
A viagem de volta para a Coréia foi cansativa, eram longas horas e eu mal conseguia dormir da ansiedade causada pela saudade acumulada de todo esse tempo longe, nós conversávamos todos os dias por mensagens, mas sabe quando algo não é mais o suficiente para conseguir te reconfortar? Eu precisava de Jimin, precisava tocá-lo, amá-lo, respirá-lo. As conversas, mesmo que longas, não eram suficientes para me suprir do Park, eu o queria o tempo todo em meus braços, e no avião, ficava desejando dormir para o tempo passar mais rápido e logo logo eu estar com ele.
Cheguei na Coréia, exausto, mas não deixei isso tomar conta de mim. Passei em uma cafeteria e tomei um café, exigindo de mim mesmo energia. Era seis da tarde, horário do chá da tarde, e se havia uma pessoa no mundo que com certeza havia parado tudo para sentar, comer e fofocar, era meu marido. Então me apressei, passei na floricultura, e em um piscar de olhos, cheguei no local que queria.
Bom, uma coisa que devo falar a vocês, é que Jimin definitivamente não utilizou sua faculdade em direito, pois não chegou a completá-la, já que depois de muitas conversas complicadas e difíceis com seu pai, conseguiu o convencer de deixá-lo fazer a transferência para o curso de gastronomia e, agora, chegou onde chegou.
A brisa estava refrescante naquele dia do início da primavera e as pequenas flores que ficavam nos canteiros das janelas da casinha rosa pareciam estar mais radiantes do que da última vez que estive aqui. Jimin sempre teve todo cuidado do mundo ao regá-las e ter atenção contra pestes, então era de se esperar que aquelas estivessem bonitas, assim como todas as outras dezenas plantinhas, todas em vasos decorados de forma doce, que eram espalhadas. Sorri ao ler a placa com o nome do lugar, era inacreditável que ele realmente insistira tanto nisso.
"Confeitaria Doces para Yoongi"
E tudo o que eu conseguia pensar era como eu o amava. E como me sentia amado por ele, mesmo de longe.
Entrei na pequena varanda, com algumas pessoas sentadas e comendo algumas das delícias, o cardápio era inteiramente repleto dos meus favoritos, pois Jimin argumentava que se sentiria em casa desde que cozinhasse o que sabia que, independente de onde eu estivesse, faria minha boca salivar. Esfreguei meus tênis pesados, grosseiros e escuros no tapete adorável de gatinho da entrada, todas as coisas que evidenciavam nosso contraste me atingiam de uma forma intensa, pois era como se nossa essência estivesse em absolutamente tudo.
Entrei pela porta da frente, tocando o sino que fazia um barulho fino e delicado, o ambiente estava ainda mais cheiroso e aconchegante do que me lembrava. As paredes de madeira de alvenaria, pintadas de rosa claro e contrastando com um marrom tão clarinho que lembrava café com leite. Os detalhes do lugar eram cheios dos tons verdes de plantinhas cultivadas com amor e carinho e muitos porta-retratos, os quais tinham sempre nossos rostos, com amigos, clientes, família e paisagens. Jimin era tão entusiasmado com nosso relacionamento que não conseguia deixar de expor em todas as paredes nosso amor, e eu não poderia me sentir melhor.
- Já vai!
Sua voz, aquela que eu desejei por dias e que só conseguia ouvir por telefone, soava alta e meio preocupada de dentro da cozinha. Ouvi um barulho alto de alguma coisa de metal caindo no chão e suas reclamações, baixinhas e marrentas, me enchendo de felicidade de ouvi-las novamente. Seus passos apressados foram ficando mais altos enquanto ele se aproximava, limpando os olhos com o avental e tentando disfarçar que provavelmente tinha acabado de derrubar farinha demais em si mesmo ao acaso.
- Vou querer um docinho de baunilha, por favor - falei, como se tivesse despreocupado, como se eu nem ligasse sobre o fato de estar ali.
Seu corpo travou, limpou os olhos com violência e eles logo se abriram, em completo choque.
- Yoongi!
Ele abriu o maior sorriso do mundo, do jeito que só ele sabia fazer ao apertar seus olhos e mostrar os dentinhos. Ele saiu de trás do balcão quase que em um pulo e seus braços rodearam meu pescoço.
Como era bom estar em casa novamente.
Bom, gente, esse é o fim de Doces para Yoongi! Lembro-me do ano passado, que escrever essa história me ajudou muto em desafios psicológicos, porque enquanto tudo o que eu queria era escrever histórias tristes, escrever um "Bom dia, Docinho" e uma cartinha que eu gostaria de receber era o suficiente para me forçar em um bom humor. A escrevi por bem estar e diversão, aquelas coisas bem absurdas e românticas, e quando fiquei melhor, acabei esquecendo de finaliza-la. Espero que tenham gostados, um beijinho e um docinho para todos!
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Doces para Yoongi
Fanfiction[concluída] Em que o jovem universitário Min Yoongi começa a receber doces misteriosos todos os dias em sua casa e, crente que o remetente poderia ser o amor da sua vida que sempre esperou, decide formular um plano de busca para conseguir desvendar...
